PAULO EDUARDO DIAS E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
O ataque ao tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), Ronickson Pimentel dos Santos, 39 anos, aconteceu na manhã de sábado (27) na principal avenida de São Caetano do Sul, no ABC paulista, e foi cuidadosamente planejado com o estudo dos horários e locais, segundo policiais que falaram com a reportagem.
Um documento obtido pela Folha de S.Paulo confirma que não foi um crime feito por uma única pessoa, mas uma ação criminosa complexa envolvendo várias pessoas com funções diferentes.
Ao menos cinco pessoas são suspeitas de participação, com duas delas presas temporariamente desde domingo.
“A dinâmica dos fatos mostra que não foi um crime comum, mas uma ação coordenada contra agente policial, com claro planejamento, divisão de tarefas, uso de veículos de apoio e estratégias para fugir e esconder evidências, demonstrando alto grau de organização e perigo”, diz trecho do documento.
Além das duas prisões, o juiz Gabriel D’Andrea autorizou buscas nos endereços indicados pela Polícia Civil.
Ronickson está internado no Hospital Mário Covas, em Santo André. Nesta segunda-feira (29), fez uma tomografia que mostrou melhora no inchaço do cérebro. Ele segue sedado e respira com ajuda de aparelhos.
A investigação indica que, além de dois homens em uma moto, um terceiro dirigia um Renault Logan que dava suporte direto à ação. Outros dois carros foram identificados pelas câmeras de segurança, somando pelo menos cinco envolvidos.
As duas pessoas presas, supostamente responsáveis pelos carros usados no crime, foram encontradas em Guaianases, na zona leste de São Paulo e tiveram a prisão temporária confirmada na segunda-feira (29).
A investigação está sendo feita por duas frentes: o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil e a Corregedoria, pela unidade PM Vítima.
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Pimentel, que foi morta aos 15 anos por Lindemberg Alves em Santo André, no ABC paulista, em outubro de 2008.
O policial foi ferido ao parar sua moto em um semáforo na avenida Goiás. A moto em que estavam os dois homens foi abandonada a cerca de 5 km do local do ataque, na Vila Independência, São Paulo.
Após abandonar a moto, os suspeitos andaram poucos metros até a rua Floriano de Sá.
A moto usada no crime tem sinais de adulteração e um registro policial, mas não foi divulgado se foi roubada ou furtada.
Câmeras do Smart Sampa registraram parte do movimento dos suspeitos. A Prefeitura de São Paulo informou que um dos carros seguiu até Mauá, na Grande São Paulo, depois voltou à capital.
Investigação
De acordo com a Folha de S.Paulo, Ronickson Pimentel é investigado em dois inquéritos por mortes em ações da Rota. Até agora, não há ligação entre esses casos e o ataque recente.
O caso mais recente é de janeiro deste ano, envolvendo uma apreensão de armas e drogas em Itaquaquecetuba que terminou em uma morte em Suzano, região metropolitana de São Paulo.
Ronickson e outros três policiais relataram que foram recebidos a tiros numa casa onde havia suspeitos de tráfico e que revidaram, resultando na morte de João Francisco Silva de Souza, 28 anos.
Em outro caso, em Santo André, há um ano, Ronickson estava numa viatura da Rota quando uma equipe foi chamada para atender um assalto. Três suspeitos em duas motos abordaram um casal e atiraram quando um vizinho tentou alertar sua mãe para não sair de casa.
Os policiais revidaram os tiros. Um dos suspeitos, Weslley da Silva Facundo, 25 anos, foi baleado e o laudo indicou que ele foi atingido pelas costas.
Desde 2020, Ronickson já foi investigado em ao menos nove casos de mortes em ações policiais. Sete casos foram arquivados após o Ministério Público não encontrar provas contra ele e outros PMs.
Ronickson é policial militar desde 2009 e entrou para a Rota, conhecido por ser o batalhão com maior número de mortes na PM paulista, em 2019.
