Fábio Pescarini
São Paulo, SP (Folhapress)
As novas praças de pedágio eletrônicas nas rodovias Anchieta e Imigrantes vão começar a cobrar tarifas a partir de 1º de agosto, um mês depois do que estava previsto inicialmente. A confirmação veio da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo).
Essas rodovias ligam a Baixada Santista à cidade de São Paulo e são a principal rota para o porto de Santos.
Os pórticos de pedágio foram instalados no km 33 da Via Anchieta e no km 29 da Imigrantes, em ambos os sentidos, mas ainda não cobram tarifas.
Essas instalações substituirão as praças de pedágio antigas, que tinham cabines, localizadas no km 31 da Anchieta e no km 32 da Imigrantes, que serão desativadas.
O sistema free flow usa câmeras para identificar as placas dos veículos em movimento, em vez de pedágios com cancelas. A cobrança é automática para veículos com tags válidas, e para os demais, o pagamento deve ser realizado em até 30 dias.
Os responsáveis pelas rodovias vão criar formas digitais, como sites e aplicativos, além de locais físicos para que os usuários possam pagar o pedágio. Em São Paulo, o site Siga Fácil vai unificar os pagamentos, mas ao contrário de outras rodovias do interior, não haverá desconto para pagamentos via tags.
Outra mudança é que a tarifa será cobrada em ambos os sentidos das rodovias, tanto para quem vai para o litoral quanto para quem sobe a serra. O valor atual do pedágio, reajustado em 1º de julho, está em R$ 40,60, dividido em R$ 20,30 para cada sentido. Motos continuam isentas.
Raquel Carneiro, diretora da Artesp, explicou que a cobrança nos dois sentidos vai beneficiar principalmente caminhões que descem carregados e retornam vazios, pois vão pagar tarifas menores conforme o peso transportado.
Os pórticos foram instalados em fevereiro, com previsão inicial de começar a cobrar em julho, mas a ativação foi adiada para que a concessionária Ecovias Imigrantes pudesse analisar o perfil dos veículos.
A concessionária informou que 93% dos veículos comerciais e 71% dos carros de passeio que passaram pelos pórticos tinham tags ativas.
Os testes para validar a tecnologia começaram no final de maio. As câmeras dos pórticos fazem a leitura das placas dianteiras e traseiras em todas as faixas, mesmo em alta velocidade, neblina ou trânsito intenso, além de coletar dados sobre peso e características dos veículos para programas de monitoramento.
No mês passado, uma carreta bateu em um pórtico eletrônico da rodovia Anchieta, mas ninguém se feriu. O pórtico possui um dispositivo especial para absorver impactos e proteger a estrutura principal.
As atuais praças de pedágio continuarão operando sem cobrança e com as cancelas abertas até serem demolidas, o que deve ocorrer em duas etapas até o fim do ano. Parte das estruturas será mantida temporariamente para segurança em caso de neblina, quando a polícia orienta a circulação dos veículos.
Para controlar o trânsito em condições de baixa visibilidade, será instalado um sistema virtual com sensores eletrônicos que acionam sinalizações e controle de velocidade. Estudos encomendados à Universidade de São Paulo indicaram que a sinalização de solo será verde limão para maior visibilidade em neblina severa.
A Artesp ainda não tem estimativa sobre a redução do tempo de viagem e dos congestionamentos com o fim das filas nos pedágios, que podem ser significativos em feriados e períodos de alta demanda na Baixada Santista.
No fim do ano passado, mais de 1,4 milhão de veículos usaram o sistema para viajar ao litoral entre 19 de dezembro e 5 de janeiro.
O custo total da mudança no sistema não foi divulgado, mas em fevereiro a Artesp estimou que cada pórtico custou entre R$ 15 a 20 milhões, sem contar as alterações estruturais nas estradas.
