BRUNO MAGNO
BELÉM, PA (FOLHAPRESS)
Garrafas PET, embalagens e outros plásticos recolhidos dos rios da Amazônia em Belém ganharam um novo uso: foram transformados em brita, um material usado na construção civil.
Essa tecnologia, desenvolvida no Pará, segue estudos científicos recentes que mostram que a economia circular é uma boa solução para combater a poluição por plástico na Amazônia.
O processo foi criado pela startup FlexStone junto com pesquisadores da UFPA (Universidade Federal do Pará) e utiliza plásticos recolhidos pelo projeto Promares.
Neyson Mendonça, coordenador do projeto e pesquisador da UFPA, explica que o plástico descartado virou uma matéria-prima valiosa.
“Esta tecnologia cria oportunidades de trabalho e renda para cooperativas de reciclagem, promove inclusão social e ajuda a criar uma cadeia de produção mais sustentável na Amazônia”, disse ele.
O projeto está em andamento há mais de oito meses. Mendonça espera que, com mais pesquisas e parcerias entre universidades, startups, cooperativas, empresas e órgãos públicos, a tecnologia se expanda para a construção civil em grande escala.
De acordo com o CEO da FlexStone, Rodrigo Hühn, o diferencial da tecnologia é que ela pode usar quase todos os tipos de plástico, sem precisar separar por cor ou tipo, e não consome água.
“Convertendo plásticos que iriam para aterros ou virar microplásticos em um material útil para construção”, destaca Hühn.
Essa brita ecológica já é usada em bancos de praças, floreiras e lixeiras em canais revitalizados, como o canal da Travessa Quintino Bocaiúva.
Finalizada em março, essa obra foi parte da COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas realizada em Belém. Resíduos plásticos da conferência foram usados na brita ecológica.
A ideia agora é levar essa tecnologia para outras áreas da Amazônia.
“Queremos transformar esse material nas próprias regiões onde ele é coletado”, explica Hühn. Atualmente, a linha de produção processa cerca de cinco toneladas de plástico por mês.
A tecnologia gerou ainda um protótipo de casa sustentável no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, construída com tijolos feitos da brita ecológica, usando o equivalente a 300 mil garrafas PET.
“Outro ponto forte é o conforto térmico do material. A casa aquece bem menos que construções normais. É uma solução feita aqui na Amazônia”, afirma o CEO.
Parceria para combater a poluição
Além da UFPA, o Promares reúne pesquisadores de 12 universidades brasileiras e da Universidade Técnica de Braunschweig, na Alemanha, que coordena o projeto. Pará, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro são áreas de teste para essas soluções que podem ser adotadas em outras partes do Brasil.
Christiane Pereira, coordenadora-geral do projeto, destaca que essa cooperação entre universidades brasileiras e internacionais permite desenvolver tecnologias adequadas à realidade amazônica.
“Este trabalho ajuda a transformar plástico em recurso valioso, fortalece a economia circular e apoia a inclusão produtiva de cooperativas, povos indígenas, ribeirinhos e outras comunidades, além de fornecer dados para políticas públicas contra a poluição por plástico”, explicou ela.
