Um evento que deveria destacar a música autoral em Brasília acabou mal para as bandas locais de rock. No ‘Som de Garagem’, parte da programação do Brasília Auto Indoor, os shows de bandas da cidade foram interrompidos pelos organizadores, que pediram para que o volume do som fosse diminuído drasticamente.
O problema começou no primeiro dia, com algumas reclamações sobre o volume. No segundo dia, a organização exigiu que o volume do sistema de som fosse cortado pela metade logo no início do confronto entre bandas.
Estevam Teixeira, produtor cultural ligado à cena underground de Brasília, contou que os responsáveis pelo evento foram desrespeitosos. O dono do Brasília Auto Indoor teria dito que, se soubesse do tipo de banda, não teria aprovado, esperando apenas rock dos anos 80.
A produção do ‘Som de Garagem’ afirma que enviou todo o material das bandas antes do evento, como releases e vídeos, e que foi um descaso ser questionada no momento do evento.
Expulsão do palco
O momento mais tenso foi quando o dono do evento subiu ao palco para retirar uma banda que tocava um cover do Black Sabbath. Para os artistas, não foi apenas uma questão de som, mas um preconceito contra o rock na cidade conhecida como ‘Capital do Rock’.
Estevam afirmou: “Para mim, isso é preconceito com o rock na cidade do rock”.
Desrespeito
Augusto “Guto” Mota, músico e produtor da banda Mota, que tocaria no duelo, descreveu o ambiente como hostil e desorganizado. Segundo ele, o problema começou com atrasos causados por atrações incluídas de última hora e terminou com a organização mandando desligar o som das bandas de rock.
As apresentações foram interrompidas agressivamente, e o show do grupo de Deathcore dele foi cancelado antes mesmo de começar. Guto afirmou que a estrutura estava disponível, mas não permitiram que a usassem e que foram tratados com falta de respeito, após dedicarem tempo e dinheiro ao evento.
Ele criticou a falta de checagem da organização sobre as bandas selecionadas, que foram deixadas na mão e humilhadas. Também destacou que investiram dinheiro próprio com transporte, pagamento de ator para o show e material de divulgação, e que isso foi ignorado.
Para ele, o episódio foi um preconceito contra o rock mais pesado, como Metal, Hardcore e Deathcore, e uma falha da organização, que deveria ter honrado o compromisso com as bandas.
João Paulo Mancha, diretor do Setorial Cultura Rock, reforçou que o cancelamento prejudica a valorização do rock no DF e espera que o evento repare o dano causado às bandas e profissionais.
Outro lado
A organização do Brasília Auto Indoor informou que o cancelamento dos shows de rock não foi intencional, mas uma consequência de problemas acústicos no local, que afetavam áreas como praça de alimentação e arena de e-sports. Não houve acordo sobre a redução do volume, o que levou à suspensão das apresentações.
Destacaram que o orçamento principal foi para a estrutura e logística do projeto original, e a batalha de bandas foi uma iniciativa extra para valorizar a cena local, sem custos adicionais ao setor público. Prestação de contas será feita dentro dos prazos legais.
A organização reconheceu que houve um erro no planejamento ao não considerar que o som potente das bandas não combinava com a acústica do espaço.
Comprometeram-se a fazer estudos acústicos para futuras edições e revisar o processo de seleção para garantir que o local suporte o estilo musical das bandas, evitando problemas semelhantes.
Em nota publicada nas redes sociais, lamentaram a situação, reconheceram a frustração dos artistas e público, e atribuíram o conflito a falta de alinhamento interno na escolha das bandas. Negaram intenção de desvalorizar a cena local e afirmaram que estão tomando medidas para melhorar a comunicação e organização para que isso não se repita.
