PEDRO S. TEIXEIRA
São Paulo, SP (FolhaPress)
A empresa de cassino online Blaze gastou R$ 330 milhões em publicidade para jogos de caça-níqueis digitais e apostas esportivas entre janeiro e novembro de 2025, segundo um documento financeiro obtido pela reportagem. A empresa fez pagamentos para influenciadores como Virginia Fonseca, Jon Vlogs e Renato Garcia, todos com milhões de seguidores na internet.
A Blaze e Virginia enfrentam uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por práticas abusivas e publicidade enganosa. O MPDFT calculou uma multa de R$ 120 milhões, mas o balanço financeiro da Blaze indica um faturamento antes dos impostos de R$ 1,9 bilhão, com depósitos na ordem de R$ 11 bilhões.
De acordo com a consultoria H2 Gambling Capital, a Blaze é a sexta maior plataforma de apostas do Brasil. A empresa também foi investigada pela CPI das Bets devido aos anúncios de jogos como Aviator e Fortune Tiger, conhecido como o jogo do tigrinho.
A Blaze afirmou que ainda não recebeu intimação referente à ação do MPDFT e destacou que suas parcerias com influenciadores cumprem a legislação vigente. A empresa não comenta detalhes contratuais ou valores por questões de confidencialidade.
O balanço financeiro revela que os maiores gastos da Blaze são com publicidade e programas de fidelidade, como bônus e rodadas grátis. Foram R$ 89 milhões em bônus, R$ 388 milhões em programas de fidelidade e R$ 330 milhões em publicidade externa, incluindo contratos com influenciadores e anúncios em mídia tradicional.
A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor acusa a empresa de usar padrões enganosos e técnicas que estimulam consumidores vulneráveis a apostar. A ação reúne postagens da Virginia e materiais de marketing interno obtidos pelas autoridades.
O documento financeiro mostra que a Blaze tem obrigações contratuais de R$ 6,4 milhões com a empresa VF Digital, de Virginia Fonseca. Até o momento, a Blaze pagou R$ 2,77 milhões e ainda deve R$ 3,6 milhões à influenciadora.
O promotor Paulo Roberto Binicheski mencionou que uma publicação de Virginia durante a Copa do Mundo 2026, em que ela promoveu uma aposta sem identificar claramente que se tratava de publicidade, foi o motivo para a ação civil pública.
Segundo o promotor, “Ela induziu as pessoas a apostarem em Cabo Verde, isso precisa respeitar um limite legal”. Ele destacou a importância do respeito ao Código de Defesa do Consumidor, que protege os consumidores.
A ação destaca que a Blaze e Virginia Fonseca utilizam uma estratégia que explora vulnerabilidades cognitivas dos jogadores em grande escala.
A Blaze também pagou indenização de R$ 952 mil por quebra de contrato ao cantor Zé Felipe, ex-marido de Virginia.
Além disso, a empresa tem contratos pendentes com os influenciadores Jon Vlogs (R$ 2,8 milhões) e Renato Garcia (R$ 5,3 milhões). Ambos são conhecidos por promover sorteios e atividades em seus canais online.
A Prodecon também solicitou o contrato entre o jogador Neymar Jr. e a Blaze, mas a assessoria do atleta não comentou devido a cláusulas de confidencialidade.
O balanço mostra despesas milionárias com instituições financeiras e provedores de internet.
Em impostos, a Blaze destinou R$ 320 milhões, além de R$ 171 milhões para a alíquota social da Fazenda e R$ 2,3 milhões para a taxa da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Após descontar impostos e custos para manter jogadores, a empresa declarou receita líquida de R$ 1,1 bilhão e lucro de R$ 361 milhões nos primeiros 11 meses de 2025, com uma margem de lucro de 33%.
Do total do lucro, R$ 350 milhões foram distribuídos como dividendos para a sede da empresa no exterior.
RAIO-X – BLAZE
Fundação: 2019
Receita bruta no Brasil: R$ 1,9 bilhão (janeiro a novembro de 2025)
Receita líquida: R$ 1,1 bilhão
Lucro: R$ 361 milhões
Depósitos dos jogadores: R$ 11 bilhões
Gastos com salários: R$ 8,6 milhões
Sede da matriz: Ilha de Man
