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Copom decidiu aguardar dados sobre pandemia para definir alta dos juros

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É o que mostra a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira, quando foi definida a manutenção da taxa básica de juros no patamar de 2%, mínima recorde

Copom: desde agosto do ano passado, o Copom usava este instrumento para se comprometer a não elevar os juros desde que três condições fossem satisfeitas (Adriano Machado/Reuters)

Alguns membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central defenderam na semana passada que já fosse dado início à elevação da taxa básica de juros, mas a o entendimento predominante no colegiado foi de que, diante das incertezas, seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus.

É o que mostra a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira, quando foi definida a manutenção da taxa básica de juros no patamar de 2%, mínima recorde.

“As próximas divulgações serão muito informativas sobre a evolução da pandemia, da atividade econômica e da política fiscal. Sendo assim, os benefícios de se aguardar essas divulgações para decidir os próximos passos da política monetária se sobrepõem aos custos”, diz a ata.

O documento detalha a avaliação dos membros do Copom sobre o caráter heterogêneo da recuperação doméstica. Sobre o cenário internacional, a avaliação é de que, apesar dos riscos relacionados ao surgimento de novas variantes do vírus e do processo de “reflação” nos Estados Unidos, o ambiente ainda é favorável às economias emergentes.

Fim do forward guidance não implica em alta da Selic, diz BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou nesta terça-feira, 26, na ata de seu último encontro, que a retirada do forward guidance (prescrição futura, no jargão inglês) de sua comunicação não implicará em uma elevação mecânica da taxa de juros. Na semana passada, o colegiado manteve a Selic (a taxa básica da economia) em 2,00% ao ano, mas deu fim ao forward guidance.

Desde agosto do ano passado, o Copom usava este instrumento para se comprometer a não elevar os juros desde que três condições fossem satisfeitas: projeções de inflação abaixo da meta no horizonte relevante; manutenção do regime fiscal; e expectativas de longo prazo ancoradas. Na reunião de dezembro, o Copom já havia sinalizado que o forward guidance seria abandonado “em breve”. Foi o que ocorreu no encontro do Copom da semana passada.

“Em vista das novas informações, o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária. Como consequência, o forward guidance deixa de existir e a condução da política monetária seguirá, doravante, a análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva”, justificou o Copom na ata desta terça, repetindo ideia já contida no comunicado da semana passada.

Mais uma vez, o colegiado ressaltou que a retirada do forward guidance não implica uma elevação mecânica da Selic, já que as incertezas quanto à evolução da atividade econômica continuam demandando um estímulo monetário “extraordinariamente elevado”.

Mais explicações

O Copom alertou também, por meio da ata, que a retirada do forward guidance adotado desde a reunião de agosto ocorreu devido à queda de apenas uma das suas três condicionantes. “As expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária”, reiterou o colegiado.

As demais condições que faziam parte do forward guidance seguem satisfeitas, já que, segundo o Copom, o regime fiscal não foi alterado e as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas.

Mais uma vez, o BC explicou que, com a interrupção do forward guidance, a condução da política monetária passa a seguir a análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva.

A ata lembra ainda que, no cenário básico, as projeções de inflação estão ao redor da meta no horizonte relevante, mas repete que os riscos fiscais geram um “viés de alta” nessas estimativas, “potencialmente justificando trajetória com elevação dos juros anterior à assumida sob esse cenário”.

 

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Economia

Receita adia para 31 de maio prazo da declaração do IRPF 2021

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Prazo acabaria em 30 de abril, mas foi estendido em virtude da pandemia de covid-19

(crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil)

A Receita Federal do Brasil estendeu o período de entrega da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) por 30 dias. O prazo foi adiado de 30 de abril para 31 de maio por conta da pandemia de covid-19.

O adiamento do prazo vinha sendo solicitada por contadores e pelo Congresso Nacional e foi confirmada nesta segunda-feira (12/04) pela Receita Federal, por meio da publicação da Instrução Normativa nº 2.020 no Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com a Receita, com o adiamento, poderão ser entregues até 31 de maio a declaração anual do IRPF, mas também a declaração final de espólio e a declaração de saída definitiva do país. O vencimento do pagamento do imposto relativo às declarações também ficou para o fim de maio.

“As prorrogações foram promovidas como forma de suavizar as dificuldades impostas pela pandemia do Coronavírus (Covid-19). A medida visa proteger a sociedade, evitando que sejam formadas aglomerações nas unidades de atendimento e demais estabelecimentos procurados pelos cidadãos para obter documentos ou ajuda profissional. Assim, a Receita Federal contribui com os esforços do Governo Federal na manutenção do distanciamento social e diminuição da propagação da doença”, informou o órgão em nota.

Balanço

Segundo o último balanço da Receita Federal, um em cada três brasileiros que precisam prestar contas com o Leão ainda não apresentaram a declaração anual do IRPF 2021. Neste ano, o governo espera 32 milhões de declarações. Porém, até sexta-feira (09/04), só 11,8 milhões de declarações haviam sido entregues.

Sem o adiamento do prazo, anunciado nesta segunda-feira, mais de 20 milhões de brasileiros poderiam ter que correr para apresentar a declaração até 30 de abril. Contadores, no entanto, dizem que muitas pessoas têm tido dificuldades de recolher os documentos necessários à declaração por conta das medidas de isolamento social impostas pelo novo coronavírus.

Por conta disso, o Congresso Nacional vem defendendo um adiamento até maior que o aprovado pela Receita. Projeto aprovado na semana passada pelo Senado, que aguarda a votação da Câmara, propõe que a declaração anual do IR vá até 31 de julho neste ano. No ano passado, a declaração foi estendida até 30 de junho por conta da pandemia de covid-19.

O governo lembrou, no entanto, que “para facilitar ainda mais o acesso do cidadão às informações, a Receita Federal disponibiliza diversos serviços que podem ser obtidos sem sair de casa. Acessando o e-CAC com uma conta gov.br, o cidadão tem acesso, por exemplo, aos seus comprovantes de rendimentos informados em DIRF pelas fontes pagadoras, à cópia da última Declaração de Imposto de Renda entregue e à Declaração Pré-Preenchida”.

Débito automático

Com o adiamento do prazo de entrega da declaração anual do IRPF, os brasileiros que deseham pagar o imposto devido ao Leão por meio do débito automático desde a primeira cota têm até 10 de maio para fazer a declaração e esta solicitação. Segundo a Receita, “quem enviar a declaração após esta data deverá pagar a 1ª cota por meio de DARF, gerado pelo próprio programa, sem prejuízo do débito automático das demais cotas. “Para aqueles que não optarem pelo débito automático, os DARFs de todas as cotas poderão ser emitidos pelo programa ou pelo Extrato da Declaração, disponível no Centro Virtual de Atendimento (e-CAC), acessado através do site da Receita Federal em www.gov.br/receitafederal”, acrescentou.

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Mercado eleva projeção de inflação para 4,85% e vê alta menor do PIB

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Expectativa de crescimento do PIB recuou para 3,08% neste ano e a projeção para a Selic ao final de 2021 subiu a 5,25%, de 5,00% antes

Edifício-Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília (./Exame)

O mercado passou a ver ainda mais aperto monetário neste ano, em um ambiente de expectativa maior para a inflação e crescimento menor, de acordo com a Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central.

O levantamento mostrou que a projeção para a Selic ao final de 2021 subiu a 5,25%, de 5,00% antes. Com a taxa básica atualmente em 2,75%, os especialistas calculam uma alta de 0,75% ponto na Selic na próxima reunião do BC, em maio, subindo a 3,5%.

Para o final de 2022, a projeção para a Selic continua sendo de 6,0%.

Os economistas consultados também voltaram a elevar as expectativas para a inflação, calculando a alta do IPCA respectivamente em 4,85% e 3,53% em 2021 e 2022, de 4,81% e 3,52% antes.

Ambas as expectativas ficam acima do centro da meta oficial — em 2021 ela é de 3,75% e para 2022 é de 3,50%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento neste ano caiu a 3,08%, de 3,17% antes. Para o ano que vem, continua em 2,33%

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Petrobras reduz preço do diesel em 3,2%; gasolina não sofre alteração

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Valor do diesel para as distribuidoras será de R$ 2,66 por litro

Esta é a segunda redução consecutiva nos preços do diesel vendido pela companhia às distribuidoras (Sol de Zuasnabar Brebbia/Getty Images)

A Petrobras anunciou hoje a segunda redução do preço do diesel no ano. A partir de amanhã, o preço do combustível nas refinarias vai cair para R$ 2,66 por litro. É uma redução de cerca de 3,2% ou R$ 0,08 por litro. Desde janeiro deste ano, o diesel acumula alta de 31,6%, como resultado de cinco altas e, agora, duas quedas.

O valor da gasolina não sofreu alterações. A redução do diesel acontece na mesma semana em que a Petrobras anunciou alta de 39% para o gás canalizado, o que voltou a desagradar o presidente Jair Bolsonaro. Em evento em Foz do Iguaçu (PR), classificou o aumento de “inadmissível”.

A Petrobras disse que os preços buscam equilíbrio com o mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e da taxa de câmbio, para cima e para baixo. “Os reajustes são realizados a qualquer tempo, sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise do ambiente externo”.

Isso possibilita a companhia competir de maneira mais eficiente e flexível e evita o repasse imediato da volatilidade externa para os preços internos. A estatal cita o bloqueio do Canal de Suez, “cujo efeito sobre os preços internacionais não impactou os preços de combustíveis no Brasil”.

A estatal disse ainda que os preços praticados pela Petrobras, e suas variações para mais ou para menos associadas ao mercado internacional e à taxa de câmbio, têm influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores finais.

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Parlamentares terão controle de mais da metade dos investimentos federais

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Dos R$ 55,5 bi reservados para execução de obras e compra de equipamentos públicos, R$ 27,2 bi em verbas são oriundos das emendas de deputados e senadores

Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Congresso terá controle de mais da metade dos investimentos federais neste ano, conforme o Orçamento aprovado pelos parlamentares e pendente de sanção do presidente Jair Bolsonaro. Dos R$ 55,5 bilhões reservados para execução de obras e compra de equipamentos públicos, R$ 27,2 bilhões em verbas, ou seja, 52% do total, receberam a digital dos deputados e senadores por meio das emendas parlamentares. É a primeira vez que isso ocorre. Em anos anteriores, a maior parte do dinheiro ficava nas mãos do governo.

Quando os recursos são destinados por emendas parlamentares, o governo precisa repassar o valor conforme a indicação definida pelo congressista. Não é possível, por exemplo, construir um hospital com uma emenda aprovada para pavimentação de uma rua. Além disso, o pagamento é obrigatório. A regra pressiona o Executivo em um cenário de Orçamento apertado e exigência do teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior. O momento da liberação é determinado pelos ministérios, o que coloca essas verbas no centro de uma articulação política em troca de apoio do Legislativo.

Bolsonaro avalia vetar parte do Orçamento para recompor despesas obrigatórias, como da Previdência Social, que foram reduzidas pelo Legislativo para turbinar as verbas de caráter eleitoral. Se isso ocorrer, o patamar de investimentos nas mãos dos parlamentares deve cair.

O diretor da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, Wagner Primo, diz que é possível que o aumento observado em 2021 nas emendas do relator-geral do Orçamento seja revertido com o ajuste das despesas obrigatórias. “Então, ao invés de R$ 52 bilhões (em investimentos) deve ficar em por volta de R$ 40 bilhões no máximo”, estima.

O Congresso aumentou o controle sobre o Orçamento gradativamente nos últimos anos. O total de investimentos federais diminuiu de R$ 82 bilhões em 2014 para R$ 52,2 bilhões em 2021, em função da crise fiscal e do teto de gastos. Os investimentos para emendas parlamentares, por outro lado, foram na contramão e dispararam de R$ 7,6 bilhões para R$ 27 bilhões nesse período.

Houve um salto significativo em 2020, após a criação das emendas de relator e comissões. Além disso, as verbas de bancadas estaduais passaram a ser impositivas há dois anos, caráter anteriormente dado apenas às emendas individuais, aquelas indicadas por cada deputado e senador.

Paralisação de obras

O Orçamento aprovado pode na prática paralisar obras de infraestrutura no País, de acordo com o economista e sócio fundador da Inter.B Consultoria, Claudio Frischtak. Ele classificou a peça orçamentária como “terrível”. “Fragmentar o Orçamento, alocando recursos de uma forma quase arbitrária, ou centralizar recursos sem fazer um cálculo realista com o mínimo de precisão de taxa social de retorno são dois erros que podem e devem ser evitados”, afirmou.

Em 2019, o Tribunal de Contas da União apontou 14 mil obras paralisadas em todo o País, 37,5% dos empreendimentos analisados pelo órgão. Os empreendimentos parados envolviam recursos na ordem de R$ 144 bilhões. “O que vai acontecer é o que o TCU constatou em 2019: dezenas de milhares de obras paralisadas porque começam e depois faltam recursos. Com esse Orçamento terrível, isso pode se repetir.”

Só de emendas de relator ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), foram colocados ao menos R$ 7,1 bilhões de última hora para ações pelo País que, por sua vez, não foram especificadas. O montante é parte dos R$ 11,5 bilhões enviados pelo relator do Orçamento, Marcio Bittar (MDB-AC), à pasta, que representam mais de um terço de todos os recursos sob direção exclusiva do senador.

Segundo o projeto aprovado pelo Congresso, R$ 4,2 bilhões das emendas de relator vão para uma ação do MDR chamada de “Apoio a Projetos de Desenvolvimento Sustentável Local Integrado”. No parecer de Bittar, a localidade beneficiada é genérica, colocada apenas como “nacional”, o que significa que o recurso pode ir para qualquer lugar do Brasil. O cenário se repete na escolha do relator ao direcionar R$ 2,9 bilhões ao “Apoio à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano Voltado à Implantação e Qualificação Viária”, também do MDR.

Diretor da Associação Contas Abertas, o economista Gil Castello Branco alerta para o perfil “gerador de votos” desses empreendimentos. “Veja o porquê de tantas emendas para esta ação. Trata-se de uma ação com finalidades diversificadas, muito amplas e que geram votos. Em plena pandemia, é incrível que esta ação possua mais recursos do que todos os investimentos em saúde”, afirmou.

Questionado sobre as escolhas, Bittar não respondeu. A reportagem perguntou ao ministério se a pasta estipulou quais são exatamente os projetos que receberão os R$ 7,1 bilhões das duas ações citadas, mas não obteve resposta.

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Economia

Governo não gastou R$28,9 bi autorizados para auxílio emergencial em 2020

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Valor faz parte dos R$ 80,7 bilhões para ações de combate à pandemia que não foram usados. Na avaliação do Inesc, sobra é resultado de deficiências de gestão

App DO auxílio emergencial do governo, pago por meio da Caixa (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O governo federal não gastou R$ 28,9 bilhões dos recursos autorizados para o auxílio emergencial no ano passado. O valor corresponde a mais de um terço dos R$ 80,7 bilhões do orçamento destinado ao combate à pandemia da Covid-19 que não foi executado no ano anterior.

Os números foram destacados no estudo “Um país sufocado – Balanço do Orçamento Geral da União 2020”, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), publicado nesta quarta-feira.

A avaliação da entidade é de que, aliado ao discurso de contenção do gasto público, o governo demorou muito a aplicar os recursos que foram separados para mitigação de efeitos da pandemia.

No caso do auxílio emergencial, dos R$ 322 bilhões autorizados, só foram efetivamente pagos R$ 293 bilhões, destaca o levantamento.

Sobre equivalente a um ano de Bolsa Família

Livi Gerbase, assessora política do Inesc, lembra que a “sobra” de recursos é equivalente aos gastos de um ano do programa Bolsa Família, que custou em média R$ 30 bilhões até o período anterior à Covid-19.

— Os recursos demoraram muito tempo para chegar nas mãos das pessoas que precisaram e acabou sobrando dinheiro, inclusive do auxílio emergencial, porque houve uma redução do benefício. Essa redução, que foi sentida no fim do ano com reflexo de aumento de pobreza, poderia ter sido menor – argumenta, fazendo referência à diminuição do benefício, que passou de cinco parcelas de R$ 600 para quatro de R$ 300.

Os quase R$ 29 bilhões que não foram gastos no ano passado equivalem a 66% do orçamento reservado para o pagamento do auxílio emergencial em 2021, que estabeleceu limite bem mais baixo que o do ano passado: R$ 44 bilhões foram destinados para essa despesa na proposta de emenda à Constituição (PEC) Emergencial, resultando em benefícios bem mais baixos que os do ano passado.

Auxílio é única ação já retomada

A analista pondera que em 2020 o auxílio emergencial foi a principal medida política de combate à pandemia, que consumiu mais da metade dos recursos extraordinários, mas estava inserida em um contexto de mais planos de mitigação.

Para esse ano, a demora em pagar o benefício diante do recrudescimento da pandemia e a não retomada de ações como o programa de manutenção do emprego e renda (BEm) e as linhas de financiamento para as empresas, tornam o cenário mais delicado.

O governo já confirmou que vai reeditar esses programas, mas ainda falta definição de fontes de financiamento. O impassem em relação à sanção do orçamento também provoca mais atrasos.

— O auxílio emergencial vai ser muito mais necessário porque a crise econômica e a crise sanitária se mantêm, e o auxílio fica sendo o último colchão de proteção, já que não temos a manutenção de outras políticas – analisa.

O problema, neste caso, é o novo valor do benefício. Para caber no limite de R$ 44 bilhões, o novo auxílio emergencial será pago a menos pessoas e terá valores menores.

O benefício médio será de R$ 250, sendo que pessoas que moram sozinhas receberão R$ 150 e mulheres chefes de família, R$ 375. O Inesc defende que o governo retome os pagamentos de R$ 600 até o fim da pandemia.

— Esse auxílio emergencial não permite isolamento, quarentena. Ele é realmente muito aquém do que as pessoas necessitam. A campanha pelos R$ 600 até o fim da pandemia é porque entendemos que as necessidades básicas da população são mais importantes do que as regras fiscais – defende, lembrando que, apesar da sobra de recursos de 2020, não houve uma programação para evitar o hiato no pagamento este ano porque o governo tinha convicção do arrefecimento da situação sanitária.

O Instituto fez outras recomendações, além da ampliação do valor do auxílio emergencial. Para o Inesc, é preciso acabar com o teto de gastos e revisar as regras fiscais vigentes no país, manter as políticas monetárias e fiscais expansionistas, promover uma reforma tributária progressiva e fiscalizar mais e controlar melhorar a execução de gastos de enfrentamento à pandemia.

Gastos lentos na Saúde

Além das sobras dos recursos autorizados para uso em ações de combate à pandemia, o Inesc também destacoua lentidão na execução dos gastos da saúde.

O levantamento aponta que, para enfrentamento do coronavírus, foram autorizados R$ 65,5 bilhões, entre créditos extraordinários e remanejamento de recursos, mas apenas cerca de R$ 40 bilhões foram efetivamente pagos, o que reverberou no colapso no sistema de saúde.

Um ponto problemático, que tem ligação com a atual situação sanitária, é a demora para liberação de recursos para aquisição de vacinas.

— Os recursos para a vacinação foram liberados em dezembro de 2020, mas não teve um plano de vacinação com recursos, com compras antecipadas, com contratos. A gente recusou vacinas e agora tem o recurso, e não tem doses. A vacinação está muito lenta – avalia a analista.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vem afirmando reiteradamente que a melhor política econômica que o país pode executar agora é a vacinação em massa. A expectativa do governo é de que, nos próximos meses, se alcance um nível de vacinação com aplicação de 1 milhão de doses diárias.

O atual ritmo de vacinação não é promissor. O painel Monitora Covid-19, da Fiocruz, aponta que 12,44% dos brasileiros já receberam a primeira dose da vacina. O percentual de imunizados com as duas doses cai para 3,48%. A Fiocruz estima 634 dias – cerca de um ano e sete meses – para a aplicação da primeira dose. Para a imunização completa, a estimativa sobre para 1.724 dias.

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Endividamento e salário reduzido: Confira perigos do aumento no limite do empréstimo consignado

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Presidente Jair Bolsonaro sancionou na última terça-feira, 30, a lei que amplia a margem do crédito de 35% para 40%; especialistas alertam quais são os cuidados para quem deseja tomar essa linha

Em meio à crise econômica, trabalhadores têm recorrido ao consignado com maior frequência

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou na última terça-feira, 30, a lei que amplia a margem do empréstimo consignado de 35% para 40% para a contratação por servidores públicos, militares, aposentados e pensionistas do INSS. Segundo o secretário de Previdência, Narlon Gutierre, a medida em vigor até o final deste ano facilita a operação de crédito com taxas mais acessíveis, sobretudo em meio à crise econômica desencadeada pela pandemia de Covid-19. Já que é descontado direto da folha de pagamento do solicitante, muitas vezes o consignado é entendido como uma alternativa simples de empréstimo. No entanto, seu uso deve ser realizado com cautela para que as finanças não saiam do controle, como alerta o analista financeiro e co-fundador da Escola de Investimentos, Rodrigo Cohen.

“Desde que saibam usá-lo, as pessoas podem entender o aumento da margem do crédito consignado como algo bom. A ampliação de 5% destina-se exclusivamente a dois casos: pagamento de despesas acumuladas por cartão de crédito e utilização com finalidade de saque através, também, do cartão de crédito. Ao comparamos a taxa do consignado, cerca de 1,8%, com as do cheque especial e cartão de crédito – que podem chegar a 10% e 20%, observamos que é possível arcar com tarifas muito inferiores optando pelo consignado. Por isso, usado de maneira saudável, a ampliação do crédito pode reduzir o endividamento e tranquilizar as famílias neste momento de crise. No entanto, se o solicitante pensar nestes 5% como um meio de sacar mais dinheiro e elevar os gastos, pode acabar dando um tiro no pé com a acumulação de dívidas”, explicou Cohen. Antes mesmo da pandemia, o modelo de empréstimo consignado expandia-se fortemente – ao ponto de se consolidar como uma das principais formas de endividamento da população. Já em meio à atual crise econômica, trabalhadores têm recorrido com maior frequência à linha de crédito.

Para evitar que as despesas não se tornem uma “bola de neve”, o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN), Reinaldo Domingos, analisou que algumas medidas devem ser adotadas pelo solicitante do empréstimo. “O primeiro passo a ser dado é mapear todos os gastos mensais para conhecer a fundo sua real situação financeira. Ainda antes de buscar pelo crédito, é preciso ter consciência de que o custo de vida deverá ser reduzido em até 40% do ganho mensal já que o consignado diminuirá seu pagamento diretamente do salário ou do benefício de aposentadoria. Desta forma, quem considera tomar o crédito precisa analisar se o valor debitado em parcelas não fará falta para os compromissos essenciais mensais”, disse Reinaldo. Caso decida-se pelo crédito, os cuidados devem permanecer enquanto este for utilizado. “O consignado não deve fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado. O seu uso precisa acontecer de forma pontual e ter objetivos relevantes”, concluiu o presidente da ABEFIN.

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terça-feira, 13 de abril de 2021

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