O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), é o único hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) na região que oferece atendimento especializado para pessoas com transtornos alimentares. Essa assistência envolve um time de psiquiatra, psicólogo e nutricionista, que trabalham juntos para diagnosticar e tratar esses pacientes.
No dia 2 de junho, Dia Mundial de Conscientização sobre Transtornos Alimentares, especialistas destacam a importância de identificar cedo os sintomas e garantir o acesso a tratamentos apropriados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo enfrentam algum transtorno alimentar. No Brasil, estima-se que cerca de 11 milhões tenham algum distúrbio relacionado à alimentação.
Os transtornos alimentares mais comuns incluem anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar periódica. Segundo o médico psiquiatra do HBDF, Geison Machado, esses distúrbios podem se manifestar de várias formas e nem sempre envolvem magreza extrema. O tratamento inicia-se com o acolhimento e o entendimento da história individual de cada paciente.
“Não existe uma fórmula simples ou rápida para a cura. O progresso depende muito do manejo correto, do reconhecimento do problema e da criação de métodos de tratamento personalizados”, explica Machado. Ele ressalta que o atendimento multidisciplinar proporciona um cuidado mais amplo, melhora o manejo clínico e favorece resultados mais eficazes para as necessidades dos pacientes.
A paciente Maria Eduarda*, que está em acompanhamento no HBDF, compartilha que sua preocupação com a aparência começou durante a adolescência e foi aumentando com o tempo. O desejo de emagrecer evoluiu para uma relação complicada com a alimentação e a autoimagem, afetando sua saúde a ponto de precisar ser internada. “Eu estava muito mal, sentia dores e meu corpo não respondia mais; cheguei até a perder os movimentos das pernas”, conta.
Ela acrescenta que temeu não ser levada a sério, mas destaca o apoio recebido desde a primeira consulta: “Não me senti julgada em momento algum, isso foi muito importante para mim. Agora, sinto que posso continuar o tratamento até o fim”, afirma.
Machado observa que a constante exposição a padrões de beleza nas redes sociais, junto à pressão por corpos específicos e resultados rápidos, pode favorecer o surgimento desses transtornos, especialmente entre jovens. Segundo ele, ações de conscientização ajudam a diminuir o preconceito e a reconhecer os sintomas, incentivando a busca por ajuda profissional.
O atendimento ambulatorial para transtornos alimentares no Hospital de Base está aberto a toda a população do Distrito Federal. Para usar o serviço, é necessário apresentar um encaminhamento médico, seja da rede pública ou particular, para marcar a consulta inicial de avaliação.

