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quinta-feira, 04/06/2026

Governo Lula atrasa filas do INSS em 2025 e tenta acelerar benefícios no ano eleitoral

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu cumprir as metas para reduzir o tempo de espera nas filas por aposentadorias, pensões do INSS e no Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Agora, o governo está focado em diminuir essas filas em 2026, especialmente por ser ano de eleições presidenciais.

Esses dados fazem parte da prestação de contas encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU), que usará os números de 2025 para avaliar a gestão do presidente Lula. Segundo o governo, as filas começaram a diminuir em 2026, mas o atraso no ano anterior foi significativo.

O atraso foi explicado pelo governo por causa de mudanças em regras, aumento na demanda e investigações de fraudes no INSS. O próprio INSS afirmou que 2025 foi um ano de transição para melhorar as regras e aumentar a segurança na concessão dos benefícios, e que o tempo de espera já diminuiu em 2026.

O Plano Plurianual (PPA) tinha a meta de reduzir o tempo médio de concessão do BPC de 119 para 101 dias em 2025, mas a média chegou a 254 dias em dezembro, mais do que o dobro da meta. Para os benefícios do INSS, a meta era diminuir de 90 para 44 dias, mas a média ficou em 62 dias, 41% acima do objetivo.

Em dezembro de 2025, havia cerca de 3 milhões de pedidos pendentes para análise no INSS, mostrando a grave situação da espera. Já em 2026, o tempo para concessão do BPC caiu para 134 dias em março, ainda acima do objetivo de 95 dias, e o tempo para benefícios gerais diminuiu para 48 dias em abril, perto da meta de 43 dias.

Em reação à situação, o presidente Lula substituiu, em abril, o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, pelo servidor de carreira Ana Cristina Viana Silveira. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, ressaltou que a meta para 2026 é que todos os pedidos sejam analisados em até 45 dias.

Motivos para o atraso nas filas do INSS

Na prestação de contas, o governo explicou que a demora ocorreu por diversos fatores, como a suspensão temporária das análises em junho de 2025 para atualizar o sistema que considera a renda do Bolsa Família no cálculo do benefício, com essa atualização só ocorrendo em dezembro do mesmo ano.

Além disso, o aumento na demanda, o acúmulo de processos que precisam de perícia médica e a redução de pessoal nas centrais de análise aumentaram a demora. A Operação Sem Desconto, que investigou fraudes no INSS, também exigiu esforços administrativos para cancelar descontos indevidos e ressarcir beneficiários lesados.

O atraso na aprovação da Medida Provisória nº 1.296, de abril de 2025, que criaria o Programa de Gerenciamento de Benefícios para agilizar análises, também contribuiu. Restrições orçamentárias, mudanças legislativas e instabilidade no sistema informatizado do INSS agravaram ainda mais a situação.

INSS destaca que 2025 foi ano de ajustes e já melhorou o atendimento

O INSS explicou que a demora em 2025 refletiu um período necessário para implementar melhorias nas regras e garantir mais segurança jurídica. A suspensão temporária dos novos pedidos visou garantir a correta aplicação das novas regras relacionadas ao Bolsa Família no benefício e no Cadastro Único.

Essas mudanças exigiram ajustes complexos nos sistemas de processamento dos pedidos, com integração de dados governamentais e criação de novos procedimentos para casos especiais. Desde então, o INSS começou a processar os pedidos represados conforme as novas regras.

Como resultado, o tempo médio para concessão do BPC a idosos caiu para 82 dias em abril de 2026, abaixo da meta de 101 dias. Para pessoas com deficiência, o tempo caiu para 134 dias, ainda acima da meta, mas em forte queda.

Despesas da Previdência ultrapassam R$ 1 trilhão e geram pressão nas contas públicas

O custo dos benefícios previdenciários é o maior gasto obrigatório do governo, ultrapassando R$ 1 trilhão ao ano, afetando diretamente as finanças públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo precisa otimizar os gastos sociais para liberar recursos para investimentos.

Em 2026, o governo aumentou a previsão de gastos com o BPC em R$ 14,1 bilhões e com aposentadorias e pensões em R$ 11,5 bilhões, o que levou a bloqueios adicionais em outras despesas governamentais.

Além do impacto financeiro, a situação preocupa o governo em ano eleitoral, que busca acelerar a análise e concessão dos benefícios. Uma medida recente foi a renovação do bônus pago a peritos que avaliam os pedidos.

O déficit do Regime Geral de Previdência Social atingiu R$ 320,97 bilhões em 2025, devido ao aumento real de 4,1% nos pagamentos em relação a 2024, ou cerca de R$ 41,4 bilhões a mais. Esse aumento é atribuído à valorização do salário mínimo, crescimento no número de beneficiários e maiores gastos com sentenças judiciais.

O governo alerta que, nas condições atuais, as receitas previdenciárias não serão suficientes para cobrir as despesas pelos próximos 75 anos, com o déficit aumentando progressivamente até atingir R$ 1 trilhão em 2041 e R$ 30 trilhões em 2100.

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