Brasília passou recentemente por um período de chuvas fortes. No entanto, quando a estação seca começa, os moradores sentem falta de umidade no clima.
Durante essa estação seca, principalmente em agosto e setembro, é comum observar um fenômeno interessante no Distrito Federal: chuvas rápidas, localizadas e, às vezes, intensas na região. Esse fenômeno é conhecido popularmente como “chuva do caju”.
Uma especialista do Instituto Nacional de Meteorologia, Laísa Faria, explica que a chuva ocorre devido ao forte aquecimento da superfície, à umidade presente em baixos níveis da atmosfera e à topografia local.
No Cerrado
A chuva do caju ocorre geralmente no Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, marcando o fim do período seco e o começo da estação chuvosa. O professor de geografia Flávio Bueno comenta que essa chuva é típica do Cerrado, especialmente no Planalto Central, e representa o retorno da umidade, que pode chegar a níveis muito baixos durante a seca.
Embora o fenômeno seja mais comum no Centro-Oeste, ele também acontece em outras regiões do país, frequentemente em momentos diferentes. Flávio Bueno destaca que a chuva é ainda mais presente na Caatinga, especialmente no Sertão nordestino.
Em ambos os biomas, o fenômeno indica o despertar da vegetação após meses de estiagem. Em Brasília, onde podem ocorrer mais de cem dias sem chuvas, essa chuva é valorizada culturalmente como um sinal de alívio.
Nome popular
Embora seja mais conhecida como chuva do caju, em algumas regiões o fenômeno é chamado de “chuva da manga”. Esse nome está relacionado à época em que o caju e a manga começam a frutificar, no final da estação seca, geralmente em agosto e setembro.
Devido às mudanças climáticas na região, a distribuição das chuvas se torna irregular. As pancadas isoladas associadas à chuva do caju ocorrem dentro dessa irregularidade, sem indicar o início da estação chuvosa.
O Instituto Nacional de Meteorologia informa que a variabilidade da chuva do caju aumentou nos últimos anos. Estudos recentes sugerem que as mudanças climáticas impactam o começo do período de chuvas e a disponibilidade de umidade na atmosfera, tornando as chuvas de transição menos previsíveis.
Em Brasília, os períodos de seca se prolongam durante o ano, enquanto as chuvas acontecem de forma concentrada e intensa em curto espaço de tempo. Esse padrão reforça a instabilidade contínua entre o tempo seco e o chuvoso.
Além disso, a urbanização pode criar ilhas de calor, que aumentam a convecção local e favorecem a ocorrência de chuvas isoladas.
