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quarta-feira, 08/07/2026

Aumento das picadas de escorpião no DF alerta para cuidados e socorro rápido

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Em 2026, o Distrito Federal já registrou um aumento no número de acidentes com picadas de escorpião, passando de 2.072 para 2.239 casos, com um crescimento de 200% nas ocorrências graves na rede de saúde. Nos últimos cinco anos, o DF registrou três mortes causadas por escorpiões, incluindo a recente de uma menina de 11 anos. Embora os adultos jovens sejam os mais atingidos, as crianças são as mais vulneráveis e precisam de atenção especial.

Casos graves aumentam no DF

O número total de notificações de escorpionismo em 2025 foi de 4.640. No primeiro semestre de 2025 foram 2.072 casos, enquanto no mesmo período de 2026 houve 2.239 casos. Destes, 36 foram considerados graves, um aumento significativo em comparação ao ano anterior, quando apenas 12 casos foram classificados assim. Esse aumento destaca a importância da prevenção nas famílias.

A maioria dos casos ocorre entre adultos jovens. Nos últimos cinco anos, houve três mortes, incluindo a mais recente no ano de 2026, ainda em processo de registro oficial. As regiões mais afetadas são Planaltina, São Sebastião, Estrutural e Sobradinho. A Vigilância Ambiental do DF pode ser acionada para inspeções em casos de acidentes com animais peçonhentos pelo telefone 162 ou pelo site Participa DF.

Adaptação dos escorpiões na cidade

Henrique Valle Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, explica que os escorpiões se adaptam bem às cidades, encontrando abrigo em ralos, frestas, entulhos, caixas de gordura, roupas e sapatos. A presença de baratas e outros insetos também favorece sua permanência, já que são seu alimento. Condições como calor, umidade e lixo acumulado aumentam o contato com humanos. O escorpião geralmente pica apenas em defesa, quando é tocado ou comprimido.

Para prevenir, é importante manter os quintais limpos, retirar entulhos, vedar frestas em portas e janelas, instalar telas em ralos, combater baratas, manter o lixo fechado e limpar caixas de gordura e esgoto. Também é recomendado afastar camas e berços das paredes, evitar que roupas toquem o chão e sacudir roupas e calçados antes de usá-los, além de usar luvas e botas ao mexer em jardins e depósitos.

As crianças são mais vulneráveis

Ana Carolina Mota de Faria, professora de Medicina Veterinária do CEUB, alerta que o escorpião amarelo é muito adaptado ao ambiente urbano e a morte de crianças reforça a gravidade do problema. Crianças têm maior risco de evoluir para quadros graves porque o veneno atinge com maior impacto seus organismos menores.

Os sintomas iniciais incluem dor forte, formigamento, vermelhidão e suor na área da picada. Em crianças, é fundamental observar sinais de gravidade como vômitos, salivação excessiva, suor intenso, agitação, sonolência, tremores, problemas cardíacos e dificuldade para respirar. Para prevenir, mantenha berços e camas afastados da parede, não deixe lençóis encostarem no chão, evite brinquedos espalhados, verifique calçados e roupas antes do uso e vede frestas e ralos.

O que evitar em caso de picada

Giovanna Nardeli, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília, alerta contra o uso indiscriminado de inseticidas, que são pouco eficazes e podem fazer os escorpiões saírem de seus esconderijos. O melhor é o manejo do ambiente.

Ao ser picado, lave imediatamente o local com água e sabão e procure atendimento médico rápido, principalmente se a vítima for criança. Não faça torniquete, cortes ou aplique remédios caseiros, pois isso pode piorar o quadro.

A importância do atendimento rápido

João Paulo Lacerda, coordenador do curso de Medicina Veterinária do Unipê, reforça que escorpiões encontram abrigo em galerias, redes de esgoto, terrenos baldios, pilhas de materiais e dentro das casas. Quanto mais abrigo e alimento, mais eles se reproduzem. Em caso de picada, mantenha a calma, lave o local com água e sabão e evite torniquetes ou tentar sugar o veneno. Não use substâncias caseiras sem orientação médica.

O tratamento pode incluir o soro antiescorpiônico, que é o método mais eficaz para neutralizar o veneno em casos moderados e graves. Quanto antes a vítima for atendida, maiores as chances de recuperação sem complicações.

Os sintomas comuns são dor intensa, vermelhidão e inchaço. Nos casos graves podem ocorrer suor intenso, vômitos, salivação excessiva, pressão arterial alterada, dificuldade para respirar e problemas cardíacos.

A Secretaria de Saúde do DF destaca que o tempo é essencial. Após lavar o local, mantenha o membro elevado para atrasar a espalha do veneno. Se possível, fotografe o escorpião para ajudar no diagnóstico.

Em caso de emergência, chame o Samu (192) ou Corpo de Bombeiros (193). O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) oferece suporte 24 horas nos telefones 0800-644-6774 ou (61) 99288-9358.

Locais com soro antiescorpiônico no DF

A rede pública mantém estoque do soro em 11 hospitais no Distrito Federal:

  • Hospital Materno Infantil de Brasília (atendimento exclusivo para crianças até 13 anos)
  • Hospital Regional da Asa Norte
  • Hospital Regional do Guará
  • Hospital Regional de Brazlândia
  • Hospital Regional da Região Leste (Paranoá)
  • Hospital Regional de Ceilândia
  • Hospital Regional do Gama
  • Hospital Regional de Santa Maria
  • Hospital Regional de Planaltina
  • Hospital Regional de Sobradinho
  • Hospital Regional de Taguatinga

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