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quinta-feira, 18/06/2026

consumidores pagam mais de R$ 7 bilhões por furtos e fraudes de energia

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Flávia Pederneiras destacou que nem todo prejuízo é repassado aos consumidores. Informações recentes de agências reguladoras e distribuidoras de energia revelam que, em 2024 e 2025, os consumidores foram responsáveis por mais de R$ 7 bilhões anuais referentes às chamadas ‘perdas não técnicas’ do setor elétrico. Estes valores decorrem de furtos de energia, como ligações clandestinas e adulteração de medidores.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) apontou prejuízos totais de R$ 11,3 bilhões em 2025, dos quais R$ 7,8 bilhões foram repassados para as tarifas de consumo. Por sua vez, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que as perdas chegaram a 40 TWh em 2024, equivalente a 6,6% da energia total gerada no Brasil. O custo total atingiu R$ 10,3 bilhões, distribuído entre consumidores (R$ 7,1 bilhões), distribuidoras (R$ 3,3 bilhões) e governo (R$ 1 bilhão, referentes a tributos não pagos).

Flávia Pederneiras explicou que o repasse para tarifa é avaliado considerando a complexidade da área de cada distribuidora, fazendo uma comparação entre elas para definir a porcentagem que será incluída na conta de energia.

Regiões como Norte e Sudeste apresentam os maiores índices de perdas não técnicas, com destaque para distribuidoras do Amazonas e Rio de Janeiro. Nesses locais, os clientes arcam com as maiores despesas decorrentes do furto de energia. Por exemplo, a tarifa da Amazonas Energia poderia ser cerca de 13% menor se não existissem tais perdas, e na Light, a redução seria em torno de 9,1%.

Onofre de Albuquerque Neto, da Abradee, chamou atenção para o aumento no furto de cabos elétricos, que em 2025 chegou a 25 mil casos, causando prejuízos de R$ 97 milhões e maiores riscos de acidentes e interrupções no fornecimento. A nova legislação (Lei 15.181/25) que aumentou as penalidades para esses crimes deve impactar positivamente em 2026.

Desafios e propostas para combater o problema

A complexidade geográfica, o crescimento desordenado das redes de distribuição e áreas com alta criminalidade dificultam o combate às perdas. André Carneiro, do TCU, descreveu o impacto dessas perdas como um ‘imposto invisível’ que eleva a tarifa para os consumidores honestos, criando um ciclo vicioso que ele chamou de ‘espiral da morte’.

Rosimeire da Costa, do Conacen, ressaltou que famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos acabam sustentando esse sistema injusto, e pediu uma revisão na metodologia de cálculo das tarifas.

Soluções em discussão

Para avançar no controle dessas perdas, estão sendo analisadas propostas como a revisão das metas de perdas para regiões com maior complexidade operacional e a implementação de tarifas diferenciadas, chamadas de ‘tarifas inteligentes’, que variam de acordo com a localização do imóvel, buscando maior justiça na cobrança.

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