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quinta-feira, 30/07/2026

Perícia judicial nega vazamento de dados biométricos entre Serasa e Unico

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Ana Paula Branco
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Documentos oficiais de uma perícia e depoimentos na Polícia Civil de São Paulo, obtidos pela Folha, desmentem a acusação feita pela Unico sobre um possível vazamento de milhões de dados biométricos envolvendo Serasa Experian.

O laudo pericial indica que não há um banco paralelo de dados biométricos, mas sim uma divergência relacionada ao uso de rotas digitais para acessar servidores.

A investigação começou depois que a Unico acusou a Skill Tecnologia, empresa responsável por conectar clientes à plataforma de identidade digital, de usar um canal exclusivo do Banco do Brasil para validar biometria de outros clientes, como Serasa Experian e ClearSale.

A acusação sugeria que milhões de selfies usadas em operações bancárias teriam sido feitas de modo irregular, levantando suspeitas de uso indevido de dados sensíveis. A polícia realizou busca e apreensão na Serasa no mês passado.

Um laudo contratado pela acusação apontou 1,4 milhão de transações irregulares e estimou que até 22 milhões de brasileiros poderiam ter dados consultados nessa operação.

No entanto, a perícia nomeada pela 9ª Vara Cível de Brasília, feita nos sistemas da Skill, concluiu que não foi encontrado qualquer dado biométrico da Unico na Skill.

A Unico não comentou o caso devido ao sigilo judicial, e a Serasa Experian classificou as acusações como falsas e infundadas. A Skill também não se pronunciou por se tratar de investigação sigilosa.

Especialistas explicam que muitas transações apontadas eram reprocessamentos registrados separadamente. A Skill afirmou à polícia que o aumento de tráfego era uma operação autorizada, não desvio de clientes.

A defesa da Skill disse que a Unico lançou um novo algoritmo e usou imagens já processadas para testá-lo, utilizando a rota do Banco do Brasil para evitar custos extras.

O perito confirmou essa versão, dizendo que os dados faciais pertencem aos titulares e seu uso depende de consentimento específico, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Executivos da Skill disseram à polícia que a acusação da Unico seria uma reação a uma disputa comercial. A Skill, parceira do Banco do Brasil, passou a atender também a ClearSale, empresa adquirida pela Serasa, concorrente da Unico.

A defesa da Skill afirmou que a movimentação de mercado levou a Unico a romper o contrato abruptamente, criando a narrativa de vazamento para pressionar o pagamento de multas e prejudicar a concorrência.

A investigação policial e a ação cível entre as empresas continuam em andamento.

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