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Economia

Contas externas têm saldo positivo de US$ 2,79 bilhões em junho

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Déficit na conta de serviços manteve trajetória de retração, diz BC

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

As contas externas tiveram saldo positivo de US$ 2,791 bilhões em junho, informou hoje (27) o Banco Central (BC). No mesmo mês de 2020, também houve superávit de US$ 3,056 bilhões nas transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o resultado é ligeiramente inferior ao registrado no ano passado em razão do aumento do déficit na conta de serviços, em especial de viagens, e do aumento das despesas líquidas com rendas primárias (lucros e dividendos). “E esses dois fatores foram contrabalançados pelo aumento do superávit comercial”, explicou.

“Tanto o aumento dos déficits com viagens quanto com lucros e dividendos são consistentes com a trajetória de recuperação da economia [após os efeitos críticos da pandemia de covid-19]”, complementou Rocha, no caso, o aumento da demanda por serviços, com as viagens de brasileiros para fora do país, e das transações de empresas estrangeiras no país que remetem lucros ao exterior.

Em 12 meses, encerrados em junho, houve déficit em transações correntes de US$ 19,637 bilhões, 1,27% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país), ante o saldo negativo de US$ 19,372 bilhões (1,27% do PIB) em maio de 2021 e déficit de US$ 53,751 bilhões (3,25% do PIB) no período equivalente terminado em junho de 2020.

No acumulado do ano, o déficit é de US$ 6,975 bilhões, contra saldo negativo de US$ 13,261 bilhões de janeiro a junho de 2020.

Balança comercial e de serviços

Segundo o BC, as exportações de bens totalizaram US$ 29,100 bilhões em junho, aumento de 65,4% em relação a igual mês de 2020. As importações somaram US$ 21,812 bilhões, incremento de 81,1% na comparação com junho do ano passado. Com esses resultados, a balança comercial fechou com superávit de US$ 7,288 bilhões no mês passado, ante saldo positivo de US$ 5,878 bilhões em junho de 2020.

A autarquia destacou , no mês passado, o registro de exportações de US$ 791 milhões (US$ 37 milhões em junho de 2020) e de importações de US$ 2,5 bilhões (US$ 221 milhões em junho de 2020) no âmbito do Repetro. O Repetro é o regime aduaneiro especial, que suspende a cobrança de tributos federais, de exportação e de importação de bens que se destinam às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural, principalmente as plataformas de exploração.

O déficit na conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, entre outros) manteve a trajetória de retração, com saldo negativo de US$ 1,614 bilhão em junho, ante US$ 1,041 bilhão em igual mês de 2020.

No caso das viagens internacionais, as receitas de estrangeiros em viagem ao Brasil chegaram a US$ 228 milhões, enquanto as despesas de brasileiros no exterior ficaram em US$ 449 milhões. Com isso, a conta de viagens fechou o mês com déficit de US$ 221 milhões, ante déficit de US$ 72 milhões em junho de 2020.

De acordo com Rocha, esta é uma conta muito sensível aos efeitos da pandemia e das taxas de câmbio. Após uma longa redução das viagens de brasileiros ao exterior, agora vê-se o aumento de tais despesas, o maior desde março de 2020, mês já impactado pela pandemia, que foi de US$ 612 milhões.

Por outro lado, lembrou Rocha, no ano de 2019 , essas despesas chegavam, em média, a US$ 1,5 bilhão. “O resultado mostra que há recuperação, mas ainda muito longe dos padrões pré-pandemia, na conta de viagens internacionais.”

Rendas

Em junho de 2021, o déficit em renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) chegou a US$ 3,119 bilhões, contra US$ 2,011 bilhões no mesmo mês de 2020. No caso dos lucros e dividendos, houve aumento do déficit de US$ 228 milhões para US$ 1,584 bilhão na comparação interanual do mês de junho, o que, segundo Rocha, também aponta para a normalização da atividade econômica.

Ele explicou que essa conta sempre é deficitária, já que há mais investimentos de estrangeiros no Brasil, que remetem os lucros para fora do país, do que de brasileiros no exterior, e que receitas e despesas estão crescendo em relação aos patamares muito baixos do ano passado. “Dessa forma, devemos esperar maior contribuição dos lucros e dividendos para a redução do superávit corrente à medida que a economia se recupera”, disse.

A conta de renda secundária (gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 235 milhões, contra US$ 229 milhões em junho de 2020.

Investimentos

Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 174 milhões no mês passado, ante US$ 5,165 bilhões em junho de 2020. O BC destaca que houve ingressos líquidos de US$ 2,468 bilhões em participação no capital. Por outro lado, as saídas líquidas em operações intercompanhia (como o pagamento de empréstimos da filial no Brasil para a matriz no exterior) somaram US$ 2,294 bilhões.

Além disso, de acordo com Rocha, a conta de lucros reinvestidos no país também foi menor, o que contribui para a redução do IDP. Para o diretor do Departamento de de Estatísticas do BC, esses fatores são normais nas empresas estrangeiras, que podem remeter os lucros para a matriz ou reinvestir no Brasil, e acontecem algumas vezes dentro da série histórica.

Nos 12 meses encerrados em junho de 2021, o IDP totalizou US$ 46,629 bilhões, correspondendo a 3,02% do PIB, em comparação a US$ 51,619 bilhões (3,38% do PIB) no mês anterior e US$ 65,826 bilhões (3,98% do PIB) em junho de 2020.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo e costumam ser investimentos de longo prazo. Para o mês de julho de 2021, a estimativa do Banco Central para o IDP é de ingressos líquidos de US$ 4,7 bilhões.

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 352,486 bilhões em junho de 2021, diminuição de US$ 962 milhões em comparação ao mês anterior. O resultado decorreu de retornos líquidos de US$ 870 milhões em linhas com recompra e variações negativas de US$ 1,880 bilhão e de US$ 580 milhões em paridades e preços, respectivamente. A receita de juros atingiu US$ 423 milhões.

Revisão 2020

Nesta terça-feira, o BC também apresentou os resultados da pesquisa de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) do ano passado, com um estoque de US$ 558 bilhões de investimentos brasileiros fora do país em 31 de dezembro de 2020. A partir desses e de outros dados, o BC faz a revisão das estatísticas do setor externo.

Para o ano de 2020, o efeito líquido total desta revisão ordinária elevou em US$ 1,8 bilhão o déficit em transações correntes, de US$ 24,1 bilhões (1,7% do PIB) para US$ 25,9 bilhões (1,8% do PIB).

O déficit na conta de renda primária de 2020 foi revisado de US$ 38,2 bilhões para US$ 39,7 bilhões. O BC destaca os lucros de investimento direto no exterior (receita de lucros) e no Brasil (despesa de lucros). De acordo com Rocha, os dados indicam que os efeitos da pandemia foram menores do que as estimativas anteriores, especialmente na lucratividade das empresas brasileiras que atuam no exterior.

As receitas somaram US$ 13,1 bilhões em 2020, US$ 9,7 bilhões acima da estimativa de US$ 3,4 bilhões anterior ao resultado do CBE anual em 2020. As estimativas das despesas de lucros de investimento direto foram revisadas para US$ 28,8 bilhões em 2020, US$ 10,8 bilhões acima da estimativa de US$ 17,9 bilhões.

A revisão também aumentou em US$ 10,5 bilhões o ingresso líquido de IDP em 2020, de US$ 34,2 bilhões (2,4% do PIB) para US$ 44,7 bilhões (3,1% do PIB), fundamentalmente em função do maior volume de lucros reinvestidos pelas empresas estrangeiras no país. Agência Brasil

 

Economia

Preço do barril de petróleo pode ultrapassar US$ 80 por crise de energia

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Crise de energia global, com cotação do gás em elevação devido ao aumento da demanda e baixa nos estoques, deve impulsionar petróleo, prevê Vitrol

Preço do barril de petróleo deve passar de US$ 80 por causa de crise de energia (Getty Images/Getty Images)

A Vitol, maior trading independente de petróleo do mundo, prevê um aumento extra da demanda global por petróleo de 500 mil barris por dia no inverno do hemisfério norte devido à crise de energia gerada pela falta de gás, o que acelera a corrida por outros combustíveis.

O petróleo deve ultrapassar US$ 80 o barril, em parte porque os preços mais altos do gás impulsionam a demanda, disse o CEO da Vitol, Russell Hardy, em entrevista de Londres na quinta-feira. Esse cenário poderia levar os produtores da Opep+ a adicionarem mais oferta ao mercado, disse.

“A demanda pode nos surpreender positivamente por causa da troca de energia? Sim.” disse Hardy. “É provável que haja meio milhão de barris por dia de demanda extra por causa do preço do gás? Provavelmente, durante o inverno.”

A visão otimista de Hardy ecoa a do Goldman Sachs, que projeta preços mais altos para o petróleo, especialmente se os meses de inverno forem mais frios do que o normal. Tradings têm avaliado o provável impacto de um mercado de gás natural cada vez mais apertado no complexo de energia mais amplo durante o inverno que se aproxima.

Os estoques de gás na Europa devem corresponder a cerca de 78% dos níveis normais em outubro, um sinal de mercado apertado nos meses mais frios, quando a demanda aumenta, disse Hardy.

Demanda global

O aperto nos estoques de gás coincide com a forte demanda global, com países como Paquistão, Bangladesh, Índia e China em busca de combustíveis mais limpos em oleodutos e sistemas de energia, disse Hardy.

Isso significa que o gás continuará caro, incentivando a compra de combustíveis alternativos, como gás liquefeito de petróleo ou nafta para o setor de energia ou uso industrial, de acordo com Hardy. O gás, por exemplo, é negociado a cerca de US$ 1.200 a tonelada, enquanto o GLP custa apenas cerca de US$ 750 a tonelada, disse.

Embora a demanda global por petróleo ainda esteja cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2019 – principalmente devido ao menor consumo de combustível de aviação – essa lacuna diminuirá constantemente, disse o CEO. Hardy espera que a demanda retorne aos níveis de 2019 até meados do próximo ano, enquanto o pico de demanda chegará mais perto de 2030.

A coalizão Opep+ está “microgerenciando” o mercado de petróleo e usará o aumento de produção planejado para manter os preços sob controle, avalia o executivo.

“Está finalmente equilibrado para os próximos seis meses”, disse Hardy. “Não estamos preocupados com a demanda no longo prazo, sabemos que voltará de forma constante.”

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Caixa paga 6ª parcela do auxílio emergencial a nascidos em abril

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Benefício também será pago a inscritos no Bolsa Família com NIS 6

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Trabalhadores informais nascidos em abril recebem hoje (24) a sexta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também hoje, recebem a sexta parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 6. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. Ele é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada (veja abaixo guia de perguntas e respostas).

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial – Caixa/Divulgação

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da sexta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou no último dia 17 e segue até o dia 30. O auxílio emergencial somente é depositado quando o valor é superior ao benefício do programa social.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família – Divulgação/Caixa

Em todos os casos, o auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio. Agência Brasil

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Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em março

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Benefício também será pago a inscritos no Bolsa Família com NIS 5

© Marcello Casal jr/Agência Brasil.

Trabalhadores informais nascidos em março recebem hoje (23) a sexta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício tem parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro é depositado nas contas poupança digitais e pode ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta corrente.

Também hoje, recebem a sexta parcela do auxílio emergencial os participantes no Bolsa Família com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5. As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas em agosto.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros estão sendo beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. O auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial – Caixa/Divulgação

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da sexta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou no último dia 17 e segue até o dia 30. O auxílio emergencial somente é depositado quando o valor for superior ao benefício do programa social.

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família

Calendário de pagamento da sexta parcela do auxílio emergencial para beneficiários do Bolsa Família – Divulgação/Caixa

Em todos os casos, o auxílio é pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio. Agencia Brasil

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Reajuste salarial fica abaixo da inflação em agosto

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Informação é do boletim Salariômetro, divulgado pela Fipe

© Marcello Casal JrAgência Brasil.

No mês de agosto, o reajuste salarial mediano no país ficou 1,4 ponto percentual abaixo da inflação, considerando como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Apenas 9,5% das negociações resultaram em ganhos reais, de acordo com o boletim Salariômetro, divulgado hoje (23) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O reajuste médio negociado foi de 8,5% em agosto, enquanto o INPC, no acumulado de 12 meses, ficou em 9,9%. O piso salarial mediano – modelo que corrige discrepâncias – negociado foi de R$ 1.255 em agosto, enquanto o piso médio foi de R$ 1.396.

O Salariômetro analisa os resultados de 40 negociações salariais coletivas, que são depositados no Portal Medidor, do Ministério da Economia.

Não houve aumento mediano real como resultado das negociações em nenhum dos últimos 12 meses, conforme a fundação. Desde setembro do ano passado, o índice tem oscilado de -1,4% a zero.

Segundo a Fipe, a inflação projetada para as próximas datas-base ficará perto dos 10%, o que deverá comprimir o espaço para ganhos reais no futuro.

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Economia

Previsão de chuva nas estações do ano estão negativas

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Inmet diz que não há previsão de recuperação do nível dos reservatórios até fevereiro de 2022; Brasil aumenta compra de GNL dos EUA e de energia do Uruguai

Represa de Furnas, em Minas Gerais, sofre com a falta de chuvas (Douglas Magno / AFP via Getty Images/Getty Images)

Não vai ser dessa vez: o primeiro dia da primavera começa com previsões pouco promissoras sobre as chuvas esperadas para o período, o que deve agravar a crise hídrica. De acordo com projeções da NOAA, a agência para o clima dos Estados Unidos, há entre 70% e 80% de chance de ocorrência do fenômeno La Niña em outubro, com o resfriamento das águas do Pacífico e um menor volume de precipitações.

Vai até chover por aqui, mas não nos reservatórios de hidrelétricas em estado crítico. A expectativa é de precipitações acima da média até dezembro no Nordeste, enquanto no Sudeste e Centro-Oeste as chuvas devem estacionar no parâmetro dos últimos anos, quando começaram a ser registrados níveis mais baixos de umidade. E o verão deve ser seco.

“Não há previsão de chuva para recuperar o solo e o nível dos reservatórios”, disse Marcia Seabra, coordenadora geral de Meteorologia Aplicada, Desenvolvimento e Pesquisa do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) durante apresentação sobre a previsão do clima para a primavera e verão nesta terça, 21.

Os modelos matemáticos da NOAA apontam uma probabilidade de 60% a 70% de um volume menor de chuvas no Sul e Sudeste este ano. “Essas previsões são consistentes com o impacto que o La Niña deve provocar”, disse Michelle L’Heureux, meteorologista da agência americana,

“É preciso lembrar que fenômenos como o El Niño e La Niña estão aí desde sempre, mas as mudanças climáticas podem influenciar o impacto dessas condições, com secas acompanhadas por temperaturas mais altas por exemplo”.

Os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 70% da geração de energia no país produzida a partir de hidrelétricas, já operam com menos de 22% da capacidade, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS).

Na Bacia do Rio Paraná, que abrange seis estados, a situação é considerada crítica. O reservatório Jurumirim opera com 22,4% da capacidade, seguido pelo Água Vermelha (11%), Nova Ponte (10,9%) e Ilha Solteira, que zerou.

“É um cenário muito complicado, com efeitos que vão além do aumento de preços causados pela baixa oferta de energia e uma alta da demanda com a recuperação econômica”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Existe, inclusive, uma forte possibilidade de blecautes esparsos”.

Mais inflação, menos PIB

Na visão de Gabriel Barros, economista-chefe da RPS Capital, a crise hídrica deve provocar não só um efeito negativo sobre a inflação: o PIB também pode sair machucado. Se houver uma redução compulsória da carga de energia da ordem de 15%, deve haver um impacto no PIB de 2 pontos percentuais, de acordo com estudo realizado por Barros.

Os efeitos da seca já são visíveis. Com o nível de água praticamente zerado no maior reservatório de São Paulo, de Ilha Solteira, a navegação na hidrovia Tietê-Paraná, uma das principais do país, foi suspensa.

O corredor logístico representa uma das maiores vias de escoamento de carros-chefes da produção agrícola nacional, como soja, milho e cana-de-açúcar. Os prejuízos com a paralisação da hidrovia devem gerar perdas da ordem de 3 bilhões reais para o setor aquaviário, segundo o Sindicato dos Despachantes Aduaneiros.

Não fossem os investimentos em inovações que permitem uma maior adaptação das plantas a um clima mais seco, algo que se anunciava no horizonte há uma década, a agricultura também estaria passando por maus bocados.

Mesmo com a umidade insuficiente do solo nesta primavera, quando começa o plantio de soja, produtores rurais do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo deram início ao cultivo em algumas áreas — por enquanto, não há previsão de atrasos.

Risco de racionamento

Enquanto o mercado internacional de alumínio se aquece, com um aumento da demanda, os fabricantes brasileiros têm dificuldade em incrementar a produção, com os preços da energia elétrica em alta – o insumo corresponde a 70% dos custos totais do metal. A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) tem externado preocupação com a falta de sinalização sobre a real dimensão da crise hídrica no país.

Alguns indícios apontam que o problema pode ser maior do que parece. “O governo não quer falar em racionamento e não trata o assunto abertamente, mas sabemos que sem chuvas no verão, como parece ser o caso, teremos uma crise significativa”, diz Vale.

Com os reservatórios secando, o Brasil se tornou um dos maiores compradores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), usado para a geração de energia, dos Estados Unidos. A Coréia do Sul segue como principal cliente global no acumulado do ano (91 embarques), seguida pela China (82) e Japão (79) mas o Brasil lá vem logo atrás (72). No início deste mês, o país ocupou o segundo lugar no ranking mundial de recebimento de GNL, perdendo apenas para a Coreia do Sul.

O risco de racionamento no Brasil também está provocando um aumento das importações de energia. Graças à crise hídrica no país, o Uruguai deve bater um recorde de exportação do insumo este ano, com 300 milhões de dólares em vendas.

“Esperamos continuar ajudando o país até o fim do ano. A situação é muito crítica para o Brasil”, disse Silvia Emeraldi, presidente da Administración Nacional de Usinas y Transmisiones Eléctricas (UTE), estatal de energia elétrica do Uruguai.

Enquanto isso, os economistas refazem as projeções sobre o impacto que o aumento do custo de energia deve causar na economia e na inflação este ano e em 2022. “Essa crise é um dos componentes do cenário fraco de atividade que observamos”, diz Vale.

Com a palavra, o governo

Procurado pela reportagem, o Ministério de Minas e Energia disse estar sem tempo para conceder entrevista. Em um comunicado enviado por e-mail, a pasta afirma que desde outubro de outubro de 2020 “tem adotado diversas medidas para mitigar o impacto no setor elétrico do pior cenário de escassez hídrica da história do país”, com ações como “o acionamento de mais termelétricas, importação de energia, entrada em operação de novos empreendimentos de geração e de transmissão, flexibilização de restrições de defluência mínima e de armazenamento mínimo em reservatórios de usinas hidrelétricas, flexibilizações de critérios operativos, disponibilização de unidades de regaseificação de gás natural, incentivo à oferta de excedente de geração de energia elétrica, programas de redução voluntária da demanda e do consumo e campanhas de consumo consciente de energia”.

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Economia

Conselho de Estado da China diz que garantirá estabilidade da economia

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O gabinete do governo chinês também prometeu fortalecer a coordenação entre as políticas fiscal, financeira e de emprego

Construção em Xangai, China (Aly Song/Reuters)

O Conselho de Estado da China afirmou que trabalhará para garantir que a economia siga dentro de um “alcance razoável” em meio a desafios impostos por altos preços de commodities e a disseminação do coronavírus no país. Os comentários constam em relatos na imprensa estatal chinesa, após reunião do órgão nesta quarta-feira

Para tanto, o Partido Comunista se comprometeu a “estudar e introduzir medidas que impulsionem o consumo, desempenhar melhor o papel do investimento social, expandir o investimento eficaz e manter o crescimento estável do comércio exterior e do investimento estrangeiro”.

O gabinete do governo chinês também prometeu fortalecer a coordenação entre as políticas fiscal, financeira e de emprego, além de promover melhorias em seus instrumentos “preventivos” com “ajustes finos e cíclicos”, conforme necessário.

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