O dólar fechou em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,1689 nesta sexta-feira, após ter ficado acima de R$ 5,20 nos últimos dias. Expertos dizem que o ambiente favorável às moedas de países emergentes e a melhora na bolsa local, devido a dados econômicos fracos que aumentaram a chance de corte na taxa Selic, ajudaram o real a se recuperar.
Com bolsas em Nova York fechadas pelo feriado de 4 de julho, a liquidez menor pode ter levado a uma variação maior no câmbio. Mesmo assim, o dólar quase anulou a alta da semana, ficando com aumento de apenas 0,03% no acumulado, e está 0,11% mais caro frente ao real nos primeiros dias de julho.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, comenta que o movimento do câmbio foi uma correção técnica após recente desvalorização do real. Além disso, o dado da produção industrial de maio, abaixo do esperado, indicou desaceleração na atividade econômica.
O índice DXY, que mede a força do dólar, ficou estável próximo a 100.900 pontos, com o iene caindo mais de 0,10% frente ao dólar, provocando apostas em intervenção do Banco do Japão. O Dollar Index fechou a semana com perda de 0,50%.
Francesco Pesole, estrategista do banco ING, aponta que o relatório de emprego dos EUA torna improvável duas altas de juros ainda este ano, mas o mercado espera pelo menos um aumento antes do índice de inflação ao consumidor (CPI) em 14 de julho. Ele prevê o DXY estabilizado entre 100.000 e 101.500 pontos.
Marcelo Bacelar, gestor da Azimut Brasil, acredita que o mercado de trabalho americano está acomodado, com salários crescendo menos que a inflação, o que pode levar a menos apostas em alta de juros. Segundo ele, isso pode valorizar moedas de economias emergentes, mas está neutro sobre o real devido a fatores políticos e do petróleo. Ele destaca ainda que recentes pesquisas eleitorais mostram enfraquecimento do senador Flávio Bolsonaro.
Bacelar destaca que dados domésticos como IPCA e Caged indicam possibilidade do Copom reduzir a taxa Selic, o que pode ser ruim para o real.
Bolsa
O Ibovespa teve a segunda alta semanal consecutiva, fechando no maior nível desde início de junho, para 174 mil pontos. A produção industrial fraca reforçou a chance de corte da Selic e animou o mercado. O índice subiu 0,74% no dia, acumulando 0,45% na semana e 8,03% no ano.
A maioria das principais ações valorizou-se, como Bradesco, BTG Pactual, Petrobras e Vale. Destaque para Ultrapar, que subiu 3,50% após interesse da canadense Couche-Tard na Ipiranga.
Bruna Centeno, advisor da Blue3 Investimentos, comenta que os investidores focaram no cenário de juros baixos devido ao feriado em Nova York e dados econômicos abaixo do esperado, o que traz maior otimismo para o mercado de ações.
Os dados da produção industrial de maio mostraram recuo de 0,2%, surpreendendo negativamente, indicando desaceleração rápida da economia, segundo especialistas.
Juros
Os juros futuros recuaram cerca de 10 pontos-base em taxas intermediárias e longas na B3, com a ponta curta abaixo de 14% em alguns momentos do dia. A liquidez menor, queda do dólar, dados econômicos fracos e sinalização de possível intervenção do Tesouro abriram espaço para correção após alta recente.
O contrato DI para janeiro de 2027 caiu para 14%, o de 2029 para 14,25%, e o de 2031 teve mínima de 14,385%.
Na semana, a curva a termo ficou mais inclinada, refletindo preocupações fiscais e menor chance de vitória do senador Flávio Bolsonaro, que poderia levar a uma política fiscal mais flexível.
Igor Campos, gestor da Armor Capital, diz que o movimento foi causado principalmente pela pouca liquidez e devolução de alta exagerada anterior. Destaca que declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, suportaram a queda dos juros, com possibilidade do Tesouro atuar para preservar liquidez.
Sergio Goldenstein, sócio da Eytse Estratégia, ressalta que o problema maior está na curva pré-fixada e sugere que o Tesouro deve ter mais ofertas para recompras antes de novos leilões.
O IBGE divulgou que a produção industrial caiu 0,2% entre abril e maio, mostrando desaceleração econômica.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, reforça que a atividade deve desacelerar mais no segundo trimestre.
Apesar disso, as expectativas para a próxima reunião do Copom se mantêm, com 72% de chance de corte de 0,25 ponto na taxa Selic.
