FOLHAPRESS
O dólar teve um aumento significativo nesta quarta-feira (27), pois os investidores estão preocupados com as negociações incertas no Oriente Médio e com os resultados do IPCA-15 (índice que mede a inflação) que vieram mais altos do que o esperado.
O resultado mostra que os juros podem continuar altos por mais tempo no Brasil, o que é bom para o real. Porém, a situação instável no exterior deixa os mercados nervosos e pressiona o dólar para cima.
Por volta das 11h40, o dólar estava 0,73% mais caro, cotado a R$ 5,064. No mesmo horário, a Bolsa teve uma leve queda de 0,05%, ficando em 176.487 pontos.
A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 0,62% em maio, depois de ter sido 0,89% em abril, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (27).
Mesmo com essa baixa, 0,62% é a maior taxa para maio em dez anos, desde 2016 (0,86%). Os preços dos alimentos e da energia elétrica influenciaram esse aumento.
Esse valor também é maior do que a mediana feita por analistas do mercado financeiro, que era 0,57%, segundo a Bloomberg.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,64%, mais que a alta de 4,37% até abril. Esse índice passou do limite máximo de inflação de 4,5% estabelecido pelo Banco Central, algo que não acontecia desde outubro do ano passado.
Para Leonel de Oliveira Mattos, especialista em mercados da StoneX, esses dados mostram que a inflação está causando pressão em várias partes do Brasil.
“Os aumentos nos preços dos itens energéticos, causados pelo fechamento do Estreito de Hormuz e pela preocupação com a oferta mundial de petróleo, estão afetando também outros itens, não só a energia. Isso mostra um desafio para o Banco Central controlar a inflação”.
A inflação que não para de subir reforça a ideia de que os juros ficarão altos por mais tempo, valorizando os títulos nacionais e atraindo capital externo, o que normalmente enfraquece o dólar. “Ainda não vemos essa queda no dólar, provavelmente por causa da situação geopolítica complicada”, disse ele.
André Valerio, economista do Banco Inter, também observa que essa situação preocupa o Banco Central. “A desaceleração do IPCA-15 é boa notícia, mas não é suficiente para o Copom ficar tranquilo. O cenário está muito influenciado pela guerra e pelo clima, e deve continuar difícil nos próximos meses, com alta chance de um El Niño forte”.
A guerra tem elevado os preços do petróleo e causado incertezas no fornecimento de gasolina e diesel, o que pode aumentar a inflação em todo o mundo.
Esse conflito já está influenciando as decisões sobre a política de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Em abril, o banco central dos EUA (Fed) manteve os juros entre 3,5% e 3,75% pela terceira vez seguida, citando as incertezas da guerra.
No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,5% ao ano, mas não indicou se vai cortar os juros no futuro.
No exterior, a guerra continua causando dúvidas. Segundo a agência Reuters, a TV estatal do Irã informou que o país chegou a um esboço de acordo com os EUA.
O documento diz que o Irã voltaria a permitir o transporte pelo Estreito de Ormuz como antes da guerra em até um mês, enquanto os EUA retirariam suas tropas da região e parariam o bloqueio naval.
Essa notícia fez os preços do petróleo caírem. Por volta das 11h30, o barril Brent, referência global, baixava 3,70%, para US$ 95,86. O WTI, usado nos EUA, caía 4,29%, para US$ 89,90.
Na segunda-feira (25), os EUA bombardearam o sul do Irã à noite. Segundo o Pentágono, o ataque foi preventivo para proteger seus soldados.
“Os bombardeios foram contra lançadores de mísseis e barcos que tentavam colocar minas no mar”, disse o Comando Militar Central dos EUA, que gere as operações no Oriente Médio.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse nesta terça-feira que os EUA violaram o cessar-fogo.
Essas negociações confusas deixam o mercado alerta para qualquer sinal forte de um acordo ou para uma intensificação do conflito.
O Irã quer manter o controle do Estreito de Hormuz, importante rota marítima que responde por 20% do petróleo e gás natural no mundo. Também exige pagamento pelo uso do estreito e quer continuar o programa de enriquecimento de urânio.
Os EUA querem que o trânsito no estreito seja livre, sem cobranças, e querem que o programa nuclear termine.
