RAQUEL LOPES
FOLHAPRESS
O Brasil teve um aumento de 7,5% nos casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e março, foram 399 vítimas, contra 371 no ano anterior.
Esse é o maior índice registrado para os três primeiros meses do ano em 11 anos, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em média, quatro mulheres são mortas por dia devido à violência doméstica, familiar ou por discriminação de gênero.
O estado de São Paulo teve o maior número absoluto de feminicídios, com 86 casos, um recorde local. As cidades paulistas viram um aumento de 41% nesse tipo de crime em relação ao mesmo período do ano passado.
Um caso importante foi o da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, assassinada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com seu marido, no Brás, São Paulo. Geraldo Leite Rosa Neto, coronel da PM, está preso e aguardando julgamento, negando a acusação e afirmando que ela cometeu suicídio, uma versão contestada pelas investigações.
Parte do aumento nas notificações pode ser atribuída à melhoria na classificação dos crimes, com mortes antes registradas como homicídios comuns sendo incluídas como feminicídio.
Especialistas destacam que o machismo ainda é um fator central na motivação desses crimes. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 59,4% das vítimas foram mortas pelo parceiro atual e 21,3% pelo ex-parceiro.
A Lei do Feminicídio, implementada em 9 de março de 2015, tipifica o crime de assassinato de mulheres motivado por violência doméstica, familiar ou misoginia. O primeiro ano completo de dados é 2016.
Em 2024, o feminicídio passou a ser considerado um crime autônomo, com penas de 20 a 40 anos de prisão, podendo chegar a 60 anos em casos agravados, sendo a punição mais severa no Brasil.
O pacote antifeminicídio ampliou as penas e promoveu mudanças na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.
O governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio para fortalecer a proteção às vítimas e melhorar a resposta estatal à violência de gênero.
O Ministério da Justiça desenvolveu ações, incluindo um projeto-piloto que conecta a tornozeleira eletrônica de agressores a um relógio digital da vítima, e criou o Centro Integrado Mulher Segura para coordenar o atendimento às mulheres.
Dados indicam que 30% das mulheres mortas por feminicídio em 2025 já haviam registrado denúncias contra o agressor, com 20% delas assassinadas em até dois anos após o primeiro registro.
Um caso destacado mostrou uma mulher de 32 anos que registrou 19 boletins de ocorrência e 15 registros de violência doméstica ao longo de quase seis anos antes de ser vítima do crime.
