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DF: 37,6 mil pessoas estão na fila da consulta para cirurgia vascular

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Segundo a Defensoria Pública do Distrito Federal, existem 17.221 pedidos de ressonância ainda sem resposta

Milhares de brasilienses enfrentam uma longa fila para exames de ressonância magnética e consultas vasculares na rede pública do Distrito Federal. Segundo a Secretaria de Saúde, atualmente, existem 54.899 solicitações pendentes. Por um lado, 37.678 pessoas aguardam o diagnóstico de um cirurgião vascular. Ao mesmo tempo, existem 17.221 pedidos de ressonância sem resposta. Ao longo desse calvário, pacientes esperam por um, dois, até mesmo cinco anos.

A aposentada Auricéia Sampaio, de 46 anos, viveu a angustia da fila. A moradora do Paranoá enfrenta um câncer e, no fim de 2018, precisou pedir um exame de ressonância para mapear o melhor caminho para a quimioterapia. Havia o risco de metástase e, sem conseguir um horário, recorreu à Defensoria Pública do DF. No entanto, mesmo com a judicialização do caso, não recebeu atendimento. Sem opções, decidiu partir para o tratamento químico “às cegas”.

A ressonância saiu apenas no final da quimioterapia. Agora, Auricéia enfrenta um novo desafio: precisa fazer um exame de cintilografia para saber se a doença chegou aos ossos. Segundo a aposentada, as filas da saúde são revoltantes. “É uma situação horrível. As pessoas se sentem lesadas, porque temos nossos direitos e não conseguimos fazer pelo menos um exame, um tratamento digno”, desabafou.

Francisco Dutra/ Metrópoles

Segundo o coordenador do Núcleo de Saúde da Defensoria, Ramiro Sant’Ana, as filas para ressonância se estendem por até dois anos. O exame é fundamental para casos de ortopedia e tratamento de câncer. De acordo com o defensor, a espera por consultas para cirurgia vascular chega até cinco anos. Mesmo nos casos de pacientes em situação de urgência, classificados com risco amarelo, a fila chega a um ano. O procedimento é necessário para resolver desde varizes até trombose, além de acidente vascular cerebral (AVC).

“Basicamente, é uma negativa de acesso. Dizer a uma pessoa que uma consulta vai acontecer em um, dois, três, cinco anos é dizer não a ela efetivamente”, criticou. Segundo Sant’Ana, muitos tratamentos estão parados pela falta de diagnóstico, seja da ressonância ou de consulta vascular. “Isso é completamente inaceitável. Ninguém aceitaria entrar para uma fila de um exame, de uma consulta, que passe dos 60, 90 dias”, argumentou.

Neste contexto, o defensor ressaltou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina os prazos para o tratamento na iniciativa privada. O limite de espera para consulta é de 14 dias úteis. Exames para diagnóstico devem ser feitos em 10 dias. “Para lidar com essa possibilidade de tratamento diferente, mas ainda assim dar alguma dignidade para os pacientes do SUS, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) orientou os magistrados do Brasil para que considerem excessiva a espera a partir de 100 dias para consultas e exames e 180 dias para cirurgias”, ponderou.

Para tentar resolver esse problema crônico, que vem se acumulando a cada governo, a Defensoria Pública entrou com duas ações civis públicas coletivas na Justiça. Os processos cobram o mapeamento com detalhes de cada fila. Além disso, recomendam a regularização do sistema de atendimento, planejando e reforçando a rede pública para lidar com o desequilíbrio entre a oferta e a demanda dos atendimentos.

“Não dá para pedir para resolver a demanda reprimida sem antes fechar o problema que vem alimentando esse depósito de gente”, justificou. Na sequência, as peças solicitam ações para acabar com as filas. “A gente pede que o tempo máximo espera seja de 10 dias para exames e 14 para consultas. Ou que, na pior das hipóteses, se atribua os prazos do CNJ”, completou. A Justiça não concedeu tutela de urgência para as ações, mas a ainda não julgou o mérito das causas.

Na avaliação da especialista em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Carla Pintas, o governo deveria fazer uma inspeção da lista. Segundo ela, a Secretaria de Saúde precisa calcular quantos casos estão repetidos e quantos deixaram de existir. “Certamente, a fila está superestimada. É preciso limpá-la. E não adianta pensar em fazer um mutirão. Isso pode parecer bom para a opinião pública, mas vai gerar pouca resolutividade dos problemas dos pacientes”, sugeriu.

Segundo Carla Pintas, o GDF deveria remanejar as filas entre as regionais de Saúde para racionalizar o fluxo de atendimentos. Esse movimento foi iniciado na gestão passada, mas não foi bem recebido pelos servidores. “Temos que lembrar que a Secretaria de Saúde zerou recentemente outras filas, como o caso das mamografias”, contou. A especialista destacou que a regulação da atenção especializada, como são os casos da ressonância e das consultas vasculares, é um dos principais desafios do SUS. Nesse sentido, destacou que, apesar do drama da fila, a rede precisa atender os casos de urgência do dia a dia.

Do ponto de vista do presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Farid Buitrago Sánchez, a situação é inaceitável. “Não é razoável a pessoa esperar dois anos por uma ressonância”, pontuou. De acordo com o médico, a crise crônica das filas só será sanada quando o GDF reforçar a rede pública com pessoal, infraestrutura, insumos e equipamentos. “Não adianta simplesmente comprar um equipamento de ressonância novo. Se o governo fizer isso vai deixar o aparelho encaixotado em um corredor”, destacou.

Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Saúde informou apenas os números atualizados das filas. A pasta não quis se pronunciar sobre o problema nem apontar as soluções.

 

 

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Saúde

Dia D da campanha nacional de vacinação contra o sarampo acontece sábado

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No dia 19 de outubro de 2019, postos de saúde de todo o país estarão abertos para aplicar a vacina do sarampo às crianças de 6 meses a menores de 5 anos

O sábado, dia 19 de outubro, é uma oportunidade para proteger as crianças contra o sarampo. (Ilustração: Pedro Hamdan/SAÚDE é Vital)

A primeira fase da campanha nacional de vacinação contra o sarampo de 2019 terá seu Dia D neste sábado, 19 de outubro. Nessa data, os postos de saúde estarão abertos para dar a vacina contra esse vírus especificamente a crianças de 6 meses a 5 anos incompletos.

Os horários de abertura desses estabelecimentos variam de região para região. No estado de São Paulo, que concentra o maior número de casos confirmados, os pais terão das 8 às 17 horas para levar seus filhos.

O Dia D é especialmente importante porque, até o momento, a taxa de vacinação está baixíssima. Em São Paulo, ela não passou de 1% do público-alvo, de acordo com um relatório da Secretaria de Estado da Saúde. E essa fase da campanha está prevista para acabar no dia 25 de outubro, uma sexta.

Bebês menores de 1 ano que forem aos postos receber a picada continuarão precisando tomar as outras duas doses recomendadas no Calendário Nacional de Vacinação para obterem proteção prolongada contra o sarampo. Idealmente, elas devem ocorrer aos 12 e aos 15 meses de vida.

Já para menores de 6 meses, a vacina do sarampo é contraindicada. Para proteger os pequeninos, os pais devem evitar grandes aglomerações, higienizar bem os ambientes e, claro, exigir a vacinação de todo mundo que entrar em contato com eles. Ao notar sintomas suspeitos, como manchas avermelhadas, febre e coriza, vá ao médico.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil acumula 13 mortes em decorrência dessa enfermidade. Sete delas — mais da metade, portanto — ocorreram em menores de 5 anos. Entre os óbitos, apenas um paciente estava previamente imunizado.

A segunda fase da campanha começa no dia 18 de novembro e se concentra nos brasileiros de 20 a 29 anos. É um subgrupo da população com menores taxas de vacinação.

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Saúde

Senado aprova projeto que obriga SUS a fazer exames de câncer em 30 dias

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A matéria agora segue para sanção presidencial; proposta acrescenta a exigência em uma lei de 2012

Câncer: prazo passa a contar a partir de solicitação de um médico responsável (Chainarong Prasertthai/Getty Images)

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (16) o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 143/2018, que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direito a biópsia no prazo máximo de 30 dias, contados a partir do pedido médico. A matéria seguirá para sanção presidencial.

De autoria da deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), o projeto estabelece que o limite de até 30 dias valerá para os exames necessários nos casos em que a neoplasia maligna (termo médico que se refere aos tumores cancerígenos) seja a principal hipótese do médico.

A proposta acrescenta a exigência em uma lei de 2012 que já obriga o SUS a iniciar o tratamento em 60 dias a partir do diagnóstico do câncer. O projeto aprovado nesta quarta determina que, nos casos em que a principal hipótese seja a de tumor maligno, os exames necessários à confirmação da suspeita devem ser realizados em no máximo 30 dias.

O prazo passa a contar a partir de solicitação de um médico responsável.

Em abril, o projeto foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), sob a relatoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

“O momento da detecção do câncer impacta decisivamente a sua letalidade, ou seja, o percentual de pessoas acometidas que vêm a falecer por causa da doença. Afinal, pouco adianta instituir o tratamento para as neoplasias malignas no prazo de 60 dias contados a partir do diagnóstico da moléstia, se este é realizado tardiamente”, disse Trad, sendo apoiado pela senadora Zenaide Maia (Pros-RN).

A senadora Rose de Freitas (Podemos-ES) citou dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostrando que 300.140 novos casos foram registrados entre os homens e 282.450 entre as mulheres somente em 2018. Já os últimos dados de mortalidade por câncer disponíveis apontam para 107.470 homens e 90.228 mulheres no ano passado.

“Perdoem, meus companheiros, por ser tão exigente, mas é que o mesmo momento não se repete duas vezes na mesma vida de uma pessoa com câncer de mama. Com o diagnóstico ela tem chance; sem diagnóstico, nenhuma”, afirmou, destacando que o projeto é uma medida concreta de combate à doença, no mês da campanha de conscientização sobre o câncer de mama.

A referência ao Outubro Rosa foi feita também pela senadora Leila Barros (PSB-DF), que contou ter perdido a mãe vítima da doença.

“Isso tem que ser uma causa não só das mulheres, mas uma causa do Congresso Nacional. A gente tem que olhar com muito carinho não só no Outubro Rosa, mas todos os dias. A gente tem que dar atenção e as respostas devidas, principalmente às mulheres”, afirma.

 

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Saúde

Enquete: quantos dias por semana você come carne vermelha?

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Ela tem nutrientes importantes para o organismo, mas o exagero faz mal à sua saúde e ao planeta todo. Com que frequência você bota essa comida no prato?

Você come carne vermelha com frequência? (Foto: Alex Silva/A2 Estúdio)

Seja no churrasco de final de semana ou no almoço de dia comum, a carne está entre os alimentos que mais figuram na mesa do brasileiro. Porém, com discussões recentes sobre sustentabilidade e o crescimento da popularidade de dietas vegetarianas e veganas, muita gente passou a restringir ou até abolir esse item do cardápio. E você? Quantas dias come os cortes bovinos e suínos? Deixe seu voto no quadro abaixo:

Quantas vezes por semana você come carne vermelha?

Todos os dias
De 5 a 6 dias
De 3 a 4 dias
De 1 a 2 dias
Não como toda semana
Não como carne vermelha
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