FOLHAPRESS
O mercado de ações fechou em baixa de 1,65%, alcançando 192.888 pontos nesta quarta-feira (22), devido a ataques na região do estreito de Hormuz e incertezas sobre a guerra no Oriente Médio, o que deixou os investidores mais cautelosos.
Essa queda aconteceu mesmo após os EUA anunciarem, na terça-feira (21), que o cessar-fogo com o Irã foi prorrogado por tempo indefinido.
O dólar encerrou o dia sem mudanças, cotado a R$ 4,973, com mínima diária de R$ 4,955.
No exterior, as bolsas tiveram desempenhos variados. Nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones subiram 0,90%, 1,64% e 0,69%, respectivamente, com investidores otimistas em relação ao fim do conflito devido à prorrogação do cessar-fogo.
Na Europa, o cenário foi mais negativo, com o índice Euro Stoxx 50 caindo 0,41%, seguido por Frankfurt (-0,31%), Londres (-0,21%) e Paris (-0,96%).
Os investidores brasileiros estiveram atentos ao Oriente Médio durante o pregão. O Irã atacou navios de carga no estreito de Hormuz nesta quarta, no primeiro dia da segunda prorrogação do cessar-fogo feita pelo ex-presidente Donald Trump.
A Guarda Revolucionária iraniana informou que assumiu o controle de dois navios de contêineres próximos à sua costa em Hormuz: o MSC Francesca, com bandeira panamenha, e o Epaminondas, que navega sob a bandeira da Libéria. Ambos foram atingidos por tiros, mas não houve feridos.
De acordo com a UKMTO, agência britânica de monitoramento naval, o tráfego de navios na área continua muito perigoso, devido às ações do Irã e ao bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos.
Para Márcio Rialba, chefe da mesa de operações da StoneX, apesar do cessar-fogo ser uma boa notícia, o futuro ainda é incerto. “Os incidentes no estreito de Hormuz aumentaram a volatilidade dos mercados e a ansiedade dos investidores”, destacou.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, observou que o mercado está mais cauteloso mesmo com a prorrogação da trégua. “O mercado já esperava essa decisão, e a falta de avanços efetivos nas negociações mantém o risco elevado. O estreito de Hormuz continua bloqueado, o que mantém a tensão e pressiona o preço do petróleo”.
A volatilidade afetou também o setor de energia. Depois de uma pequena queda com o anúncio da prorrogação do cessar-fogo, o preço do barril do tipo Brent voltou a ficar próximo de US$ 100. Por volta das 17h15, o valor subiu 2,98%, chegando a US$ 101,39.
Durante o dia, as ações preferenciais da Petrobras, Prio e PetroRecôncavo cresceram 1,38%, 1,73% e 3,81%, respectivamente.
O mercado de juros futuros também sentiu os reflexos. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2028 avançou 14 pontos-base, a 13,45%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2035 subiu 13 pontos-base, a 13,50%.
Marcos Praça explicou que o aumento dos juros futuros afetou o setor financeiro devido a preocupações com crédito e atividade econômica. As ações do Santander e Banco do Brasil caíram mais de 3% cada, enquanto as do Bradesco recuaram 2,94%.
Na terça-feira, Donald Trump anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, sem estipular um prazo, afirmando que a trégua seguirá até que o Irã apresente uma proposta.
A segunda rodada das negociações entre Irã e EUA em Islamabad, Paquistão, está suspensa após o Irã não confirmar presença e o vice-presidente americano, J. D. Vance, adiar sua viagem ao país. Vance participou das conversas anteriores, que terminaram sem acordo.
O Irã recusa participar das negociações enquanto os EUA mantiverem o bloqueio ao trânsito de navios iranianos no estreito de Hormuz, que Teerã considera uma violação do cessar-fogo.
Apesar da trégua, Trump enfatizou que o bloqueio continua ativo. “Orientei nossas Forças Armadas a manterem o bloqueio e estarem prontas e preparadas”, escreveu ele.
Enquanto a situação não se resolve, o tráfego marítimo, que corresponde a cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito, permanece parado.
Nas últimas semanas, a diminuição das tensões geopolíticas ajudou a desvalorizar o dólar frente ao real e a valorizar a bolsa de valores. A trégua temporária motivou a busca global por investimentos de risco e o retorno de investidores estrangeiros aos mercados emergentes.
Na segunda-feira (20), o dólar fechou a R$ 4,973, o menor valor desde 7 de março de 2024, quando foi cotado a R$ 4,933.
O fluxo para mercados emergentes havia elevado o dólar a R$ 5,12 e a bolsa brasileira a recordes no início do ano, mas foi interrompido pela guerra no Irã.
Com o cessar-fogo entre Irã e EUA, o otimismo voltou e o dólar caiu abaixo de R$ 5 pela primeira vez em 2024.
Para os analistas, o real tem tido bom desempenho devido à distância do Brasil em relação ao conflito e ao diferencial de juros em relação aos EUA.
