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sábado, 02/05/2026

Crime organizado controla internet em 6 milhões de pessoas em 313 cidades

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Em uma reunião na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (29), representantes das operadoras de telecomunicações revelaram que o crime organizado tem controle sobre o acesso à internet em 313 cidades de seis estados do Brasil, afetando cerca de 6 milhões de pessoas. A região afetada é quase duas vezes maior que o estado de São Paulo.

Marcos Ferrari, presidente da Conexis Brasil Digital, explicou que as facções criminosas muitas vezes impedem de forma violenta que as empresas façam a manutenção das redes. “As empresas não conseguem entrar nas casas para realizar consertos. Há sequestro e vandalismo das redes que prejudicam tanto grandes quanto pequenos operadores, além de ameaças à vida dos trabalhadores”, disse.

Luiz Henrique Barbosa da Silva, presidente da Telcomp, citou o exemplo de Fortaleza (CE), uma das cidades mais afetadas. Em apenas uma semana, as facções passaram a controlar o serviço para 5% a 10% da população; menos de um mês depois, dominavam 25%. Atualmente, cerca de 500 mil dos 2 milhões de habitantes da cidade vivem em áreas controladas pelo crime.

Diante do rápido crescimento desse controle territorial, os representantes pedem ações urgentes. Eles sugerem classificar as redes de telecomunicações como infraestrutura crítica na Constituição, permitindo que o governo federal participe das investigações e do combate ao problema, além de criar um plano de inteligência coordenado.

Outras propostas incluem punições mais duras para crimes como sequestro de equipamentos de telecomunicações e venda ilegal de materiais roubados. Ferrari também mencionou o projeto de lei 3036/24, que exige que ferros-velhos comprovem a origem legal dos equipamentos.

O deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), que solicitou o debate, se comprometeu a apoiar projetos que tratem esses crimes com a mesma gravidade do tráfico de drogas, pois as facções usam o controle da internet para atividades ilícitas.

Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, defendeu que concessões de empresas ligadas ao crime sejam canceladas, desde que haja cooperação das polícias estaduais para as investigações e apresentação de provas.

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