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sexta-feira, 19/06/2026

Conheça a economia do Haiti, rival do Brasil na Copa

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Em Brasília

CHRISTIAN POLICENO
FOLHAPRESS

O Brasil enfrenta o Haiti na segunda rodada da Copa do Mundo, mas o país caribenho enfrenta desafios muito maiores fora dos campos. O Haiti vive sua sétima recessão seguida, tem uma inflação de 21% ao ano e 5,7 milhões de pessoas passam fome, tornando-se o país mais pobre das Américas.

Segundo Cláudio dos Santos, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o Haiti tem sérios problemas econômicos causados por muitos fatores ruins que somam séculos.

Ele explica que a colonização, o isolamento econômico após a independência, a instabilidade política constante, instituições fracas, desastres naturais frequentes e pouco investimento em infraestrutura geraram esses problemas graves.

O Haiti conquistou a independência em 1804, depois de uma revolta dos escravizados contra a França, que controlava o país desde o século XVII. Após a independência, a França isolou economicamente o Haiti.

A França exigiu uma indenização de 150 milhões de francos, o que seria cerca de 21 bilhões de dólares hoje, quebrando o país financeiramente. Para pagar essa dívida, o Haiti teve que fazer empréstimos, criando um passivo que afeta o país até agora.

A instabilidade política também marcou muito o Haiti. De 1957 a 1986, o país viveu sob um regime autoritário da família Duvalier, com os presidentes François Duvalier, conhecido como Papa Doc, e seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc.

Cláudio dos Santos afirma que esses governos autoritários pioraram a economia e mantiveram a população sob violência extrema.

O Haiti também sofreu tragédias naturais pesadas. Em 2010, um terremoto matou pelo menos 222,5 mil pessoas e deixou mais de 1,3 milhão sem casa, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

Em 2021, o presidente Jovenel Moïse foi assassinado, aumentando a crise política.

Esses fatos são visíveis nos números. O Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que o PIB do Haiti em 2026 é de 39,18 bilhões de dólares, comparado a 2,6 trilhões do Brasil. O PIB per capita do Haiti é 3 mil dólares, enquanto o Brasil tem 12,3 mil dólares.

O Instituto Haitiano de Estatística e Informática (IHSI) diz que o país está em recessão pelo sétimo ano e teve inflação de 21% em abril deste ano.

O Banco Mundial informa que 19% da população vive com menos de 3 dólares por dia. A ONU destaca que 5,7 milhões têm fome contínua, número que subiu de 2,3 milhões em 2018.

Cláudio dos Santos comenta que a economia haitiana depende muito da agricultura, pequenos serviços e da indústria têxtil para exportação.

A agricultura, que representa 14,4% do PIB, está em queda constante, com redução na produção de milho e outros cultivos.

Os motivos incluem revoltas de trabalhadores rurais, eventos climáticos, pouco acesso a sementes e fertilizantes, falta de investimento e envelhecimento dos trabalhadores.

Hoje, gangues controlam grande parte do Haiti. Relatórios da ONU dizem que 26 grupos criminosos dominam entre 85% a 90% da capital, Porto Príncipe. Esses grupos cresceram a partir das milícias da ditadura Duvalier e se fortaleceram após o assassinato do presidente em 2021.

Cláudio dos Santos explica que essas gangues controlam áreas importantes, bloqueiam rotas de transporte, dificultam entrega de mercadorias e afastam investimentos. Isso aumenta os custos para as empresas, que muitas vezes reduzem ou fecham suas operações.

Além disso, as gangues cobram extorsões nas estradas, o que eleva os custos e os preços finais dos produtos. Agricultores e empresários são forçados a pagar valores altos para continuar suas atividades.

Essas ações também fazem famílias deixarem suas casas, causando desequilíbrio no mercado imobiliário, com queda na demanda em áreas de conflito e pressão nas zonas seguras.

Uma fonte importante de renda para muitas famílias são as remessas enviadas por haitianos que vivem no exterior, especialmente nos Estados Unidos, Canadá, República Dominicana, França e Brasil, onde há uma grande diáspora devido às crises político-econômicas.

O IHSI informa que essas remessas cresceram 19,6% em 2025, chegando a 4,91 bilhões de dólares.

Cláudio dos Santos destaca que o maior desafio do Haiti é restaurar a segurança e a autoridade do Estado.

Sem isso, é difícil atrair investimentos, criar empregos e aumentar a economia. A recuperação depende tanto de reformas internas quanto do apoio internacional.

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