Guilherme Matos
Folhapress
Moradores do Jaguaré, bairro da zona oeste de São Paulo, ainda enfrentam dificuldades econômicas e não conseguiram retomar sua rotina uma semana depois da explosão que matou duas pessoas.
Na segunda-feira (18), o local permanecia com escombros e a presença de equipes da Defesa Civil, Polícia Militar, Sabesp e Comgás.
O bloqueio na rua Piraúba, onde ocorreu a explosão, foi reduzido, permitindo que alguns moradores voltassem para suas casas. No entanto, o epicentro do acidente continua fechado, com tapumes que impedem o acesso, enquanto a Sabesp realiza a demolição das residências condenadas. Após esta etapa, será iniciado o processo de limpeza e reconstrução da área.
Além dos danos visíveis, muitos moradores relataram que não conseguiram voltar ao trabalho e estão preocupados com a perda da renda familiar. A necessidade de permanecer em casa para vistorias contínuas e o barulho constante das obras dificultam a recuperação das famílias.
Ana Paula dos Santos Silva, assistente financeira de 31 anos, foi demitida após faltar ao trabalho para ajudar os pais, cuja casa foi afetada pela explosão. Ela acompanhou as vistorias e ficou impedida de trabalhar remotamente, recebendo aviso de desligamento da empresa.
Manuel Vasconcelos, vigilante que trabalha à noite, relata dificuldades para dormir devido ao barulho das obras durante o dia, mesmo trocando turnos com colegas, o que o deixará com jornada acumulada no futuro.
João Hage Miranda, operador logístico de 43 anos, está sem trabalhar há mais de uma semana. Sua casa sofreu danos estruturais, e ele depende da compreensão do empregador para justificar sua ausência, embora os documentos que possui não tenham validade oficial.
Edna Rosendo, 40, e o marido, autônomos que trabalham com pet shop, perderam a renda desde o acidente, pois precisam estar disponíveis para vistorias e acompanhamento das demolições. A casa de Edna não foi diretamente danificada, mas está em risco devido às residências vizinhas interditadas.
A CDHU tem oferecido apartamentos para realocação, mas muitos moradores reclamam que as novas moradias ficam longe do trabalho e da escola dos filhos, exigindo mudanças profundas na vida das famílias. Morar em hotel também não é solução adequada devido à falta de estrutura para o dia a dia.
Yelier Soria, dono de uma barbearia na rua Piraúba, explica que o estabelecimento não foi condenado, mas com a rua fechada e clientela reduzida, sua renda semanal, que variava entre R$ 1.300 e R$ 1.500, zerou.
A Sabesp informou que já pagou auxílio emergencial de R$ 5.000 para 764 famílias. Dos 300 imóveis vistoriados, 45 receberam limpeza e outras 45 reformas paliativas para evitar mais danos, enquanto dez casas já passaram por reformas definitivas.
A empresa também presta suporte emergencial, social, médico e psicológico aos moradores afetados, atendidos por assistentes sociais.
A CDHU mapeou 80 imóveis na região para atender famílias que perderam suas casas, oferecendo opções de apartamentos, compra com carta de crédito ou auxílio aluguel para facilitar a realocação.
