A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, durante uma nova fase da operação que investiga possíveis irregularidades financeiras envolvendo o BRB e o Banco Master.
Segundo as investigações, Paulo Henrique Costa teria participado ativamente de operações realizadas entre 2024 e 2025, período em que o BRB comprou ativos do Banco Master no valor de cerca de R$ 21,9 bilhões. Desse montante, aproximadamente R$ 13,3 bilhões apresentam sinais de problemas, como falta de garantias, documentos incompletos e contratos inadimplentes, incluindo registros envolvendo pessoas falecidas.
Um relatório feito por uma auditoria externa, com o apoio de consultorias especializadas, confirmou essas suspeitas. O documento mostrou que as operações eram tratadas como “negócio do presidente”, feitas com pressa e pouca análise técnica.
Para evitar avaliações mais rigorosas do Conselho de Administração, as carteiras foram divididas, permitindo aprovações rápidas, algumas no mesmo dia.
Outra parte investigada é a atuação da Tirreno Consultoria, que é suspeita de organizar ativos sem garantias que depois foram comprados pelo BRB.
A Polícia Federal também investiga operações que levaram o banqueiro Daniel Vorcaro e seus parceiros a adquirir cerca de 23,5% das ações do BRB após aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão em 2024.
A auditoria aponta possíveis esquemas e simulações para permitir a entrada de fundos que inicialmente não poderiam participar da operação.
Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB entre 2019 e novembro de 2025, indicado pelo governador Ibaneis Rocha. Ele tem uma carreira anterior na Caixa Econômica Federal.
Ele já estava sendo investigado desde a primeira fase da operação e foi afastado do cargo por decisão judicial. Em sua defesa, nega irregularidades e afirma que as decisões eram tomadas em grupo e seguiam práticas comuns no mercado. Também declarou não haver provas concretas de problemas nas operações.
A defesa ainda não comentou sobre a nova prisão. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas medidas podem ser tomadas.
