Isabela Palhares
São Paulo, SP (FolhaPress)
Mais de 1 milhão de crianças e adolescentes brasileiros entre 6 e 14 anos não estão cursando a série correta em 2025. Esse número é maior do que em 2019, antes da pandemia, mostrando que o país ainda não recuperou o atraso na educação causado pela covid-19.
Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 19 de maio de 2026.
Para essa faixa de idade, espera-se que os alunos estejam matriculados ou já tenham terminado o ensino fundamental (do 1º ao 9º ano).
Segundo a pesquisa, 96,1% das crianças entre 6 e 14 anos estavam na série correta em 2025, uma melhora em comparação a 2023 e 2024, quando essa taxa foi de 94,6%. No entanto, ainda está abaixo dos 97,1% registrados em 2019.
No ano anterior à pandemia, cerca de 770 mil alunos apresentavam atraso escolar. Agora, são quase 250 mil crianças a mais com essa dificuldade.
William Kratochwill, pesquisador do IBGE, explica que muitas crianças não conseguiram acompanhar as aulas remotas, algumas famílias optaram por adiar o ingresso na escola e houve muitos casos de repetições de ano, o que contribuiu para o atraso.
Mesmo com esse recuo, o Brasil superou a meta da lei do PNE (Plano Nacional de Educação), que exige pelo menos 95% dos alunos do ensino fundamental na série apropriada até 2024.
A pesquisa também mostra pouca diferença entre gêneros: 95,9% dos meninos e 96,2% das meninas estão na série certa. Entre alunos brancos, a taxa é 96,2%, e entre pretos e pardos, 96%.
Na região Sul, o atraso é maior, com taxa de 95,7% em 2025, abaixo dos 97,3% pré-pandemia.
Nenhuma região do Brasil voltou a níveis anteriores à pandemia. Kratochwill destaca que crianças nessa faixa etária tiveram dificuldades com o ensino remoto, o que gerou um déficit que ainda levará tempo para ser superado.
Ensino Médio
Diferente dos mais jovens, jovens entre 15 e 17 anos tiveram um aumento na taxa de alunos na série adequada. Em 2025, 80,6% estavam cursando ou já haviam concluído o ensino médio, contra 71,4% em 2019.
Apesar do avanço, essa taxa fica 4,4 pontos percentuais abaixo da meta do PNE, que prevê 85% até o final de 2024.
O estudo mostra que a desigualdade racial ainda afeta a permanência na escola: 84,9% dos jovens brancos estão na série correta, contra 77,8% dos pretos e pardos.
O relatório conclui que, em 2025, a educação básica apresenta avanços moderados, mas persistem desigualdades entre etapas e grupos etários.
