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Explosão provoca grande incêndio em indústria petroquímica na Espanha

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As chamas provocaram uma grande coluna de fumaça que pode ser vista a vários quilômetros de distância

Espanha: não há informações sobre vítimas (Uncrowned Duke/Reuters)

Barcelona — Uma forte explosão provocou um incêndio de grandes proporções nesta terça-feira em uma indústria da zona petroquímica de Tarragona, no litoral da província da Catalunha, no nordeste da Espanha.

As autoridades locais pediram que os moradores de várias áreas próximas ao local do acidente permaneçam em casa e fechem portas e janelas devido à possibilidade de contaminação.

O Corpo de Bombeiros informou que a explosão ocorreu em uma fábrica da Indústrias Químicas de Óxido de Etileno (Iqoxe) na cidade de La Canonja, na região metropolitana de Tarragona, por volta das 18h45 (horário local; 14h45 em Brasília).

Não há informações sobre o que provocou o acidente.

A empresa onde a explosão ocorreu é a única da Espanha que processa óxido de etileno, uma substância usada para fabricar polímeros.

As chamas provocaram uma grande coluna de fumaça que pode ser vista a vários quilômetros de distância. A explosão foi tão forte que sacudiu janelas de alguns imóveis mais distantes do local do incêndio.

As autoridades ativaram a fase de alerta do plano de emergências químicas e médicas na região. Os bombeiros trabalham para apagar o fogo, enquanto o tráfego de veículos e de trens foi restrito na zona petroquímica de Tarragona.

 

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Na guerra do voto por correio nos EUA, Facebook vai contra Trump

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Resultados vão demorar a sair e eleitores precisam se acostumar, disse o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg. Trump já criticou o método de votação

Votação pelo correio: tema de polêmica nos EUA após declarações do presidente Donald Trump (Brian Snyder/Illustration/Reuters)

O voto por correio nos Estados Unidos deve seguir dando o que falar. Após o presidente americano Donald Trump afirmar na semana passada que era a favor de adiar as eleições para evitar que votos fossem feitos pelo correio — o que é permitido nos Estados Unidos em alguns casos —, o Facebook deve entrar na discussão.

Em entrevista ao jornal The New York Times publicada neste fim de semana, o presidente e fundador da companhia, Mark Zuckerberg, afirmou que pretende educar seus usuários acerca desse tipo de votação e da demora natural em contabilizar os votos.

Zuckerberg disse que planeja ter conteúdos informativos com o objetivo de “preparar as pessoas para o fato de que há uma grande probabilidade de que se demore dias ou semanas para contar isso [os votos] — e que não há nada de errado ou ilegítimo nisso.”

O Facebook também está considerando, ainda segundo Zuckerberg, novas regras contra políticos que aleguem vitória de forma prematura, antes do resultado oficial da eleição.

Zuckerberg não mencionou Trump diretamente. Mas o presidente americano vem dando sucessivas declarações contra o voto por correio e questionando sua legitimidade.

Esse tipo de votação, que já era autorizada em parte dos Estados Unidos, vem sendo ampliada em diversos estados americanos em meio à pandemia do novo coronavírus. As eleições presidenciais americanas estão marcadas para 3 de novembro, quando Trump disputará a reeleição contra o democrata Joe Biden.

A declaração mais forte contra a votação à distância veio na semana passada, quando Trump defendeu que as eleições americanas fossem adiadas porque o pleito poderia ser inseguro ao ter parte dos votos pelo correio.

Com a votação pelo correio, escreveu Trump, “2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história. Será uma grande vergonha para os Estados Unidos. Adiem a eleição até que as pessoas possam votar de forma apropriada e segura.”

Na postagem, o presidente americano não deu mais detalhes sobre se fez algum pedido formal para adiamento das eleições e como isso seria feito. Na prática, um presidente não tem poder para adiar o pleito sem que haja aval do Congresso. Não há no momento nenhum tipo de proposta de adiamento das eleições em discussão no Legislativo.

Eleições nas redes sociais

Em outro questionamento de Trump sobre voto pelo correio neste ano, sua postagem terminou sendo marcada pelo Twitter como um aviso de checagem de fatos — o que desencadeou um avanço do governo americano liderado por Trump contra as redes sociais, acusando-as de censura.

O Facebook, por sua vez, vem sendo pressionado a conter o avanço de notícias falsas ou questionamento da legitimidade de instituições em suas redes. Nas eleições de 2016, nas quais Trump foi eleito pela primeira vez, já circularam na internet questionamentos sobre a contagem de votos e a legalidade das eleições.

Na ocasião, a democrata Hillary Clinton venceu em votos absolutos, mas Trump foi eleito porque teve mais delegados no colégio eleitoral. O maior número de votos de Clinton foi questionado por apoiadores de Trump.

Na outra ponta, as redes sociais também vêm sendo questionadas em eleições mundo afora por, segundo críticos, fazerem pouco para combater a circulação de acusações sem fundamento contra candidatos. O Facebook, historicamente, se posiciona dizendo que o que circula em suas redes não será contido, em nome da liberdade de expressão.

Com as pressões constantes, Zuckerberg já admite fazer algumas adaptações. A educação sobre voto pelo correio pode ser uma delas — e novas discussões devem aparecer até a eleição americana em novembro.

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Rússia termina teste de vacina de covid-19 e prevê vacinação em outubro

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A vacina da Rússia não está presente no relatório da OMS e acende dúvidas na comunidade científica

Vacina: Rússia diz que testará proteção em massa em outubro (Kenny Katombe/Reuters)

O governo da Rússia anunciou neste sábado, 1, que irá fazer uma vacinação em massa contra o novo coronavírus já em outubro deste ano. Além deste anúncio, o país, que vem gerando controvérsia sobre a sua vacina, também informou ter finalizado todos os testes de sua proteção e que ela foi capaz de induzir uma resposta imune em todos os voluntários, sem efeitos colaterais ou complicações mais graves.

A informação foi dada pela agência de notícias estatal da Rússia, a RIA. De acordo com a agência, o Instituto Gamaleya está tentando conseguir uma aprovação regulatória para a vacina — um requerimento necessário antes da distribuição.

Os pesquisadores do instituto, antes de tudo, teriam testado as vacinas neles mesmos para avaliar a efetividade do projeto para desenvolver uma resposta imune no organismo humano. Vale notar que todas as vacinas que estão na fase três de testes geraram resposta imune, mas é preciso que a imunidade criada pela vacina no organismo humano seja protetora para evitar os sintomas do contágio pelo novo coronavírus.

Em entrevista a outra agência de notícias russa, a TASS, Denis Manturov, ministro da indústria do país, afirmou que a expectativa é de que “milhões de doses sejam produzidas por mês até 2021”.

No entanto, se a vacina der certo, a Rússia ganhará a nova guerra fria em busca de uma proteção contra a covid-19. Além de aliviar a crise de saúde mundial, que já matou mais de 680 mil pessoas, seria um golpe nos Estados Unidos e no Reino Unido, que recentemente acusaram o país de hackear seus sistemas para derrubar pesquisas sobre vacinas contra a covid-19.

Nenhum estudo relacionado à vacina russa foi divulgado, o que acende dúvidas na comunidade científica em relação à efetividade da proteção. O país tem recebido acusações de que as notícias sobre uma vacina são, na verdade, parte de uma propaganda política.

A fase três de testes começará no início deste mês, segundo um oficial do fundo de investimento do país para uma vacina.

A vacina russa é baseada no adenovírus humano fundido com a espícula de proteína em formato de coroa que dá nome ao coronavírus. É por meio dessa espícula de proteína que o vírus se prende às células humanas e injeta seu material genético para se replicar até causar a apoptose, a morte celular, e, então, partir para a próxima vítima.

Especialistas em saúde pública seguem prevendo as vacinas para meados de 2021.

De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) do dia 31 de julho, 26 vacinas estão em fase de testes e outras 139 estão em desenvolvimento. Das 26 em testes clínicos, 6 estão na última fase. A vacina da Rússia não está presente no relatório da OMS.

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Austrália adota medidas duras em Melbourne para conter avanço da covid-19

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Medidas foram anunciadas um dia depois do estado de Victoria registrar 429 casos e 13 mortes provocadas por coronavírus

O cidadão que não respeitar o toque de recolher pode ser multado em 1.652 dólares australianos (Darrian Traynor/Getty Images)

As lojas não essenciais de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, devem fechar as portas a partir da próxima quinta-feira para frear a propagação do novo coronavírus, anunciou o governo do estado de Victoria. O primeiro-ministro de Victoria, Daniel Andrews, afirmou que a maioria dos negócios e empresas devem interromper as atividades a partir de meia-noite de quarta-feira. Supermercados, farmácias e lojas de bebidas permanecerão abertos.

“É de partir o coração ter que fechar os locais de trabalho, mas é o que precisamos fazer para frear o avanço deste vírus extremamente infeccioso”, afirmou Andrews em uma entrevista coletiva. “Este período de seis semanas é absolutamente crítico”, disse.

Alguns sectores, como o da produção de carne ou a construção civil, terão que reduzir as atividades a partir de sexta-feira. Os escritórios públicos também fecharão as portas.

O governo acredita que as medidas evitarão que um milhão de pessoas compareçam aos locais de trabalho.

O anúncio aconteceu um dia depois do estado de Victoria registrar 429 casos e 13 mortes provocadas pela covid-19. No domingo, as autoridades anunciaram um toque de recolher noturno em Melbourne, onde os moradores não podem fazer deslocamentos a mais de cinco quilômetros de suas casas.

Os habitantes de Melbourne devem permanecer em casa das 20h00 às 5h00 até 13 de setembro. Apenas as pessoas que exercem funções essenciais, os profissionais da saúde e aquelas que vão para os hospitais podem sair de suas residências durante a noite. O cidadão que não respeitar o toque de recolher pode ser multado em 1.652 dólares australianos (US$ 1.175).

As medidas drásticas isolam ainda mais Melbourne dentro da Austrália, que conseguiu conter a pandemia.

 

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Cargo de prestígio ou mero auxiliar? Como é ser vice-presidente dos EUA

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O pré-candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, disse que vai anunciar dentro de alguns dias quem o acompanhará na chapa às eleições de novembro

Joe Biden: o candidato, que se for eleito, terá 78 anos ao assumir o cargo, tem claro que se vê como uma figura de transição (Brendan McDermid/File Photo/Reuters)

O pré-candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, anunciará dentro de alguns dias quem o acompanhará na chapa às eleições de novembro. Mas o que realmente faz um vice-presidente nos Estados Unidos?

1. Eles realmente importam?

É possível que a vice-presidência americana não seja tão frustrante e desconcertante quanto o papel de Julia Louis-Dreyfus na série “Veep”, da HBO.

Os vices americanos são um pouco como os músicos de apoio de um show. Percorrem o país, dizendo às pessoas o quanto seu chefe é genial. E embora trabalhem em um dos edifícios mais famosos do mundo, não haverá muitas ruas com seus nomes quando saírem de lá.

Mas mesmo assim, são muito importantes por uma simples razão: estão a um triz da Presidência.

John Tyler, Millard Fillmore, Andrew Johnson, Chester Arthur, Theodore Roosevelt, Calvin Coolidge, Harry Truman e Lyndon Johnson viraram presidentes após a morte do mandatário.

No caso de Johnson, foi depois do assassinato do presidente John F. Kennedy, em 1963. Ele prestou juramento duas horas e oito minutos depois, a bordo do Air Force One. E Gerald Ford o fez apenas meia hora depois de Richard Nixon assinar sua renúncia, em 1974.

2. O que Biden procura?

O vice-presidente de Donald Trump, Mike Pence, se encaixa na imagem tradicional de um segundo violino.

Pence tem funções importantes, inclusive a de coordenar a equipe de resposta do novo coronavírus na Casa Branca, mas sua tarefa principal parece ser elogiar o trabalho de Trump.

Biden, que foi vice nos dois mandatos de Barack Obama, diz estar em busca de algo diferente.

Ele fala com carinho de suas responsabilidades quando ocupava o cargo, enfatizando como dirigiu no governo o resgate maciço da economia em 2009. E diz que quer que seu próprio vice-presidente seja “simpático” como ele.

“Penso que Biden está procurando um parceiro político”, alguém que “realmente funcione como um de seus assessores mais próximos”, disse Joel Goldstein, professor de direito da Universidade de Saint Louis e especialista em vice-presidência.

Biden, que se for eleito, terá 78 anos ao assumir o cargo, tem claro que se vê como uma figura de transição. Seu (sua) adjunto(a), que provavelmente será alguém muito mais jovem, seria essencialmente o(a) próximo(a) candidato(a) democrata.

E visto que Biden declarou que escolherá uma mulher, ela faria História, independentemente de como for a sua gestão.

Só outras duas mulheres foram escolhidas até hoje candidatas à vice-presidência: Geraldine Ferraro em 1984 e Sarah Palin em 2008. Nenhuma delas chegou à Casa Branca.

E se a companheira de chapa de Biden chegar a sucedê-lo, ela se tornaria a primeira mulher a presidir os Estados Unidos.

3. São poderosos?

Formalmente, os vice-presidentes americanos têm a responsabilidade de emitir o voto decisivo quando são gerados becos sem saída no Senado.

Menos formalmente, alguns vice-presidentes, como Dick Cheney no governo de George W. Bush, ganharam fama de serem o verdadeiro poder por trás de um presidente inexperiente.

Mas a suposição de que a vice-presidência é um trampolim perfeito para o cargo mais alto não é tão certa. Apenas 14 vices chegaram à Presidência e deles, nove não foram eleitos, mas chegaram ao Salão Oval após a morte ou a renúncia do presidente.

O último vice-presidente a vencer eleições presidenciais foi George H. W. Bush, que governou entre 1989 e 1993.

4. Alguém se lembra deles?

Diferentemente dos presidentes, poucos vices são lembrados.

Quem ouviu falar de William Rufus King ou de William Wheeler? Mas é claro que há exceções, como Dick Cheney.

Ou Al Gore, que era quase inseparável de Bill Clinton na vice-presidência e, embora tenha perdido por uma margem apertadíssima as eleições presidenciais de 2000, conquistou fama internacional como ativista contra as mudanças climáticas.

Por fim, está o próprio ex-vice-presidente Biden. Se as pesquisas acertarem sobre suas chances de vencer Trump, ele terá um lugar de destaque nos livros de História.

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Praia na Espanha é considerada um exemplo de distanciamento social

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Imagens feitas por um drone da praia de Regla, localizada na região de Andaluzia, na Espanha, viralizaram

Praia de Regla, em Chipiona, no sábado, 25 de julho: monitoramento por drones e marcações horizontais (Polícia Local Chipiona/Reprodução)

Imagens feitas por um drone da praia de Regla, em Chipiona, cidade localizada na região de Andaluzia, na Espanha, viralizaram. O vídeo foi divulgado pela policia local no dia 25 de julho. A imagem foi inicialmente divulgada pela Sky News.

Em entrevista ao Canal Sur Radio y Televisión, o prefeito da cidade comemorou a organização. Luis Mario Aparcero se mostrou satisfeito e disse que as imagens com drones é um dos métodos utilizados pela polícia para controlar as aglomerações no local.

Além dos drones que monitoram aglomerações, a praia tem marcadores horizontais com 5 metros de distância para guiar os banhistas. Os banhistas devem ficar na frente desses marcadores e contar seis passos de distância. Dessa forma, todos os grupos podem manter quatro metros de distância dos outros e ainda deixar um corredor de 1 metro de distância para passagem.

No domingo, 28, foi registrado um alto índice de ocupação da praia. Contudo, não foi necessário restringir o acesso ao local. Mas no sábado, 26, e em outras praias próximas da região foi necessário restringir o número de pessoas, que passaram do índice permitido.

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Dez anos depois de resgate, “mineradores do Chile” se sentem esquecidos

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Em 2010, deslizamento de terra prendeu grupo de mineradores debaixo da terra por quase dois meses

Minerador chileno Mario Sepúlveda: ele é um dos “33 mineradores do Atacama”, em sua casa de Santiago no Chile (AFP/AFP)

Dez anos depois de ficarem presos no fundo da mina San José, no norte do Chile, os “33 mineradores do Atacama”, sentem-se heróis caídos no esquecimento e no abandono.

Na quinta-feira de 5 de agosto de 2010, um deslizamento de terra prendeu este grupo de mineradores de entre 19 e 63 anos na antiga mina. No 17o dia, confirmou-se que estavam vivos. Mais de dois meses depois, a 600 metros abaixo da terra, foram resgatados e elogiados como heróis por sua tenaz solidariedade diante do confinamento.

Uma vez fora da mina, foram convidados para programas de televisão, viajaram pelo mundo, e um excêntrico empresário do setor de mineração deu US$ 10.000 a cada um deles. Cinco anos depois, Hollywood fez um filme sobre sua história chamado “Os 33”, protagonizado por Antonio Banderas e com a participação do ator brasileiro Rodrigo Santoro, como o então ministro da Mineração do Chile, Laurence Golborne.

A fama não durou muito, porém. Hoje, quatro deles relatam seus diferentes destinos à AFP, ainda afetados por traumas, pesadelos e doenças.

“Nunca vou me esquecer”

José Ojeda foi quem escreveu a famosa mensagem: “Estamos bem no refúgio, os 33”, alertando o mundo de que estavam vivos quando muitos já haviam perdido a esperança.

“As pessoas achavam que nós pagávamos pelas viagens. Acham que ficamos com muito dinheiro, e esse não é o caso”, afirma este homem de 57 anos de Copiapó, onde vive modestamente com a pensão que recebe do governo, de aproximadamente 320 dólares.

Jimmy Sánchez era o mais jovem do grupo. Começou a trabalhar na mina aos 19 anos, sem terminar o Ensino Médio.

“É como se tivesse acontecido ontem. Acho que nunca vou me esquecer”, disse ele, em Copiapó, a cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago, onde vive da pensão recebida pelas sequelas do acidente.

Nunca mais conseguiu trabalhar na mineração novamente. “Uma vez fui procurar emprego, mas souberam quem eu era e fecharam as portas. Não foi minha culpa ficar preso”, lamenta, aos seus 29 anos.

Mario Sepúlveda, hoje com 49 anos, denuncia que foram tratados mal.

Com o dinheiro que ganhou na televisão, cerca de US$ 150.000, Sepúlveda constrói hoje um centro de ajuda para crianças autistas e em risco de exclusão social, com base na experiência que vive com um de seus seis filhos, que possui um autismo severo.

Para Omar Reygadas, um dos mais experientes do grupo, “tudo o que vivemos na mina e tudo o que vimos ainda é muito latente”.
Hoje, Reygadas trabalha como motorista.

Indenização

Após o deslizamento, esses mineradores que mal se conheciam tiveram de se organizar para sobreviver, aprenderam disciplina e racionaram os poucos alimentos que havia no abrigo de segurança da mina.

Mas, por que não conseguiram manter essa união fora da mina?

“As famílias provocaram toda essa desunião entre nós. Houve um antes, um durante e um depois. E, depois que saímos, já se transformou em cada um por si”, acrescenta.

Além disso, a venda dos direitos de sua história aprofundou a divisão.

Poucas semanas depois de serem resgatados, os mineradores assinaram um acordo para transferir os direitos para um filme e um livro, com base em uma complexa estrutura legal. Agora, muitos se sentem enganados e entraram com uma ação na Justiça.

“A estratégia dos advogados era nos separar e conseguiram. Nos fizeram brigar”, disse Sánchez.

O ex-minerador chileno Jimmy Sánchez, o mais jovem dos “33 mineradores do Atacama” (AFP/AFP)

Oito anos depois, a Justiça condenou o Estado chileno a pagar uma indenização de US$ 110.000 a cada um e isentou a mineradora San Esteban.
O Conselho de Defesa do Estado (CDE) recorreu da decisão, porém, alegando que os mineradores já foram ressarcidos ao receberem pensões vitalícias (14 dos 33 por idade e patologias) e ajuda financeira privada. O recurso ainda não foi resolvido pelo Tribunal de Apelações de Santiago.

Os mineradores também criticam o pouco acompanhamento recebido após o resgate: “Nos abandonaram rapidinho; ficamos em terapia por apenas um ano”, reclama Sepúlveda.

Uma década depois, os 33 mineradores não se reúnem, e apenas alguns mantêm contato. Para o futuro, seus sonhos são modestos.

Jimmy Sánchez deseja ter sua casa própria. José Ojeda clama por ajuda para pagar seu tratamento médico contra uma diabetes avançada, e Mario Sepúlveda afirma que trocaria tudo o que viveu para voltar a trabalhar em uma mina.

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

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