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segunda-feira, 20/04/2026

empresas de energia renovável param quase 40 bi em investimentos e pensam em sair do nordeste

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Em Brasília

JOÃO GABRIEL
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

Empresas que produzem energia limpa estão planejando mudar seus investimentos de quase R$ 39 bilhões previstos entre 2025 e 2026, deixando o Nordeste, região com muito sol e vento bom para gerar energia solar e eólica, para investir em outras áreas do Brasil.

Isso está acontecendo devido a vários problemas. Além da baixa demanda por energia e cortes obrigatórios na energia gerada, já conhecidos, o setor cita o aumento nos custos de operação, perda de benefícios fiscais e regras mais difíceis.

Gente do governo Lula (PT) diz que os descontos fiscais dados antes para ajudar essas energias não são mais necessários, porque elas já tem um espaço importante no país. Agora, é preciso mudar as regras dos impostos para manter o sistema justo e não encarecer a conta de luz.

O Ministério de Minas e Energia foi procurado desde 27 de março, mas não deu resposta até a publicação.

A maior parte dos projetos de energia limpa está no Nordeste, que tem bastante sol e vento. As associações Absolar e Abeólica, que representam as empresas de energia solar e eólica, calcularam o impacto da crise.

A Absolar disse que em 2025, 141 usinas devolveram suas concessões, o que representa R$ 18,9 bilhões. Também houve R$ 5,9 bilhões em investimentos que não saíram do papel no último ano.

A Abeólica falou que o crescimento mais lento causou R$ 14 bilhões em investimentos suspensos.

Elbia Gannoum, diretora da Abeólica, disse que o problema piorou em 2023 e 2024, e que o Nordeste, que recebe 95% dos investimentos no setor, está sofrendo com isso. Algumas fábricas locais estão fechando e demitindo por falta de novos investimentos.

A Casa dos Ventos, uma das maiores empresas de energia renovável no Brasil, afirmou que pode diminuir investimentos no Nordeste e focar em projetos em Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Eles dizem que investem tanto no Nordeste quanto em outras regiões.

Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul são alternativas por estarem mais perto dos grandes consumidores, apesar de não terem um clima tão favorável quanto o Nordeste.

O aumento do custo para gerar energia vem de regras aprovadas em 2025 na Medida Provisória 1304, que tentava reorganizar o setor, mas foi alterada pelo Congresso.

A medida tentou incentivar o uso de baterias para evitar cortes na produção de energia quando há excesso (chamado de curtailment).

Esses cortes acontecem porque o vento e o sol não são constantes. Para evitar problemas na rede, as usinas precisam desligar em momentos de produção muito alta.

Isso causa prejuízo porque energia gerada é desperdiçada. O Brasil perde energia equivalente à uma grande usina, como Belo Monte, por causa disso.

Uma forma eficiente de resolver isso é usando baterias para guardar energia extra e usá-la quando o consumo é maior.

A medida determina que só as usinas que usam sistemas de armazenamento podem receber um desconto especial no imposto chamado Reidi.

As associações dizem que isso limitou os investimentos de algumas empresas.

Elas reclamam que a regra não trata as energias solar e eólica de forma igual a outras fontes de energia.

Outro problema citado é que novos projetos precisam pagar custos de reserva, que garantem geradores prontos para funcionar quando a energia renovável para de produzir.

Isso torna os projetos mais caros, desestimula investimentos e pode dificultar a geração de energia limpa.

Além disso, a Aneel aprovou em 2022 taxas maiores para usinas longe dos grandes centros consumidores, como no Norte e Nordeste.

A Absolar diz que isso aumentou o custo para usinas nesses lugares e pode fazer que esses projetos sejam levados para outras regiões.

A Aneel respondeu que essas regras foram discutidas por anos e foram feitas para dar segurança e adaptação para as empresas.

Como o setor não está satisfeito, um projeto está em análise no Senado para tentar cancelar essas resoluções.

Representantes do setor dizem também que o governo está demorando para fazer leilões para contratar baterias, o que ajudaria a resolver o problema dos cortes.

Em vez disso, foi feito um leilão de reserva de capacidade, onde a maioria dos contratos foi para empresas que usam gás e carvão, fontes poluentes.

Elbia alerta que é preciso uma solução urgente para não perder a chance de investir no Brasil, um país com grande potencial na transição para energia limpa.

Existe a ideia de que data centers poderiam impulsionar o consumo de energia renovável, pois usam muita eletricidade, mas são criticados por consumir muita água.

Um programa nacional para esses empreendimentos está parado no Congresso.

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