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domingo, 19/04/2026

Jovem preso e torturado na ditadura lembra morte do pai

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Em Brasília

Por Letícia Corrêa

Há 55 anos, o jornalista Ivan Seixas passou por uma experiência terrível quando, aos 16 anos, foi preso e torturado junto com seu pai, Joaquim, durante a ditadura militar no Brasil.

Naquele 16 de abril de 1971, pai e filho foram algemados juntos, lutaram contra os agentes, mas foram dominados após sofrerem espancamentos violentos. A algema que os prendia chegou a se romper.

Ambos foram levados para a sala de tortura. Ivan foi amarrado ao pau de arara, enquanto Joaquim foi colocado em uma cadeira com choques elétricos, conhecida como ‘cadeira do dragão’. O jovem ouviu que seu pai seria assassinado antes de ver com seus próprios olhos.

No meio da madrugada, Ivan foi levado a um parque para uma simulação de fuzilamento, onde ficou paralisado e recebeu coronhadas e tiros perto da cabeça.

Notícia da morte

Durante uma pausa para café dos agentes, ele leu em uma banca de jornal a notícia da morte de seu pai na Folha da Tarde, anunciado como resultado de um confronto. Voltando ao DOI-Codi, descobriu que o pai ainda estava vivo, mas continuou a ouvir os gritos e agressões pela divisória da sala onde estavam presos.

Família

A mãe, Fanny, e as irmãs, Ieda e Iara, também foram presas e sofreram ameaças, agressões psicológicas e físicas. Uma das irmãs ainda foi vítima de violência sexual.

Luto e resistência

Ivan relata que não pôde sentir o luto pelo pai, pois temia pela própria vida constantemente. Durante as torturas, seu objetivo era não delatar os companheiros, resistindo com insultos e até entregando informações falsas para proteger outros.

Prisioneiro por quase seis anos, passou por várias cadeias e enfrentou greves de fome e espancamentos que lhe causaram graves lesões.

Vida após a prisão

Após ser libertado aos 22 anos, ainda sofreu ameaças e perseguições, mas continuou sua luta pelos direitos humanos. Fez o ensino médio, cursou tecnologia e jornalismo, e dedicou-se a causas importantes para a memória e justiça do país.

Ativismo

Ivan foi fundamental para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito em 1990, presidiu o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, e ajudou a proteger o prédio do DOI-Codi.

Ele alerta que, mesmo décadas depois, a sociedade brasileira ainda enfrenta desafios relacionados à ditadura, como o ressurgimento de discursos autoritários e a falta de justiça sobre o passado.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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