LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no primeiro trimestre de 2026, aumentando em relação aos 5,1% registrados nos últimos três meses de 2025, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar desse aumento, a taxa de 6,1% é a menor já registrada para o período de janeiro a março desde o início da série histórica da Pnad Contínua, que começou em 2012.
O resultado ficou em linha com a previsão do mercado financeiro, que também esperava uma taxa de 6,1%, segundo levantamento da agência Bloomberg.
A pesquisa do IBGE considera tanto o emprego formal quanto o informal, incluindo trabalhadores com e sem carteira assinada ou CNPJ, e abrange pessoas com 14 anos ou mais.
É comum que o desemprego aumente no começo do ano, em parte porque muitas pessoas retomam a busca por emprego após o término de vagas temporárias, como as de Natal e Réveillon.
Para ser considerada desempregada, uma pessoa precisa estar procurando trabalho, não basta apenas estar sem emprego.
Embora emprego e renda estejam em trajetória de recuperação no país, a atividade econômica tem sido afetada pelos juros altos, o que pode desacelerar a criação de novas vagas ao longo do tempo.
Especialistas dizem que a taxa ainda baixa de desemprego resulta de vários fatores, sendo o principal o bom desempenho da economia impulsionado por políticas de estímulo do governo nos últimos anos.
Outro fator importante é a mudança na população, que está envelhecendo, fazendo com que parte das pessoas saia do mercado de trabalho e deixe de buscar emprego, diminuindo a pressão sobre a taxa de desemprego.
O mercado de trabalho também é influenciado pela criação de empregos ligados à tecnologia. Um estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) indicou que o trabalho por aplicativos contribuiu para reduzir o desemprego em 1 ponto percentual em 2025.
Em fevereiro, a taxa de desemprego móvel ficou em 5,8%, porém o IBGE não recomenda comparações diretas entre trimestres com meses repetidos, como entre o fim de fevereiro e o fim de março.
Tire suas dúvidas sobre desemprego
O que é desemprego?
Desemprego é quando pessoas com 14 anos ou mais não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentando encontrar uma vaga.
Para ser considerado desempregado, não basta não ter emprego, é necessário estar procurando trabalho.
Como funciona a Pnad Contínua?
É uma pesquisa que monitora o mercado de trabalho no Brasil. O IBGE entrevista cerca de 211 mil domicílios em todas as regiões do país a cada três meses, com cerca de 2.000 entrevistadores participando da coleta dos dados.
Como se mede a taxa de desemprego?
Ela é a porcentagem de pessoas na força de trabalho que estão sem emprego. A força de trabalho inclui desempregados e ocupados, que são aqueles que têm um trabalho, formal ou informal.
Por que a taxa de desemprego está baixa?
Isso se deve principalmente a um mercado de trabalho aquecido, resultado da atividade econômica recente no país. Além disso, mudanças demográficas e a expansão de empregos na área tecnológica ajudam a manter a taxa baixa, segundo analistas.
