Nossa rede

Brasil

Falta de vacinas: os riscos da interrupção da campanha de vacinação no Brasil

Publicado

dia

Brasil teria capacidade de vacinar 2 milhões de pessoas por dia. Mas até o momento o ritmo é de 175 mil aplicações de doses a cada 24 horas

Nos últimos dias, municípios de diversas regiões do país anunciaram que vão paralisar a imunização contra a covid-19. O motivo é a falta de doses para seguir protegendo os grupos prioritários da primeira fase da campanha, que inclui profissionais da saúde e idosos.

De acordo com as últimas informações, Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Suzano (SP), Cuiabá (MT), Curitiba (PR) e diversos outros locais já estão com o estoque encerrado ou possuem uma quantia reduzida que cobre apenas os próximos dias.

A situação já era esperada, visto que o país possui até o momento 9,8 milhões de doses da CoronaVac (Sinovac/Instituto Butantan) e 2 milhões de doses da CoviShield (AstraZeneca/Universidade de Oxford/Fundação Oswaldo Cruz).

Esse montante permite vacinar cerca de 6 milhões de pessoas, uma vez que os produtos requerem duas doses para conferir proteção.

De acordo com as informações compiladas pelo site Our World Data, até o momento 5,6 milhões de vacinas foram aplicadas no Brasil, o que corresponde a 2,6% da população.

O dado bate com o número de imunizantes disponíveis por aqui: esses quase 6 milhões de indivíduos começaram a tomar a segunda dose nos últimos dias e isso já será suficiente para esgotar o estoque disponível até agora.

Interrupção aguardada e desastrosa

“Essa situação era totalmente esperada, uma vez que o quantitativo distribuído inicialmente era insuficiente para atender toda a população que integra a fase 1 da campanha. Temos 7 milhões de profissionais da saúde, então só pra eles necessitaríamos de 14 milhões de doses”, calcula o epidemiologista José Cassio de Moraes, professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O médico lembra que o país tem uma experiência de décadas em campanhas de vacinação que resultaram na eliminação da poliomielite e no controle de diversas outras doenças infecciosas.

“Mas parece que toda essa expertise foi desprezada por uma visão deturpada e uma aposta em medicamentos que não tem base científica alguma. Dá a sensação que nosso governo continua com uma mentalidade de 1918, a época da gripe espanhola”, completa.

A epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, nos Estados Unidos, concorda. “A interrupção é desastrosa e demonstra uma clara falta de liderança e de planejamento por parte de nossas autoridades de saúde. Isso tem impactos não só no controle da pandemia, mas coloca em xeque a própria credibilidade da campanha, uma vez que a falta gera frustração e insegurança na população”.

Como visto, essa “pausa forçada” nas campanhas vem gerando ruídos e protestos de vários setores da sociedade. Mas quais são os riscos de interromper uma campanha de vacinação justo agora?

Pandemia prolongada

O principal problema da paralisação é bastante óbvio: quanto mais tempo demorarmos para vacinar, maior o risco de o coronavírus continuar a circular, infectar e matar as pessoas.

Por mais que os imunizantes tragam um benefício individual a quem os toma, sua grande vantagem está na proteção coletiva.

A aplicação de milhões de doses permite interromper as cadeias de transmissão do vírus ou evitar que a doença evolua para quadros mais graves, que necessitam de internação e intubação.

“O atraso vai retardar a proteção de grupos prioritários. Isso vai levar a um aumento da necessidade de assistência hospitalar e de UTIs, o que, por sua vez, gera um gasto enorme ao sistema de saúde”, pontua Moraes.

O melhor exemplo prático desse “ganho coletivo” acontece atualmente em Israel, que já imunizou 6,7 milhões de pessoas (ou 74% de sua população).

 

Primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, recebe a vacina contra a covid-19

Getty Images Primeiro-ministro de Israel, Benjamín Netanyahu, recebe a vacina contra a covid-19 – governo firmou acordo com a Pfizer que garante grande quantidade de vacinas.

Com praticamente dois meses de campanha, o país já percebeu uma queda de 38% nos pacientes em estado grave e de 40% nas mortes por covid-19 entre aqueles com mais de 60 anos.

Os números de novos casos por lá são os menores das últimas cinco semanas, após um pico registrado no início de janeiro de 2021.

“E não é só em países desenvolvidos que vemos isso acontecer. Muitos locais da América Latina, como Argentina e Chile, estão mais adiantados no processo de vacinação em relação a nós”, complementa Moraes.

Passos de tartaruga

Com mais de 40 mil postos de vacinação, o Brasil teria capacidade de vacinar tranquilamente até 2 milhões de pessoas por dia, ou 14 milhões por semana.

A realidade, porém, está bem longe disso: com 32 dias corridos desde a aprovação de CoronaVac e CoviShield, o Brasil tem uma média de 175 mil indivíduos imunizados a cada 24 horas.

Se continuarmos nesse ritmo, levaremos mais de 3 anos para resguardar todos os habitantes do país — e isso sem considerar as interrupções noticiadas recentemente, que podem ampliar bastante esse prazo.

“Da maneira que a vacinação está sendo feita no Brasil, não teremos impacto na transmissão viral e será impossível alcançar a imunidade coletiva”, antevê Garrett.

O quadro pode se agravar ainda mais com as novas variantes originárias de Manaus e do Reino Unido, que já estão em circulação em vários pontos do país.

Ainda não se sabe ao certo se as vacinas usadas atualmente por aqui garantem uma boa proteção contra as novas cepas — e quanto mais gente protegida logo, menor o risco de essas novas versões do coronavírus ganharem mais espaço e causarem estragos.

“O ideal seria vacinar o mais rápido possível pra gente tentar conter a disseminação dessas variantes”, sugere a epidemiologista.

“Diante de tudo isso, a campanha tinha que ser acelerada, não interrompida por falta de doses”, critica.

O que poderia ser feito?

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil indicam que o Brasil poderia ter se planejado melhor e garantido mais doses ao longo do segundo semestre de 2020.

“Só em dezembro que o governo começou a pensar na vacina. Ainda hoje vemos discussão sobre cloroquina, que já se mostrou ineficaz. Precisávamos definir melhor nossas prioridades”, pensa Moraes.

O caso mais marcante desta demora é o imbróglio que envolveu Pfizer e Ministério da Saúde.

Em agosto e setembro do ano passado, a farmacêutica tentou contato diversas vezes com o Governo Federal para negociar uma venda de 70 milhões de doses de seu produto, que naquele momento passava pela fase final de testes.

Executivos da empresa disseram que não receberam resposta alguma e acabaram negociando os lotes com outros países que se mostraram interessados.

Em dezembro e janeiro, representantes do Ministério da Saúde reclamaram das condições de negócio oferecidas pela Pfizer.

O ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, chegou a afirmar que as quantidades de doses oferecidas ao Brasil eram “pífias”.

“Eles conseguem entregar 500 mil em janeiro, 500 mil em fevereiro e 1 milhão em março. Então ficou difícil para as vacinas importadas. Senhores, esta é a verdade. As vacinas que não são produzidas no Brasil têm quantidades pífias para o nosso país”, declarou o ministro.

A explicação de Pazuello, porém, parece não fazer sentido para quem tem experiência nas campanhas de vacinação.

“O curioso é que vários outros países estão adquirindo a vacina da Pfizer. Por que será que só o Brasil não consegue comprar? Será que a dificuldade é do laboratório ou do nosso governo?”, questiona a epidemiologista Carla Domingues, que foi coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019.

Atualmente, o imunizante da Pfizer é aplicado em larga escala em países da União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Israel, Reino Unido, Cingapura e Chile.

Além dele, outro que poderia ter recebido uma atenção especial é o candidato desenvolvido pela Johnson & Johnson, que inclusive fez parte dos testes de fase 3 (o último antes da aprovação) no Brasil.

“Esse imunizante apresenta as vantagens ao necessitar de uma única dose e ter facilidade no armazenamento. Mesmo assim, não avançamos nas negociações de compra”, diz Domingues.

O que fazer agora?

A interrupção da campanha em algumas cidades não significa que o Brasil ficará sem novas entregas no médio prazo.

O Instituto Butantan, em São Paulo, está produzindo 17,3 milhões de vacinas CoronaVac e deve liberar novos lotes a partir do dia 23 de fevereiro.

Já a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), no Rio de Janeiro, estima entregar 1 milhão de doses da CoviShield no dia 19 de março.

O problema é que o país depende do IFA (insumo farmacêutico ativo) vindo da China ou da Índia para finalizar a fabricação das vacinas em território nacional.

E, diante de uma demanda mundial gigantesca, a chegada desses materiais tem sofrido atrasos e os prazos futuros estão cheios de incertezas.

“Como não temos capacidade de produção interna, ficamos reféns do mercado internacional. Se não tivermos um volume de insumos e vacinas, corremos o risco de ter outras faltas de doses em breve”, pontua Domingues.

Para diminuir o impacto dessa demora, os especialistas apontam a necessidade de variar o portfólio de fornecedores com urgência.

Na última segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que até tem um “cheque de 20 bilhões de reais para comprar a vacina”, mas lamentou uma falta global desses produtos.

Essa, porém, não é a realidade: a farmacêutica Moderna acaba de vender 150 milhões de doses que serão enviadas entre julho e setembro para a União Europeia.

Garrett entende que não há doses para pronta entrega, mas é necessário negociar com rapidez para garantir alguns lotes ainda para 2021.

“Se não comprarmos agora, ficaremos só para o ano que vem”, completa.

Repercussões institucionais

A falta de doses de vacinas contra a covid-19 em alguns locais levou a reações contundentes de entidades que representam as cidades brasileiras ou os prefeitos.

A Confederação Nacional de Municípios (CMM) chegou a pedir a troca do ministro da saúde.

“Foram várias as tentativas de diálogo com a atual gestão do Ministério, entre pedidos de agenda e de informação. A pasta tem reiteradamente ignorado os prefeitos do Brasil, com uma total inexistência de diálogo. Seu comando não acreditou na vacinação como saída para a crise e não realizou o planejamento necessário para a aquisição de vacinas. Todas as iniciativas adotadas até aqui foram realizadas apenas como reação à pressão política e social, sem qualquer cronograma de distribuição para Estados e Municípios. Com uma postura passiva, a atual gestão não atende à expectativa da Federação brasileira, a qual deveria ter liderado, frustrando assim a população do País”, afirmou Glademir Aroldi, presidente da entidade, por meio de nota.

Presidente Jair Bolsonaro, ministro da Saúde Eduardo Pazuello e Zé Gotinha em evento oficial do lançamento do plano de vacinação contra a covid-19 em dezembro de 2020

Isac Nóbrega/PR Bolsonaro (ao centro) recebe do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à esquerda), e do personagem Zé Gotinha (à direita) o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 em evento no dia 16 de dezembro de 2020

Já a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) vinculou a interrupção da campanha aos “sucessivos equívocos do governo federal na coordenação do enfrentamento à covid-19”.

“Por isso, a FNP reitera que não é momento para discutir e avançar com a pauta de costumes ou regramento sobre aquisição de armas e munições. Isso é um desrespeito com a história dos mais de 239 mil mortos e uma grave desconsideração com a população. Prefeitas e prefeitos reafirmam que a prioridade do país precisa ser, de forma inequívoca, a vacinação em massa”, apontou a entidade, por meio de nota.

A posição do governo

Procurado pela reportagem da BBC News Brasil, o Ministério da Saúde enviou um texto informando que “está trabalhando na conclusão do cronograma de entregas das próximas doses da vacina contra a covid-19 com o intuito de dar celeridade à imunização do país”.

De acordo com o ministério, o Brasil já tem garantidas 354 milhões de doses para 2021 por meio dos acordos com FioCruz (212,4 milhões de doses), Instituto Butantan (100 milhões) e Covax Facility (42,5 milhões).

Há também a expectativa que o governo anuncie mais compras nos próximos dias. “A pasta deverá assinar contratos com a União Química, que entregará 10 milhões de doses da vacina Sputnik V, entre março e maio, e com a Precisa Medicamentos, que poderá trazer no mesmo período ao país mais 30 milhões de doses da Covaxin”.

Vale mencionar, no entanto, que os imunizantes Sputnik V e Covaxin ainda não foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem mesmo em caráter emergencial.

Além disso, as empresas que pretendem fabricar esses produtos (União Química e Precisa Medicamentos) também não receberam até o momento o aval do órgão regulador brasileiro para iniciar esse tipo de produção.

Clique para comentar

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

Brasil

Fiscalização de medidas restritivas no Rio terá mil agentes

Publicado

dia

Por

A multa individual para pessoas físicas, como nos casos de falta de máscara de proteção e aglomerações, passou de R$ 112,48 para R$ 562,42. Já para os estabelecimentos pode chegar a R$ 50 mil

(crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

As ações de fiscalização para verificar o cumprimento das novas medidas restritivas no Rio de Janeiro, causadas pela pandemia, serão feitas durante 24 horas por mil agentes da Guarda Municipal e integrantes da Subsecretaria de Operações, da Vigilância Sanitária e das coordenadorias de Controle Urbano e de Licenciamento e Fiscalização, além do apoio das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. 

O secretário de Ordem Pública do Rio, Brenno Carnevale, informou que as ações começam hoje (5) às 17h. Só vão terminar no fim da próxima quinta-feira (11). Ele considerou suficiente o número de agentes na fiscalização para atender toda a cidade, porque as ações serão móveis e realizadas conforme as irregularidades forem identificadas pelo monitoramento.

“Estamos com esse compromisso desde o início do ano. Fizemos ações de conscientização e orientação em janeiro. Posteriormente, tivemos o período que abrangeria o carnaval e agora estamos diante de uma situação normativa nova. Teremos a atuação mais uma vez de efetivo da Guarda Municipal e da Secretaria de Ordem Pública em fiscalização diuturna de eventos, aglomerações e outras atividades que possam colocar em risco o cumprimento das medidas de proteção à vida. Haverá monitoramento das câmeras do Centro de Operações Rio, 24 horas por dia”, disse, durante entrevista coletiva para apresentação do esquema das ações de combate às aglomerações.

Caráter preventivo

Especificou que as ações têm caráter preventivo, baseadas em avaliações técnicas e científicas e orientadas pelos alertas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a situação de contaminação do país, no sentido de que o Rio de Janeiro não vai esperar por um cenário crítico. “Teremos os comboios e a Guarda Municipal capilarizada com todo o efetivo de patrulhamento e rondas para a identificação de possíveis irregularidades, assim como os canais de denúncia da prefeitura (1746), como aconteceu no carnaval”, disse.

Carnevale reforçou que, após as 17h de hoje, fica proibida a permanência de pessoas nas vias e praças públicas das 23h às 5h, mas é permitido o deslocamento nas ruas. As praias também estão incluídas neste horário, mas no resto do dia a frequência está permitida.

A presença de pessoas na praia não está proibida e as atividades esportivas também. Estão proibidas as atividades comerciais de ambulantes itinerantes e de pontos fixos e funcionamento de quiosques. As atividades esportivas estão liberadas, inclusive, porque cientificamente é uma atividade importante para a saúde da população”, explicou, acrescentando, no entanto, que também terão que obedecer ao horário de impedimento entre 23h e 5h.

Também não serão permitidos eventos e festas que serão alvo de investigação e fiscalização, tanto em áreas públicas como particulares. Ficam suspensas as  rodas de samba e o funcionamento de boates e casas de espetáculos, além de feiras de arte e de ambulantes. As feiras livres para a venda de produtos hortifrutigranjeiros estão permitidas  porque têm relação com a cadeia de abastecimento.

Comércio

O funcionamento de bares, lanchonetes e restaurantes, incluindo os situados em áreas comerciais ou shoppings, está restrito ao período de 6h às 17h para o atendimento presencial e entrega com a lotação máxima de 40% da capacidade do estabelecimento. Após este horário, só com o atendimento de entrega em domicílio. As atividades econômicas e comerciais, como shoppings e lojas de rua, passam a funcionar das 6h às 20h, também com lotação máxima de 40% da capacidade.

Segundo o secretário, as ações para o Rio foram planejadas levando em consideração as experiências obtidas nas operações durante o carnaval.

Sanções

A multa individual para pessoas físicas, como nos casos de falta de máscara de proteção e aglomerações, passou de R$ 112,48 para R$ 562,42. Já para os estabelecimentos pode chegar a R$ 50 mil.

“Na prática, existem tipos diferentes de multas de acordo com a irregularidade. Temos multas com relação à vigilância sanitária e multas com relação ao licenciamento de atividades econômicas, como alvará, por exemplo. Os fiscais de atividades econômicas poderão aplicar valores relativos a infrações sanitárias que são maiores”, disse secretário de Ordem Pública.

As sanções para o descumprimento das medidas incluem ainda a apreensão de mercadorias, produtos, bens, equipamentos e instrumentos musicais, entre outros, e também a interdição do estabelecimento e cassação de alvará de funcionamento.

Comunidades

Desde o carnaval, apesar de proibidas, várias festas foram realizadas em comunidades da cidade. Algumas terminaram com a prisão de participantes e até troca de tiros. O secretário garantiu que as ações serão feitas também nesses locais, mas a preocupação é com os riscos para a população.

“Evidente que a gente não vai colocar ninguém em risco para fazer cumprir essas medidas. Isso vai depender de um planejamento operacional. O monitoramento e a troca de informações estão sendo feitos e a fiscalização vai acontecer”, assegurou.

Ver mais

Brasil

Hospital de Campanha de Salvador recebe primeiros pacientes

Publicado

dia

Por

Unidade montada no estádio de futebol Arena Fonte Nova tem 80 vagas e já recebeu 20 pacientes desde a reabertura na quinta (4)

Reaberto ontem (4), o hospital de campanha que o governo da Bahia montou no estádio de futebol Arena Fonte Nova, em Salvador, já recebeu 20 dos 80 pacientes com a covid-19 previstos para serem atendidos até sexta-feira (12), quando mais leitos deverão estar disponíveis.

Transferidos de unidades de Pronto Atendimento (UPA) da capital soteropolitana, os primeiros pacientes chegaram ao local por volta das 20h desta quinta-feira (4). Segundo a Secretaria estadual de Saúde, dez deles estão em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs), e dez em vagas clínicas.

O hospital de campanha tem capacidade para 200 leitos, que deverão ser abertos gradualmente nas próximas semanas. Nesta primeira etapa de funcionamento, prevista para durar até sexta-feira, foram habilitados 50 leitos de UTI e 30 leitos clínicos.

Administrado, a convite do governo estadual, pela instituição filantrópica Obras Sociais Irmã Dulce, o local teve que ser equipado pelo governo baiano com ventiladores pulmonares, máquinas para hemodiálise, equipamentos para eletrocardiograma, tomógrafo, aparelhos de raio-x móvel, além de todos os outros itens hospitalares necessários, e de uma área administrativa e de espaço para acolher os acompanhantes dos pacientes. Além dos profissionais de saúde e administrativos que já estão trabalhando no local, outros 430 estão em processo de contratação pela instituição filantrópica.

No ano passado, a Arena Fonte Nova sediou um hospital de campanha que funcionou por três meses, entre o início de julho e 16 de outubro. O hospital chegou a ter 240 leitos, dos quais 100 eram de UTI. Na ocasião, a Secretaria de Saúde anunciou que os equipamentos instalados, como respiradores e tomógrafo, seriam redistribuídos para outras unidades de saúde da rede estadual.

Conforme o boletim que a Diretoria de Vigilância Epidemiológica em Saúde da Bahia divulgou ontem (4), o número de casos de infecção pelo novo coronavírus (covid-19) registrados no estado desde que a doença chegou ao país é de 700.768. Desses, 12.251 foram a óbito. Apenas nas 24 horas anteriores à divulgação do boletim, foram registrados 5.985 novos casos da covid-19, o que representa um aumento de 0,9% em relação ao resultado anterior e 111 mortes em todo o estado.

Para evitar o colapso no sistema de saúde baiano, além de reabrir o hospital de campanha em Salvador, o governo estadual anunciou a criação de novas vagas em estabelecimentos de saúde. Ontem, o governador Rui Costa anunciou, nas redes sociais, a abertura de 100 novos leitos clínicos para atender a pacientes com a covid-19 no Hospital Riverside, em Lauro de Freitas, município da região metropolitana de Salvador.

Na terça-feira (2), o governador já tinha autorizado a secretaria estadual de Saúde a realizar licitação emergencial para definir uma organização social capaz de abrir e administrar o Hospital Metropolitano, também de Lauro de Freitas. A expectativa do governo é que, após o lançamento da licitação emergencial, o hospital esteja apto a funcionar em três semanas, inicialmente, com 40 leitos de UTI e 30 leitos clínicos.

Ontem, Rui Costa declarou que a abertura de leitos não é a solução para o combate à pandemia do novo coronavírus. “A abertura de novos leitos é uma tentativa de evitar um colapso total no nosso sistema de saúde. É importante esclarecer para a população que, ao abrir os 100 leitos de UTI na Arena Fonte Nova e mais 100 de UTI no Hospital Metropolitano, o estado da Bahia chega ao seu limite de abertura de novos leitos. É preciso que todos tomem consciência ou, daqui a duas semanas, precisaremos de mais mil leitos. É uma situação impossível porque nós não teríamos nem equipes de profissionais suficientes para uma demanda tão grande”, alertou o governador.

Ver mais

Brasil

Menina que desapareceu no Ceará vivia em barraca perto do Palácio do Buriti

Publicado

dia

Por

Homem encontrado com a adolescente foi detido, mas a Justiça entendeu que a prisão em flagrante era ilegal. Nos autos do processo consta que a menina de 13 anos veio para o DF por vontade própria. Ela vivia com o acusado em uma barraca improvisada

Barraca improvisada onde os dois estavam morando: local fica a poucos metros do Palácio do Buriti – (crédito: PCDF/Reprodução)

Uma menina de apenas 13 anos foi encontrada a mais de 1,5 mil km de casa, no Distrito Federal. Moradora do interior do Ceará, a adolescente chegou à capital em uma van clandestina para viver em barracas improvisadas próximo ao Palácio do Buriti, sede do poder Executivo em Brasília. Após 16 dias desaparecida, ela teve a rotina de abusos constantes interrompida na quarta-feira, após ser encontrada, na companhia de um homem, de 24 anos, por investigadores da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS).

O homem foi preso em flagrante e indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável e subtração de incapaz. Na tarde de ontem, a 7ª Vara Criminal de Brasília determinou a soltura dele, por entender ilegal a prisão em flagrante. Nos autos do processo consta que a menor veio para o DF por vontade própria, “ainda que tenha sido aliciada pelo autuado a fazer isso”. “Ele não a subtraiu. A subtração pressupõe um ato furtivo, o que não ocorreu”, frisou o juiz que presidiu a sessão, Fellipe Figueiredo.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), no entanto, pressupõe que os dois saíram do município de Frecheirinha (CE) e vieram juntos para Brasília. “Isso não está totalmente esclarecido, porém a data do desaparecimento corresponde com o dia aproximado da chegada do autor ao DF”, afirmou o delegado-adjunto da DRS, Luiz Henrique Sampaio.

Quanto ao crime de estupro, o magistrado afirmou que, durante o exame de corpo delito, a menor alegou a uma das agentes que mantinha relação com o homem desde os 11 anos, inclusive sexualmente. “Não há notícia de que ele, autuado, no dia da prisão ou em momentos próximos a ela, tenha mantido relações sexuais com a menor. Quer dizer, houve a prisão por fatos passados, sendo que a prisão, nessa situação, não era flagrancial”, justificou.

Resgate e alívio

Era tarde de terça-feira quando a família notou a ausência da menina dentro de casa. Dezesseis dias se passaram sem que parentes e amigos tivessem notícias da garota. Pela cidade nordestina, cartazes e folders colados em postes com a foto da menor mostravam a aflição dos familiares. “Quando soubemos que minha sobrinha estava com um homem em Brasília, não queríamos acreditar que era verdade. Foi um choque para toda a família”, contou, ao Correio, uma das tias da menina, que preferiu não se identificar.

Segundo as investigações, a adolescente e o homem se conheceram no município de Frecheirinha, quando ela ainda era criança. A relação causou revolta na família, e a mãe da garota chegou a denunciá-lo por estupro de vulnerável, mas ele não ficou preso. O jovem tem passagens por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo.

Na quarta-feira, uma pessoa denunciou o caso à polícia. O informante reconheceu a menina após ver notícias sobre o desaparecimento no Ceará. Disse, ainda, que viu a garota em um quiosque no estacionamento do Palácio do Buriti. Policiais montaram campana no local e resgataram a menina. Segundo o delegado Luiz Henrique, a menor morava em uma barraca, em condições precárias. “Na hora, ele tentou fugir, mas um policial o interceptou e foi feita a condução até a delegacia”, afirmou.

Durante o dia, o homem trabalhava como lavador de carros no local, junto aos familiares, enquanto a menor ficava em situação de rua. A mãe da menina, ao saber da notícia, saiu do Ceará para buscá-la. A tia comemora e diz que a família está aliviada: “Fizemos de tudo para achá-la. Agora, estamos aliviados. Foram mais de 15 dias de desespero”.

Ver mais

Brasil

Instituto Butantan recebe insumos para 14 milhões de doses da Coronavac

Publicado

dia

Por

Desde que começou a produção em janeiro, o Butantan já envasou e repassou 14,45 milhões de doses para o Ministério da Saúde

A carga foi recepcionada pelo governador de São Paulo, João Doria, o secretário estadual de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, e o diretor do Instituto, Dimas Covas (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

O Instituto Butantan recebeu na manhã desta quinta-feira (4) nova remessa com 8,2 mil litros de insumos farmacêuticos, suficientes para a produção de 14 milhões de doses adicionais da Coronavac, vacina contra a covid-19. Desde que começou a produção em janeiro, o Butantan já envasou e repassou 14,45 milhões de doses para o Ministério da Saúde. A previsão é de que até o fim de março o Governo de São Paulo e o instituto façam o repasse de mais 21 milhões de doses do imunizante para aplicação por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A carga foi recepcionada no Aeroporto Internacional de Guarulhos pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o secretário estadual de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, e o diretor do Instituto, Dimas Covas.

Durante a chegada dos insumos, Doria ressaltou que este é o maior carregamento que desembarca em solo brasileiro e reforçou a necessidade de mais vacinas. “Nós estamos entrando nas duas mais graves semanas da covid-19. Estamos à beira do colapso em todo o Brasil, só há uma salvação, além dos cuidados do uso de máscara e não aglomerações, são as vacinas. São Paulo e o Butantan estão cumprindo o seu papel fornecendo 100 milhões de vacinas”, disse o governador.

 

Ver mais

Brasil

Pior momento da pandemia: Lockdown 2.0 é a única saída para o Brasil?

Publicado

dia

Por

Um ano após o primeiro fechamento generalizado do comércio não essencial no Brasil, governos voltam a adotar a medida no pior momento da pandemia

Rio de Janeiro: prefeitura considera implementar o lockdown. (Buda Mendes/Getty Images)

Poucos dias após o marco de um ano do registro do primeiro caso de covid-19 no Brasil, estados e municípios voltam a fechar estabelecimentos comerciais, restringir atividades, implementar toque de recolher e até mesmo o lockdown, medida mais restritiva de circulação de pessoas. O objetivo é frear o avanço da doença que está no pior momento e atingiu um novo recorde na quarta-feira, 3 de março: 1.910, segundo o Ministério da Saúde.

No primeiro fechamento generalizado da economia, em 2020, o motivo era diferente. No Brasil e no mundo, as incertezas que rondavam a covid-19 causavam temor: pouco se sabia sobre a doença, como ela impactaria os sistemas de saúde e como governos deveriam lidar com uma pandemia, algo que não acontecia em escala global há um século.

Passado um ano, é justamente o conhecimento que adquirimos nesse período que faz com que os gestores públicos adotem medidas de restrição. Sabemos da alta capacidade de transmissão, principalmente com as novas variantes, como a doença afeta nossa capacidade de atendimento hospitalar, e por quanto tempo as medidas mais extremas precisam ser adotadas.

Também temos 11 vacinas aprovadas e sendo amplamente aplicadas em todo o mundo. Isso faz com que a experiência de países, como Estados Unidos e Israel, que demonstraram que a imunização em massa é capaz de reduzir em 70% o número de novos casos em apenas um mês, tragam experiência para uma solução mais rápida da crise sanitária global.

O problema é que no Brasil a pandemia ganhou uma outra dinâmica no início de 2021. A vacinação por aqui ainda está lenta, com 3,36% da população imunizada com pelo menos a primeira dose. Por enquanto, só temos duas opções disponíveis de vacinas: do Instituto Butantan/Sinovac e da Fiocruz/AstraZeneca. O Ministério da Saúde prometeu comprar mais doses, inclusive da Pfzier e da Janssen, e imunizar todos os grupos vulneráveis até o fim do ano. Até lá, uma quarentena mais restrita é de fato a medida mais eficaz para reduzir a transmissão?

A falta de um lockdown nacional

Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, explica que o ideal seria aplicar um lockdown nacional por duas a três semanas para impedir a circulação do vírus e dar fôlego aos hospitais terem mais capacidade de atendimento.

“O ideal sempre foi que a gente tivesse uma coordenação nacional. E a falta disso contribuiu para chegar aonde a gente está. Infelizmente a gente nunca teve esse lockdown e ainda temos um governo que diz que o uso de máscara faz mal para crianças. Além de ser omisso, o governo federal atrapalha e os governadores ficam à deriva. Isso dificulta muito”, afirma.

No fim do ano passado, como se sabe, houve uma polarização em torno do início da vacinação, uma disputa política para saber quem era o “culpado” pela recessão econômica causada pelo fechamento de atividades econômicas, sobretudo no setor de serviços.

Ainda sem uma diretriz unitária e federal, governos locais adiaram o quanto puderam as medidas impopulares de fechamento. A conta chegou, com a capacidade dos leitos de UTI beirando os 100%.

Na quarta-feira, 3, o governo de São Paulo se juntou aos do Distrito Federal e de Goiás e determinou que somente os serviços essenciais podem funcionar a partir da meia-noite deste sábado, 6. A medida vale por duas semanas. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), não descarta o lockdown na cidade.

Desde o último fim de semana, os três estados do Sul do Brasil adotaram medidas semelhantes, com o fechamento de serviços não essenciais. No Paraná e no Rio Grande do Sul somente os serviços essenciais podem funcionar até o próximo domingo, 7. O governo de Santa Catarina foi menos restritivo e decidiu fechar o comércio somente aos finais de semana.

O toque de recolher é a restrição que mais foi adotada por vários governadores. Além dos três estados do Sul, Pernambuco e Mato Grosso também optaram pela medida. Em São Paulo, apesar de não ter multa, a Polícia Militar faz blitze das 23h às 5h, com o objetivo de verificar se os deslocamentos das pessoas são necessários e coibir aglomerações.

Todos os governadores e secretários de Saúde que restringiram a circulação de pessoas são unânimes ao afirmar que o Brasil vive o pior momento da pandemia de covid-19. Há 41 dias a média diária de mortes está acima de mil. Nos últimos dez dias foram batidos 6 recordes de número de vítimas da doença em 24h, sendo o último na terça-feira, 2, com 1.726.

A taxa de ocupação de leitos de UTI está em colapso ou muito próximo disso em pelo menos 20 capitais, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em Santa Catarina, a situação já é considerada colapso, após a ocupação passar de 100%, e pelo menos 35 pessoas morrem à espera de uma vaga. Em São Paulo a ocupação está em 75%, mas chegou ao mais alto patamar desde o início da pandemia, com 7.415. O valor é 18,6% maior que o pico, registrado em junho do ano passado.

O que dizem os especialistas sobre o lockdown?

Fernando Rosado Spilki, infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, diz que a dispersão das variantes do novo coronavírus indica que não há outra alternativa além do lockdown.

A variante brasileira P1 foi encontrada em Manaus entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando uma alta nos casos fez com que pesquisadores testassem amostras e descobrissem a presença da cepa em 42% delas. Anteriormente, um estudo havia estimado que até 76% da cidade já havia sido contaminada, sugerindo uma probabilidade de imunidade alta na população.

Os pesquisadores descobriram que a cepa contém “uma constelação única de mutações definidoras de linhagem” que poderia estar associada a “um aumento na transmissibilidade ou propensão para reinfecção de indivíduos”. A P1 foi um dos fatores para o colapso do sistema de saúde em Manaus no meio de janeiro, com falta de leitos e até mesmo de oxigênio hospitalar.

As variantes sul-africana (B1351) e britânica (B117) também já foram identificadas em solo brasileiro. As três têm em comum a mutação N501Y (também apelidada de “Nelly”), que faz com que as cepas sejam mais contagiosas.

A biomédica e idealizadora do Rede Análise Covid-19, Mellanie Fontes-Dutra, destaca, porém, que não há como saber até que ponto as variantes estão impactando o número de casos. “É importante entendermos que as variantes podem ter contribuído para esse cenário, mas elas não são as únicas culpadas. Muito do que estamos vivendo é fruto da irresponsabilidade de muitas pessoas que desrespeitam as medidas de segurança”, afirma.

Para tentar conter o aumento de novos casos, o virologista Fernando Spilki acredita na restrição de movimentação pelas e entre cidades como medida principal. “Só que isso tem que ser algo coordenado e aplicado de maneira estratégica em diversas regiões. Infelizmente, não há muitas outras alternativas para evitar a disseminação destas variantes”, diz.

Isaac Schrarstzhaupt, cientista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19, grupo que vem fazendo um conjunto de análises desde o início da pandemia no Brasil, diz que começou a notar uma correlação forte entre aumento de mobilidade e crescimento no número de casos.

“Houve uma queda de mobilidade em janeiro por conta do esvaziamento das cidades. Quando as coisas começaram a se normalizar, em fevereiro, começou o estouro”, diz Schrarstzhaupt, que atribui o “estouro” a eventos como a volta às aulas, que já estava previsto, mas também um fenômeno anual que ocorre toda sétima semana do ano.

[A sétima semana] é quando começa a aumentar os casos de síndrome respiratória aguda grave, causada por vírus respiratórios. O comportamento das pessoas muda de acordo com as épocas do ano e alguns deles são mais favoráveis ao aumento do vírus”, afirma.

O aumento de casos, ao mesmo tempo que já há uma preocupação em torno das variantes, foi a receita para os piores dias de pandemia já registrados no Brasil.

“A grande preocupação é a adesão da população. A queda de mobilidade não é tão acentuada quanto foi no início da pandemia. É muito necessário, se tivermos um lockdown, que as pessoas aderem a ele. As próximas semanas vão ser complicadas, com o possível colapso do sistema funerário vamos acabar vendo situações trágicas como as de Manaus. Ainda não estamos vendo o pico desta onda, ela só está subindo em um paredão crescente”, diz Mellanie Fontes-Dutra, que enfatiza a a importância de continuar fazendo o uso de máscara, álcool gel e medidas de distanciamento social.

O que diz a ciência sobre o lockdown?

Um estudo do International Journal of Infectious Diseases analisou as medidas de 190 países entre 23 de janeiro e 13 de abril de 2020, durante a primeira onda da covid-19 pelo mundo. Ele levou em consideração quatro tipos de intervenções não-farmacêuticas (NPI, na sua sigla em inglês) para a redução do coronavírus: o uso obrigatório de máscara em público; isolamento social ou quarentena; distanciamento social e restrição na mobilidade urbana.

Qualquer intervenção realizada isoladamente levou a uma redução significativa na transmissão do coronavírus: máscaras (-15,14%); quarentena (-11,40%); distanciamento social (-42,94%) e mobilidade urbana (-9,26%).

Porém, as intervenções mais efetivas foram aquelas feitas com mais de um NPI, especialmente as que incluíram distanciamento social, prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde o início da pandemia. Já a intervenção mais comum nos países analisados foi a restrição na mobilidade urbana.

Levando em consideração apenas a quarentena, houve uma diminuição de 10,6% na transmissão da covid-19. Quando combinada com outros NPIs, a redução se intensifica: -17,83% com restrição ao transporte público, -38.58% com distanciamento social e -54.12% juntando os três.

Com a adição do último NPI, máscara obrigatória, o número chega a -62.81% na redução no número de novas infecções. “As combinações com mais tipos de NPIs pareceram estar associadas a uma maior diminuição na transmissão da covid-19”, conclui o estudo.

Apesar dos dados comprovarem a eficácia de uma ou mais intervenções não-farmacêuticas, o conceito de “quarentena” aplicado em alguns países, inclusive no Brasil, se difere do lockdown. Enquanto o último implica obrigatoriedade, a quarentena seria uma recomendação, o que leva a um menor impacto na taxa de transmissão.

Um segundo estudo, publicado pela revista Science, analisa mais a fundo o impacto do lockdown definitivo em 41 países durante a primeira onda da pandemia. Ele analisou os seguintes NPIs: limitar reuniões a 1.000 pessoas ou menos (-23% de redução das infecções); limitar a 100 pessoas ou menos (-34%); limitar a 10 pessoas ou menos (-42%); fechar alguns negócios (-18%); fechar a maioria dos negócios não essenciais (-27%); fechar escolas e universidades (-38%).

Já o lockdown foi analisado como um efeito adicional sobre todos os outros NPIs, partindo da ideia de que o decreto já engloba as outras restrições mencionadas. Sua diminuição na transmissão, portanto, foi “apenas” -13%.

“Nós descobrimos que emitir um pedido de permanência em casa teve um pequeno efeito quando um país já havia fechado instituições educacionais e negócios não essenciais e havia proibido reuniões”, explicam os pesquisadores. “Sempre que os países introduziram pedidos de permanência em casa, eles essencialmente sempre implementaram, ou já haviam implementado, todos os outros NPIs neste estudo.”

 

Ver mais

Brasil

Prefeitura do Rio limita horário de bares e fecha comércio da orla a partir desta sexta

Publicado

dia

Por

Medidas de restrição adotadas por Eduardo Paes para combater a Covid-19 foram publicadas no Diário Oficial

Rio: o decreto estabelece ainda que as autoridades podem determinar a interdição imediata de estabelecimentos (Ricardo Moraes/Reuters)

Em decreto publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial, o prefeito Eduardo Paes define medidas de restrição a atividades comerciais e circulação de pessoas na cidade por uma semana — entre esta sexta-feira, dia 5, e a próxima quinta-feira, dia 11 — para tentar reduzir aglomerações e, também, visando a conter o avanço do coronavírus.

Entre as principais medidas estão a proibição de todo comércio na praia — ambulantes e quiosques — e de funcionamento de boates, casas de shows e similares. Haverá limitação de horário ainda para bares e restaurantes, inclusive no interior de shoppings, e para o comércio e outras atividades em geral, que só vão poder funcionar das 6h às 20h, limitados a 40% da capacidade.

Confira as medidas:

  • Proíbe permanência de pessoas em áreas públicas e praças das 23h às 5h
  • Veda qualquer atividade comercial e de serviços na praia e na orla, incluindo quiosques, ambulantes e barraqueiros
  • Proíbe eventos, festas ou qualquer outro tipo de atividade em áreas públicas e particulares, incluindo rodas de samba
  • Boates, casas de espetáculos e similares também não vai poder abrir
  • As restrições também valem para feirantes e feiras de ambulantes
  • Horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares de forma presencial fica restrito das 6h às 17h, com lotação limitada a 40% da capacidade. A norma vale para serviços de rua e shoppings
  • As demais atividades podem abrir para atendimento presencial das 6h às 20h, com capacidade limitada a 40%
  • As restrições não se aplicam a serviços de saúde, farmácias, postos de combustíveis, cadeia de abastecimento e logística, transportes, entrega em domicilio e trabalhadores de atividades que não podem ser paralisadas

Interdição e multa

O decreto estabelece ainda que as autoridades podem determinar a interdição imediata de estabelecimentos. Pessoas físicas podem ser multadas em R$ 566,42. A fiscalização será da Secretaria de Ordem Pública (Seop), Guarda Municipal e Vigilância Sanitária.

Ver mais

Hoje é

domingo, 7 de março de 2021

Publicidade

Disponível nosso App

Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade

Viu isso?