MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS
A agência de classificação de risco Moody’s reduziu a avaliação de crédito da empresa de saneamento Aegea nesta terça-feira (5). A nota caiu de Ba3 para B2, indicando um aumento no risco de crédito da companhia.
Segundo a Moody’s, essa alteração reflete uma diminuição significativa na flexibilidade financeira do grupo, aumento da dívida e uma percepção de enfraquecimento na governança corporativa, o que gerou menor confiança na confiabilidade das informações financeiras e nos controles internos da empresa.
Esses fatores elevaram o risco de crédito da Aegea, especialmente considerando o intenso ciclo de investimentos que limita a geração de caixa a curto prazo.
A Moody’s informou que a nota permanece sob revisão para possível novo rebaixamento.
Essa decisão ocorreu após a divulgação, no início de abril, de uma correção contábil de R$ 5 bilhões nos dados de 2024, procedimento motivado por uma reavaliação de participações e investimentos em empresas associadas, como a Águas do Rio.
Além disso, o lucro líquido da companhia caiu em R$ 593 milhões e as contas a receber diminuíram em R$ 643 milhões.
O mercado financeiro tem demonstrado desconfiança diante desses acontecimentos. A holding Itaúsa, acionista da Aegea, revelou que as alterações contábeis provocaram uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões em seu patrimônio líquido.
Em comunicado, Alfredo Setubal, da Itaúsa, afirmou que foi solicitada uma análise detalhada do ocorrido, incluindo um plano de ação robusto para fortalecer a governança, o gerenciamento de riscos e os controles internos da Aegea.
Apesar do cenário desafiador, a empresa mantém seus planos de adquirir a Copasa, estatal mineira de saneamento que deve ser privatizada, e de realizar sua abertura de capital na Bolsa de Valores (IPO).
