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terça-feira, 21/04/2026

Unesco valoriza papel de áreas protegidas para o meio ambiente e as pessoas

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Um estudo da Unesco, divulgado na última terça-feira (21) em Paris, destaca a importância fundamental das áreas protegidas pela organização para a conservação da natureza e a estabilidade do meio ambiente no mundo. Essa rede inclui mais de 2.260 lugares, como Patrimônios Mundiais, Reservas da Biosfera e Geoparques, que juntas cobrem uma área maior que a soma da China e Índia, ultrapassando 13 milhões de quilômetros quadrados.

No Brasil, exemplos importantes são o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, listado como Patrimônio Mundial em julho de 2024 durante a 46ª reunião do comitê em Nova Delhi, e o Parque Nacional do Iguaçu, registrado em 1986. Os Lençóis Maranhenses são lar de quatro espécies ameaçadas, incluindo o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho, além de centenas de espécies de plantas, aves e répteis.

O relatório, intitulado “Pessoas e Natureza nos Sítios da Unesco: Contribuições Globais e Locais”, revela que as populações de animais nesses locais permaneceram estáveis, enquanto globalmente elas caíram 73% desde 1970. Um quarto desses espaços está em terras indígenas, com mais de mil línguas locais registradas.

Esses lugares são essenciais para proteger mais de 60% das espécies conhecidas no mundo, sendo que 40% dessas só existem lá, e armazenam 240 gigatoneladas de carbono, uma quantidade próxima às emissões globais de quase vinte anos. As florestas dentro dessas áreas também absorvem aproximadamente 15% do carbono capturado por todas as florestas do planeta.

No entanto, quase 90% dessas áreas sofrem com alto estresse ambiental, e os riscos climáticos aumentaram 40% na última década. O documento alerta que mais de 25% desses locais podem alcançar pontos críticos de danos até 2050, resultando na perda de geleiras, destruição de recifes de corais e a transformação de florestas de sumidouros de carbono em fontes emissoras.

Esses sítios hospedam quase 900 milhões de pessoas, equivalentes a 10% da população global, e geram cerca de 10% do produto interno mundial. Na África, Caribe e América Latina, quase metade dessas áreas são territórios indígenas.

Khaled El-Enany, diretor-geral da Unesco, descreveu esses locais como importantes para lutar contra as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade. Segundo ele, “nesses territórios, as comunidades prosperam, o patrimônio permanece e a biodiversidade é protegida”, destacando a necessidade de investimentos para proteger ecossistemas, culturas e os modos de vida dessas populações.

O estudo recomenda quatro ações principais: restaurar os ecossistemas para torná-los mais fortes; promover o desenvolvimento sustentável por meio da cooperação entre países vizinhos; incluir esses locais nos planos mundiais de combate às mudanças climáticas; e assegurar a participação de povos indígenas e comunidades locais na gestão desses espaços. Evitar um aumento de 1°C na temperatura global pode reduzir pela metade o número de áreas que sofrerão grandes impactos até o final do século.

Elaborado com a colaboração de mais de 20 instituições de pesquisa, o relatório também destaca sucessos, como a estabilidade das populações de animais selvagens e a recuperação dos gorilas-das-montanhas em regiões afetadas por conflitos, mostrando que o equilíbrio entre pessoas e natureza é possível quando a proteção é mantida.

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