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sábado, 18/04/2026

Césio-137: o que aconteceu com os sobreviventes da tragédia

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Quase quarenta anos após o maior acidente radioativo registrado no Brasil, as pessoas que sobreviveram ao desastre com o Césio-137 em Goiânia ainda carregam marcas profundas, tanto físicas quanto emocionais, causadas pela contaminação.

Tudo começou em 1987, quando uma cápsula contendo material radioativo foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado. Sem conhecimento do perigo, moradores manipularam o pó de brilho azulado, espalhando a substância por vários locais da cidade.

Esse desastre gerou uma das maiores operações de saúde pública do país: 112.800 pessoas foram monitoradas, 249 tiveram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de cuidados médicos.

Histórias dos sobreviventes

Odesson Alves Ferreira, irmão de Devair, teve contato com o material ao manuseá-lo na casa do irmão. Mesmo contaminado, trabalhou por dias transportando passageiros. Passou meses isolado e sofreu graves sequelas, como a perda da palma da mão e amputação de parte do dedo indicador. Atualmente, vive no interior de Goiás e defende os direitos das vítimas.

Lourdes das Neves, mãe de Leide das Neves, perdeu a filha na tragédia e viu sua casa ser destruída por contaminação. Depois, cuidou do marido que enfrentou depressão. Hoje mora em Aparecida de Goiânia.

Luiza Odete, tia de Leide das Neves, teve contato direto com o material e enfrentou lesões graves, especialmente no pescoço. Ficou hospitalizada por meses e mantém cicatrizes permanentes.

Geraldo da Silva Pontes, funcionário de ferro-velho, ajudou a transportar a cápsula até a Vigilância Sanitária e também foi contaminado, convivendo até hoje com as marcas da exposição.

Mortes relacionadas ao acidente

Leide das Neves Ferreira, símbolo do acidente, tinha apenas 6 anos quando teve contato com o pó radioativo e morreu em 23 de outubro de 1987 devido à radiação.

Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair, ajudou a levar o material para a Vigilância e é vista como uma heroína. Morreu no mesmo dia que Leide, aos 37 anos.

Israel Baptista dos Santos, trabalhador do ferro-velho, morreu em 27 de outubro de 1987, aos 22 anos, devido à exposição à radiação.

Admilson Alves de Souza, também do ferro-velho, faleceu em 18 de outubro de 1987 aos 18 anos após contato com o material.

Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho, sobreviveu inicialmente, mas faleceu sete anos depois aos 43 anos por cirrose hepática. Ele sofreu depressão e alcoolismo após o acidente.

Ivo Ferreira, pai de Leide, morreu 15 anos depois devido a problemas pulmonares agravados pela radiação e tabagismo, além de conviver com depressão após a perda da filha.

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