Roberta Luchsinger, empresária e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, afirmou à Polícia Federal que não repassou valores recebidos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O depoimento foi dado durante a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS, conhecido como Farra do INSS.
Esclarecimentos sobre o envolvimento
Roberta esclareceu que Lulinha não participou de nenhum serviço relacionado à regulação do medicamento canabidiol, e que não recebeu pagamentos ligados a essa questão, direta ou indiretamente.
Ela ainda garantiu que nunca transferiu dinheiro ao amigo e que apresentou Lulinha ao lobista em um contexto social, sem saber a origem dos fundos que financiavam a empresa World Cannabis, acreditando que eram recursos próprios do lobista, cuja atuação no mercado farmacêutico é reconhecida.
A empresária também relatou que o interesse de Lulinha na questão está ligado ao fato de familiares dele utilizarem medicamentos à base da cannabis, o que levou o lobista a convidá-lo para uma viagem à Europa para sondagem de negócios. Segundo Roberta, ela não participou dessas viagens.
A defesa da empresária destacou que ela tem sido alvo de campanhas difamatórias, e que espera o arquivamento das investigações após a conclusão do inquérito, pois não há indícios de conduta ilícita.
Operação e investigação
O “Careca do INSS” é apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A Polícia Federal revelou que ele teria repassado cerca de R$ 1,5 milhão para Roberta Luchsinger.
Mensagens interceptadas indicam que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”, em referência possível a Lulinha.
O lobista está preso desde setembro do ano passado, e Roberta foi alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro, estando desde então usando tornozeleira eletrônica.
