São Paulo, 29 – O dólar apresentou um leve aumento no valor e fechou o dia em torno de R$ 5,17, mesmo com pouca movimentação no mercado devido ao jogo do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo. As oscilações durante o dia foram pequenas, com modificações técnicas relacionadas à troca de contratos e à formação da última taxa Ptax de junho.
Apesar da tendência de queda do dólar no exterior, o real teve uma leve queda. A economia local teve alguns focos de atenção, como a deflação do IGP-M em junho e pesquisas eleitorais que mostram aproximação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, mas esses fatores não influenciaram muito o câmbio.
O dólar oscilou entre R$ 5,1553 e R$ 5,1859 e fechou com um aumento de 0,13%. No mês, o dólar subiu 2,61% frente ao real, e no ano, registrou perda de 5,73% após valores mais baixos em maio.
Ricardo Chiumento, responsável pela Tesouraria do BS2, acredita que a taxa de câmbio deve variar entre R$ 5,10 e R$ 5,20 a curto prazo, monitorando principalmente os indicadores econômicos dos EUA e sinais políticos no país. Ele aponta que o Federal Reserve adotou uma postura mais rígida contra a inflação, o que influenciou negativamente a moeda brasileira.
Chiumento destaca que as expectativas agora são para que os juros americanos se mantenham até o fim de 2026, diferente do esperado anteriormente. Ele também observa um aumento dos prêmios de risco nos ativos locais devido a preocupações fiscais.
O índice DXY, que mede o valor do dólar contra outras moedas fortes, caiu um pouco, mas ainda mostra alta significativa no mês e no ano. As taxas dos títulos públicos dos EUA permaneceram estáveis, e a atenção está voltada para os dados do mercado de trabalho americano que serão divulgados durante a semana.
Após queda acentuada na semana passada, o preço do petróleo subiu devido a incertezas nas negociações entre EUA e Irã e o tráfego no Estreito de Ormuz. O Brent, que serve de referência para a Petrobras, encerrou o dia em alta de 1,80%, a US$ 73,91 o barril.
Robin Brooks, economista do Brookings Institute, comenta que o fortalecimento recente do dólar não indica que a moeda continuará a subir indefinidamente, apontando que o Federal Reserve não foi tão rigoroso como o mercado imaginava. Ele prevê que o dólar alcançou seu pico, especialmente com a queda do petróleo que deve trazer a inflação para baixo.
Bolsa
O Ibovespa teve pouca variação, com perdas leves após o setor de mineração e siderurgia cair, mesmo com altas em bancos. O volume financeiro foi de R$ 13,92 bilhões. A volatilidade reduzida foi atribuída ao jogo do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo e à ausência de grandes movimentos dos operadores locais.
Gustavo Bertotti, da Fami Capital, destaca que o mercado brasileiro depende muito de investimentos estrangeiros, o que dificulta o movimento do índice diante das incertezas globais. O setor de tecnologia nos EUA se recuperou, mas isso não está influenciando significativamente o mercado brasileiro.
O estrategista Max Bohm da Nomos indica que, devido ao jogo da Copa, muitos investidores ficaram afastados, o que resultou em menos movimentações expressivas no Ibovespa.
Willian Queiroz, da Blue3 Investimentos, reforça que a indefinição política no Brasil impede que o mercado financeiro defina uma tendência clara no momento.
Durante o dia, o índice tentou se recuperar impulsionado pelas ações da Petrobras, porém recuou após declarações do presidente americano sobre negociações com o Irã.
A Petrobras fechou com pequenas altas nas ações ordinárias e preferenciais.
Juros
Os juros futuros fecharam em queda, estendendo a tendência de redução dos riscos nos títulos por seis sessões consecutivas, influenciada por um ambiente externo tranquilo e expectativas internas de cortes futuros na taxa Selic. Durante o dia, o volume de negociações estava baixo, também afetado pelo jogo de futebol.
As taxas do contrato DI para os anos de 2027 a 2031 tiveram quedas moderadas.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, considerou que o mercado de juros teve um dia calmo, porém os prêmios de risco continuam altos demais para um cenário de baixa dos juros, ressaltando que esses prêmios devem cair com a estabilização do preço do petróleo.
O Boletim Focus mostrou que as expectativas para inflação e taxa Selic se mantiveram estáveis nas próximas mediadas, com pequenas mudanças previstas para os próximos anos.
Eduardo Velho, economista chefe da Bravonte Capital, destacou que a queda das taxas está alinhada com a reversão do choque do petróleo e os bons resultados recentes de inflação, além de indicar que o mercado vê espaço para cortes futuros na Selic.
Estadão Conteúdo
