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sexta-feira, 03/07/2026

Dólar cai um pouco após dados de emprego dos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar começou o dia em leve queda nesta quinta-feira (2), acompanhando a redução do valor da moeda americana frente a outras moedas pelo mundo, devido ao relatório de emprego dos Estados Unidos, que mostrou a criação de 57 mil vagas em junho.

Às 9h14, o dólar estava 0,15% mais barato, cotado a R$ 5,2025. Na quarta-feira, o dólar teve alta significativa de 0,89%, fechando a R$ 5,209, enquanto a Bolsa caiu 0,19%, atingindo 171.688 pontos.

O dia foi marcado pelo anúncio de sanções dos EUA contra suspeitos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e pela expectativa de juros mais altos pelo Fed (banco central americano).

O governo do ex-presidente Donald Trump sancionou duas pessoas brasileiras, três empresas em São Paulo e uma empresa portuguesa por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, considerado pela administração americana como a maior organização criminosa do Ocidente.

“Essa notícia impactou o dólar e os mercados em geral”, afirma Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil.

Assim como em maio, quando o PCC e o CV foram classificados como grupos terroristas pelos EUA, as sanções aumentaram a percepção de risco para os ativos do país, segundo alguns analistas.

Por outro lado, outros profissionais veem os efeitos imediatos sobre o câmbio e a Bolsa com mais cautela. Gustavo Okuyama, gestor de renda fixa da Porto Asset, acredita que as sanções podem causar ruídos apenas se nomes importantes forem envolvidos.

Márcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, considera que a notícia não é suficiente para justificar uma alta significativa do dólar frente ao real ou gerar estresse no mercado.

“Pode afetar um pouco o sentimento em relação ao Brasil, mas sanções a empresas específicas ligadas a investigações criminais dificilmente motivariam uma forte alta do dólar”, explica.

Ele acrescenta que o dólar dispararia se sanções secundárias atingissem bancos ou instituições financeiras, ou se conflitos diplomáticos entre Brasília e Washington surgissem, incluindo ameaças comerciais ou tarifárias.

Além disso, uma nova pesquisa eleitoral no Brasil tem pressionado os mercados. O levantamento Atlas/Bloomberg mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Planalto.

Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio. Em abril, eles estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com 95% de confiança.

De maneira geral, Lula ainda é visto com preocupação por grande parte do mercado, que teme que sua reeleição dificulte o controle das finanças públicas e da inflação, mantendo os juros em níveis altos.

Apesar disso, nas últimas semanas os investidores têm se preparado para um possível corte da taxa Selic.

No cenário internacional, a atenção esteve nas declarações de Kevin Warsh, novo presidente do Fed, durante o fórum anual do BCE (Banco Central Europeu) em Sintra, Portugal.

Ele afirmou que os riscos para a inflação diminuíram, mas reforçou que o Fed manterá uma postura firme contra a alta nos preços. “Se alguém achou que o banco central aceitaria uma inflação acima de 2%, vai se decepcionar: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA.”

Investidores aumentaram as apostas em alta de juros após a última reunião do Fed. Mesmo com juros mantidos entre 3,5% e 3,75% ao ano, o mercado interpretou a comunicação dos dirigentes como agressiva no combate à inflação.

Foi divulgado também o relatório de emprego ADP, que informou a criação de 98 mil empregos no setor privado dos EUA em junho, abaixo dos 118 mil esperados. Esse valor menor indica que o mercado de trabalho está menos aquecido, o que pode reduzir a pressão sobre a inflação.

No entanto, o indicador ADP é pouco preciso para prever o número oficial de vagas no setor privado americano, o payroll, que será divulgado na quinta-feira (2).

Por enquanto, mantém-se o cenário anterior. “Um mercado de trabalho apertado e uma inflação persistente mudaram as expectativas, que agora apontam forte chance de novo aumento de juros pelo Fed”, explica Rebecca Nossig, analista da Nomad.

Ela destaca que, com a expectativa de altas nos Fed Funds, os títulos públicos dos EUA (treasuries) oferecem rendimentos maiores, tornando-os opções mais seguras para investidores internacionais em comparação com ações de mercados emergentes, como o Brasil.

Isso explica a alta do dólar frente ao real e a queda na liquidez do mercado acionário brasileiro.

Segundo a ferramenta CME Fed Watch, 60% dos investidores esperam que o Fed eleve os juros na reunião de setembro.

O dólar tem se valorizado globalmente, com o índice DXY, que compara a moeda americana a uma cesta de seis moedas fortes, subindo 0,2% para 101,38 pontos.

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