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quarta-feira, 20/05/2026

Brasileiros com diabetes querem mais tecnologia no tratamento

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Sete em cada dez brasileiros com diabetes dizem que essa doença prejudica muito seu bem-estar emocional, conforme pesquisa feita pelo Global Wellness Institute em parceria com a Roche Diagnóstica. O estudo também mostra apoio ao uso de tecnologias como sensores e inteligência artificial para ajudar a prever as mudanças no nível de açúcar no sangue e facilitar o controle da doença.

A pesquisa, feita em setembro de 2025 com 4.326 pacientes com diabetes em 22 países, incluiu 20% dos participantes no Brasil. Entre os brasileiros entrevistados, 78% sentem ansiedade ou preocupação com o futuro, e dois a cada cinco afirmam se sentir sozinhos por causa da doença.

Além disso, 56% dizem que o diabetes dificulta ficar fora de casa o dia inteiro, 46% enfrentam problemas em situações comuns como trânsito e reuniões longas, e 55% relatam não conseguir dormir bem por causa das variações do nível de açúcar durante a noite.

A maioria dos pacientes não acredita que o atual modelo de cuidado atende às suas necessidades. Apenas 35% se sentem seguros em controlar sua condição. Para 44%, é importante investir em tecnologias mais avançadas que possam prever mudanças no nível de açúcar para evitar complicações. Entre os que usam medidores tradicionais, 46% defendem o uso de sensores que monitoram o açúcar continuamente, pois ajudam a alertar sobre variações.

Sobre previsões, 53% querem que os sensores com inteligência artificial prevejam os níveis futuros de açúcar, percentual que sobe para 68% entre pessoas com diabetes tipo 1. Esses pacientes valorizam especialmente ferramentas que alertem sobre hipoglicemia e hiperglicemia, consideradas essenciais por 95% deles.

André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, destacou a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico constante para evitar problemas graves. Ele reforçou que o monitoramento contínuo do açúcar é muito útil para pessoas com diabetes tipo 1, pois permite identificar antes as mudanças nos níveis glicêmicos.

Vianna também comentou que a tecnologia pode diminuir internações e atendimentos de emergência, além de reduzir gastos para o sistema público. No Brasil, esses aparelhos são mais usados por quem tem maior poder aquisitivo e ainda não estão amplamente disponíveis pelo sistema público de saúde. Existem quatro empresas que vendem esses dispositivos no país.

Mais da metade dos brasileiros pesquisados (56%) acredita que saber de antemão a tendência do açúcar no sangue lhes traria maior controle da doença, e 48% acham que evitar picos e quedas inesperadas de açúcar aumentaria sua qualidade de vida.

Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incluir o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com diabetes tipos 1 e 2. Em dezembro do ano anterior, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 323/25 que obriga o SUS a fornecer gratuitamente esses dispositivos, mas a proposta ainda precisa passar por outras comissões antes de ser finalizada.

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