O dólar fechou o dia em alta, cotado a R$ 5,0704, impulsionado pela tensão no Oriente Médio, com investidores agindo com cautela antes do final de semana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que usará “toda a força” contra o Irã, enquanto Israel rejeitou o plano do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.
O fortalecimento do dólar no exterior e a alta dos títulos do Tesouro americano, após declarações de membros do Federal Reserve — Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari — também influenciaram o câmbio. Eles justificaram o voto dissidente a favor de aumentar a taxa básica de juros americana em 0,25 ponto percentual.
Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, comenta que o câmbio refletiu um ajuste técnico, com o dólar puxado pelo mercado externo, especialmente após o real ter apresentando desempenho positivo nos dias anteriores. Ele destaca que, apesar das tensões, o mercado só reage com força quando eventos de fato acontecem.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, observa que a disputa entre compradores e vendedores do dólar influenciou o preço da Ptax, que terminou o mês em queda de 1,92%, com o real apreciando 1,79% frente à moeda americana no segmento à vista, apoiado pela valorização do petróleo e pelo carry trade atrativo.
Segundo Garcia, o petróleo contribuiu positivamente para a balança comercial e a conta corrente, além de um fluxo forte de investimento estrangeiro direto, o que ajuda o real.
Mercado de ações
O Ibovespa terminou o mês em alta, 177.999 pontos, beneficiado pelos avanços das ações de commodities e do setor financeiro, além do desempenho positivo das bolsas americanas. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,53%, o S&P 500, 0,70% e o Nasdaq, 1%.
Apesar de um atraso operacional de mais de duas horas na B3, o índice superou a volatilidade inicial e acumulou ganho de 3,47% em julho e 10,47% em 2026.
Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, destaca que o menor volume financeiro afetou as receitas da bolsa, mas que os balanços recentes têm sido em geral positivos, ressaltando a influência maior da atividade econômica em detrimento dos juros na avaliação do mercado.
As ações da Petrobras se valorizaram devido ao avanço do preço do petróleo e aos dados otimistas do relatório trimestral. Já a Vale teve um dia de recuperação, suportada pela forte geração de caixa e pela recompra de ações anunciada, o que valoriza os acionistas.
No setor financeiro, as units do Santander dispararam 13,35% após anúncio de oferta pública para aquisição de ações brasileiras, com prêmio de 15% sobre o preço de referência.
Mercado de juros
A curva de juros futuros teve movimentos atípicos e baixa liquidez, influenciados por problemas técnicos na B3. Mesmo com alta significativa nos títulos do Tesouro americano, os juros futuros brasileiros fecharam em queda, especialmente nos vencimentos médios e longos.
Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, projeta mais dois cortes na Selic, porém alerta que o momento não é ideal para flexibilizar a política monetária devido a pressões fiscais e inflação ainda resistente.
O Banco Central divulgou um déficit maior do que o esperado no setor público em junho, agravando incertezas fiscais e pressionando a curva de juros.
Thomas Simons, economista do Jefferies Group, observa que os juros dos títulos americanos de longo prazo estão no nível mais alto em quase duas décadas, devido à divergência interna no Federal Reserve sobre a política de juros.

