ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O setor de fertilizantes enfrenta uma crise grave e pediu ajuda ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) para encontrar fornecedores emergenciais ao redor do mundo. A solicitação partiu da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).
A prioridade é localizar fornecedores que produzam fertilizantes fosfatados, ou ao menos seus componentes básicos, como enxofre e ácido sulfúrico. É urgente encontrar uma solução até agosto, quando começa o plantio da safra 2026/2027.
O enxofre e o ácido sulfúrico são essenciais para produzir fertilizantes e manter a produtividade de culturas importantes como soja, milho, algodão, café e cana. Sem esses insumos, a produção agrícola cai muito.
O Itamaraty enviou um pedido às representações brasileiras no exterior para buscar apoio diplomático e convencer governos a permitirem exportações emergenciais de fertilizantes. Foi pedido que informações fossem enviadas até 19 de junho.
O Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes, consumindo 9,75 milhões de toneladas de fosfato em 2026, das quais 6,45 milhões devem vir do exterior. A maior preocupação é com o enxofre. O país precisa adquirir 250 mil toneladas adicionais por mês para não prejudicar a produção.
O enxofre é usado para fabricar ácido sulfúrico, insumo fundamental na produção de fertilizantes fosfatados. Em 2025, o Brasil importou 2,3 milhões de toneladas de enxofre e depende quase totalmente dessas compras externas.
A escassez já provocou redução na produção nacional, com paralisação de operações em unidades industriais de fosfato. Países como Estados Unidos, Canadá, Cazaquistão e Turcomenistão são potenciais fornecedores. Outros incluem Alemanha, Colômbia, Espanha, França, Japão, Polônia, Turquia e Venezuela.
Os preços do enxofre subiram 823% de janeiro de 2024 a abril de 2026, e o ácido sulfúrico teve aumento de 305% no mesmo período. A segunda prioridade é o ácido sulfúrico, com necessidade emergencial de 60 mil toneladas mensais. Fornecedores possíveis são Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, Chile e Peru.
A terceira prioridade são os fertilizantes fosfatados prontos, com demanda adicional de 1,54 milhão de toneladas. Países potenciais para fornecer são Alemanha, Egito, Espanha, Índia, Israel, Omã, Países Baixos e Tunísia.
Os Estados Unidos classificaram esses fertilizantes como essenciais para segurança alimentar e estratégia industrial, incluindo fosfato e potássio na lista de minerais críticos.
Entre as causas da dificuldade de acesso aos fertilizantes está o fechamento do Estreito de Hormuz e restrições chinesas à exportação de ureia. Cerca de 15% das importações brasileiras vêm do Oriente Médio, região afetada pela guerra, incluindo Irã, Qatar, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, que respondem por 36% da ureia importada em 2025.
O Itamaraty afirmou que tem tratado o tema com prioridade na agenda diplomática do ministro Mauro Vieira, incluindo contatos com autoridades do Uzbequistão, Cazaquistão e China.
O ministério também trabalha em conjunto com entidades do setor privado, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para identificar oportunidades no mercado global.
A Anda não comentou o assunto, e até a publicação, o Ministério da Agricultura e o Sinprifert não haviam se pronunciado.
