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sexta-feira, 31/07/2026

Greve dos funcionários da TV e Rádio Justiça paralisa jornalismo

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Os trabalhadores da TV e Rádio Justiça começaram, nesta segunda-feira, 15, uma greve para cobrar salários e benefícios atrasados da Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), empresa terceirizada que administra as emissoras públicas ligadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Os funcionários reivindicam o pagamento de salários atrasados, vale alimentação, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que estão em atraso há dez meses, além de verbas rescisórias pendentes.

A greve foi organizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. Embora o número exato de grevistas não tenha sido divulgado, o sindicato descreveu a adesão como “histórica” e abrangente.

O jornal Estadão questionou o STF sobre o impacto da paralisação nas transmissões das sessões de julgamento. O tribunal afirmou que está preparado para manter as transmissões, contando com que os funcionários da Fundac que ocupam cargos de chefia, e que não aderiram à greve, garantam a continuidade das votações.

A greve tem maior impacto no conteúdo jornalístico produzido pela TV e Rádio Justiça, que não exibiram programação ao vivo desde o início desta manhã. A programação tem sido preenchida com reportagens antigas e transmissões anteriores, como a cerimônia de lançamento do Anuário da Justiça realizada na última quarta-feira, 10.

Por exemplo, o telejornal Justiça Agora, que é exibido diariamente às 8h na TV Justiça, não foi transmitido nesta segunda-feira, e o mesmo deve ocorrer com o noticiário do meio-dia. O sindicato afirmou que nenhuma transmissão ao vivo deve acontecer enquanto a greve estiver em vigor, sem comprometer as sessões de julgamento.

Em julho de 2025, os funcionários das emissoras já haviam ameaçado greve durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e membros do seu governo por envolvimento em uma trama golpista. Naquela ocasião, o STF ameaçou rescindir o contrato com a terceirizada, mas não seguiu adiante com a medida.

A Fundac conta com cerca de 160 trabalhadores. Na quinta-feira passada, 11, cerca de 100 profissionais reuniram-se com o secretário de Orçamento, Finanças e Contratações do STF, Márcio Kazuaki, para discutir medidas do tribunal visando garantir o pagamento das dívidas da empresa terceirizada.

O sindicato informou que o STF se comprometeu a pagar diretamente os salários e as verbas rescisórias dos funcionários contratados por posto de trabalho, utilizando um fundo contratual destinado a cobrir obrigações da empresa em caso de inadimplência.

Essa mesma medida não vale para funcionários contratados por demanda, e o STF realizará um levantamento das notas fiscais pendentes e dos valores devidos a cada trabalhador.

Na sexta-feira, 12, a Fundac afirmou que os pagamentos seriam feitos diretamente à empresa, contrariando a promessa do STF.

“Os trabalhadores querem garantia de que o Supremo reservará os valores devidos para pagamento direto das verbas rescisórias ao encerrar o contrato com a Fundac, previsto para 31 de julho, pois o STF falhou na fiscalização do contrato”, disse o sindicato em nota.

Os funcionários da Fundac já fizeram uma paralisação em 2024, após 20 dias de atraso no pagamento de salários e vale-alimentação. A mobilização durou seis horas, acarretando a não exibição do Jornal da Justiça – 2ª Edição. A greve levou o STF a multar a empresa e promover reuniões com os trabalhadores.

Estadão Conteúdo

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