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terça-feira, 07/07/2026

Alta da inflação na construção pode aumentar valor de imóveis na planta

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A inflação nos custos da construção civil subiu de forma inesperada, causando preocupação no mercado imobiliário. Além dos juros já altos, essa alta dificulta as vendas de imóveis, especialmente os vendidos na planta. A guerra no Oriente Médio fez subir os preços das matérias-primas usadas na construção de prédios.

O aumento dos custos pode afetar os orçamentos das obras em andamento, fazendo com que os preços dos imóveis subam. Isso é um problema para quem deseja comprar um apartamento na planta, porque o valor das prestações também pode subir, atrasando a conquista da casa própria.

Antes do conflito, a expectativa era que a inflação da construção civil em 2026 fosse parecida com a do ano passado. Em 2025, o índice INCC-DI, que mede essa inflação, subiu 5,9%. Agora, as projeções indicam que pode aumentar para cerca de 8,3% em 2026, com alta nos preços dos materiais e da mão de obra.

Segundo a consultoria 4intelligence, os preços dos materiais e serviços subiram 9%, enquanto a mão de obra cresceu 7,5%. No ano anterior, os preços dos materiais aumentaram 3,8% e a mão de obra, 9%. Se essa previsão se confirmar, será o maior índice desde 2022.

Ana Maria Castelo, da FGV, estima que o INCC fechará 2026 próximo de 7%, acima da inflação geral do país, que é prevista em 5,3%. Os materiais e serviços representam 58% do índice e estão pressionando os preços, principalmente após a guerra no Oriente Médio.

Preocupação com a diferença entre a inflação geral e a do setor

O ideal para o mercado imobiliário é que a inflação da construção acompanhe a inflação geral da economia, para que o poder de compra das pessoas não seja prejudicado. Porém, hoje, a inflação dos materiais está subindo mais que a geral, criando obstáculos para comprar imóveis.

Celso Petrucci, diretor do Secovi-SP, diz que o aumento do INCC é maior que o da inflação geral e lembra que situação parecida ocorreu durante a pandemia. Apesar do aumento dos custos, ele acredita que o impacto nas vendas será pequeno, especialmente em obras adiantadas com muitos imóveis já vendidos.

Em São Paulo, a venda de imóveis novos caiu 10,1% nos últimos 12 meses até abril, afetando principalmente famílias de classe média, que sentem o peso dos juros altos.

Setor observa a situação com atenção

Claudio Carvalho, CEO da AW Realty, destaca que sua empresa ainda não enfrenta problemas graves e já considera um INCC entre 7% e 8% para seus orçamentos, incluindo margem para imprevistos. Ele observa que algumas empresas estão mais preocupadas com a alta dos custos, mas no geral o mercado acompanha o cenário com cautela.

Ana Castelo ressalta que não há notícias de atrasos ou paralisações de obras, mas quem está construindo deve se preparar para orçamentos estourados devido ao aumento de preços dos materiais, como tubos de PVC, aço e cimento.

O programa Minha Casa, Minha Vida, que estabelece preços fixos para imóveis, sofre pressão nas margens das construtoras, já que não pode repassar os custos maiores para o comprador.

Alternativas para amenizar o aumento dos custos

Uma solução seria diversificar os fornecedores, porém essa opção é limitada, pois poucos fornecedores dominam o mercado, como no caso do aço onde só existem duas grandes empresas.

Celso Petrucci destaca a falta de opções em insumos básicos usados na construção como um problema para o Brasil.

Por isso, as construtoras têm buscado inovar nos métodos de construção, investindo em industrialização e novas tecnologias, para tentar reduzir custos.

Uso da inteligência artificial para reduzir despesas

Surgem no mercado novas tecnologias que usam inteligência artificial para construir casas de forma mais eficiente e econômica. A startup construtech GetHome oferece previsibilidade de custos e prazos para construção de casas de alto padrão, usando IA para fazer cotação de materiais e compras em grande quantidade, garantindo preços menores.

Vinícius Bozzi Nonato, CEO da startup, diz que o custo das casas construídas com essa tecnologia é cerca de 10% menor e o tempo de construção é de até 12 meses, metade do tempo usual no setor.

Essas inovações representam uma alternativa promissora para enfrentar a alta dos custos da construção civil e ajudar o consumidor a conquistar a casa própria.

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