A ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad) pelo governo do Distrito Federal, anunciada recentemente pela governadora Celina Leão, traz esperança para moradores e trabalhadores da região, que aguardam uma revitalização. A mudança das secretarias para o local deve aumentar o movimento de servidores, impulsionando o comércio local e reforçando a segurança.
Essa medida faz parte do plano do governo para economizar com aluguéis e melhorar a estrutura administrativa. A primeira secretaria a se mudar será a de Obras e Infraestrutura (SODF), em até 90 dias.
Inaugurado em 2014, o Centrad possui 182 mil metros quadrados distribuídos em 16 prédios, mas nunca foi totalmente utilizado devido a questões legais. O Governo do Distrito Federal está organizando um plano para ocupar completamente o espaço, incluindo o gabinete da governadora.
Localizado entre as cidades de Ceilândia e Samambaia, ao lado do terminal rodoviário provisório de Taguatinga, que funciona desde 2013, o complexo gera expectativas e dúvidas. A comerciante Andreia Barbosa, que tem uma loja de mochilas na região há nove anos, vê com cautela o anúncio. Para ela, a economia com o aluguel é positiva, mas as reformas necessárias podem gerar gastos públicos extras.
“Não é a primeira vez que anunciam que vão reformar e ocupar. Já gastaram muito dinheiro e agora vão gastar mais. Acho que pode acabar sendo só promessa. Não acredito que o espaço será realmente ocupado”, comenta Andreia.
No entanto, ela reconhece que o comércio pode se beneficiar do aumento do movimento, desde que haja melhorias na infraestrutura da rodoviária, que há anos aguarda reformas prometidas.
Andreia também destaca a necessidade de mais segurança, mencionando que o local conta apenas com dois vigilantes e que há muitos moradores de rua, o que aumenta o risco de furtos. “Eu não fico aqui à noite por medo”, relata.
Outro comerciante da região, José Raimundo de Sá, que possui uma lanchonete há mais de 30 anos, também demonstra desconfiança frente às promessas feitas desde a inauguração do Centrad.
“Todo ano dizem que agora vai, mas o tempo passa e nada muda. São quase 13 anos com o lugar abandonado e precisando de muita recuperação. Tomara que desta vez seja diferente, pois será bom para todos”, declara José Raimundo.
Ele acredita que a chegada dos servidores poderá pressionar por melhorias na rodoviária e arredores, contribuindo para o crescimento do comércio local.
Perspectiva dos moradores
O educador físico Victor Hugo Silva de Souza, de 26 anos, que trabalha no DF Legal e mora em Ceilândia Sul, acredita que a ocupação do Centrad facilitará o deslocamento dos servidores e o acesso aos serviços públicos na região.
Victor destaca que a localização do complexo é estratégica, estando entre Taguatinga e Ceilândia, próxima à estação de metrô Centro Metropolitano e à avenida Elmo Serejo, que conecta a região à Estrada Parque Taguatinga (EPTG).
“Trabalho no CIA, que é longe e difícil de acessar por transporte público. Por isso, acredito que o Centrad será muito útil, pois facilitará o deslocamento. A localização entre Taguatinga e Ceilândia tende a ajudar bastante”, afirma.
Por outro lado, ele destaca a segurança como a maior preocupação, citando relatos de furtos e assaltos nos arredores, principalmente em pontos de ônibus e na estação de metrô.
Victor também relata a presença de pessoas em situação de rua na área e episódios de insegurança, incluindo acampamentos e incidentes durante a madrugada. “A região precisa urgentemente de melhorias, especialmente na segurança”, comenta.
Transporte e mobilidade
A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) informou que técnicos irão se reunir com a concessionária Marechal, responsável pela operação na área, para discutir a ampliação do atendimento de transporte público.
Atualmente, 77 linhas de ônibus atendem a região, com conexões para diversas áreas administrativas do Distrito Federal, incluindo linhas circulares e metropolitanas de alta capacidade. Além disso, a estação Centro Metropolitano do metrô serve o local.
A Administração Regional de Taguatinga optou por não comentar sobre a ocupação do Centrad.

