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sexta-feira, 19/06/2026

MPDFT investiga fraude em descontos no salário de servidores no DF

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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) iniciou na sexta-feira, 19 de junho, a Operação Juro Zero para investigar um possível esquema de fraudes nos descontos dos salários dos servidores públicos do Distrito Federal. A investigação envolve agentes públicos e privados e menciona o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) em locais no Distrito Federal, Curitiba e São Paulo, onde fica a sede da empresa PicPay. Nenhuma prisão foi realizada. As ações têm como objetivo garantir provas, identificar os envolvidos e aprofundar a investigação.

Os possíveis crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas, lavagem de dinheiro, crimes contra a economia popular, contra as relações de consumo e organização criminosa.

A investigação foca em dois principais pontos. O primeiro ponto é o produto chamado “antecipação salarial, sem custo para o Distrito Federal”, oferecido pela Conta PicPay e pelo Cartão Benefício. O MPDFT indica que essa modalidade funcionou como um empréstimo com cobrança de juros, embora tenha sido apresentada como um serviço sem juros. Os descontos relacionados passaram de R$ 80 milhões. Em 2024, os valores descontados somaram R$ 11,7 milhões e até agosto de 2025 ultrapassaram R$ 70 milhões com juros.

Além disso, o MPDFT afirma que essa modalidade foi implantada sem estudos sobre os impactos financeiros para os servidores, sem limites definidos para cobranças e sem fiscalização adequada. Em alguns casos, as taxas cobradas chegaram a mais de 261% ao ano.

O segundo ponto investigado refere-se a descontos em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) e empresas relacionadas, como JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda. (CBBrazil), Peak Sociedade de Empréstimo entre Pessoas S.A. e Vemcard. Essas empresas ofereciam empréstimos a servidores públicos por meio de descontos em folha vinculados a códigos para benefícios associativos e de saúde. A investigação apura irregularidades na utilização desses códigos e cobranças sem autorização ou para fins diferentes dos declarados. Em menos de dois anos, a arrecadação da ASDF cresceu mais de 48.000%.

As consignações em folha foram feitas pelo sistema Consigserv, usado pelo BRB, BRB Serviços S.A. e Neoconsig Tecnologia S.A. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 81 milhões.

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