A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) ainda não conseguiu acessar os vídeos das câmeras usadas pelos policiais nem os laudos das perícias da Operação Contenção, mesmo passados seis meses desde a ação. Esta operação policial é a mais letal da história do estado, resultando em 122 mortes, e a DPRJ vem acompanhando o caso para entender os acontecimentos.
Marcos Paulo Dutra, coordenador de Defesa Criminal do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da DPRJ, destaca que o principal problema é a falta de informações sobre o que aconteceu na mata, onde ocorreram as mortes. Ele afirma que até agora nada foi apresentado que confirme ou desconsidere a versão da polícia.
Apesar das determinações legais da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, ainda existem dificuldades para fiscalizar e investigar o trabalho policial. A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os arquivos recebidos do estado do Rio tinham problemas técnicos que impedem sua análise. Entre os problemas estão a impossibilidade de baixar as imagens, falta de formas para verificar a autenticidade dos arquivos digitais e falhas que impedem que sejam usados como prova.
Dutra explica que o material enviado foi considerado com falhas. As imagens das câmeras dos policiais militares não foram disponibilizadas, só as da Polícia Civil, o que impede uma análise técnica justa para responsabilizar possíveis abusos.
Segundo o Núcleo de Direitos Humanos, a operação não mudou a situação dos locais onde foi feita, motivo inicial da ação, e não trouxe benefícios para a comunidade, apenas mortes e falta de punição. A falta de acesso aos vídeos e laudos não é só um problema para esclarecer os fatos, mas também atrapalha o controle da atividade policial e o direito da população de saber o que ocorreu na operação mais letal do estado.
Quando questionada sobre o atraso na entrega dos vídeos das câmeras dos policiais militares envolvidos, a Polícia Militar encaminhou a pergunta à Secretaria de Estado de Segurança Pública. A Secretaria de Segurança e a Polícia Civil não deram respostas sobre os vídeos nem sobre os laudos feitos pelo Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto.
