Na quarta-feira, 22, o Ibovespa caiu para cerca de 192 mil pontos, em contraste com as bolsas de Nova York que subiram. O desempenho do índice foi amenizado pelos ganhos das ações da Petrobras, que subiram devido à alta do petróleo nos mercados internacionais. O setor financeiro, que tem grande peso no índice, teve queda nas ações importantes como Bradesco e Banco do Brasil. Já as ações da Vale também recuaram.
No fechamento do dia, o índice da B3 caiu 1,65%, atingindo 192.888,96 pontos, o menor patamar desde abril. Na semana, acumulou perda de 1,45%, mas ainda mantém ganho no mês e no ano. Em Nova York, os principais índices subiram, com recordes para o S&P 500 e Nasdaq.
Entre as ações em alta, destacaram-se as do setor de energia, como PetroReconcavo e Prio, além da Petrobras. Hapvida também teve um bom desempenho. Por outro lado, Cogna, Embraer e Yduqs sofreram grandes quedas.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, comentou que houve uma correção ajustada ao movimento anterior nos Estados Unidos e que o clima externo ainda é desafiador, mesmo com a alta recente das bolsas americanas, impulsionada pelos resultados corporativos.
Apesar de um cessar-fogo estendido pelo governo dos EUA em relação ao Irã, Spiess apontou que o conflito permanece instável, com a passagem pelo Estreito de Ormuz ainda comprometida, impactando os preços globais do petróleo e energia. Destacou que o Brasil é beneficiado por ser exportador líquido de petróleo e pela exposição de suas ações ao setor energético.
Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, ressaltou que o Irã continua resistente a negociações até que as ameaças cessem completamente, e que o programa nuclear do país complica as discussões, com o Estreito de Ormuz praticamente sem tráfego.
dólar
O dólar encerrou o dia estável, cotado a R$ 4,9740, apoiado pela valorização do petróleo, que ajuda a real a se valorizar contra a moeda americana, apesar do cenário externo adverso para o Brasil.
O avanço do petróleo favorece os termos de troca do país e reduz pressões para uma queda na taxa Selic, mantendo a atratividade para investimento em real. A disputa no Estreito de Ormuz continua, com apreensões de embarcações e tensões entre EUA e Irã.
Marcos Weigt, diretor do Travelex Bank, destacou que desde o início do conflito no Oriente Médio, o real tem sido a moeda que mais se valorizou, com potencial para apreciação maior devido à matriz energética do Brasil, elevada taxa de juros e posição como exportador de petróleo e etanol.
Em abril, o dólar mostra queda de 3,95% frente ao real, alcançando o menor nível em mais de dois anos. O peso colombiano também se valorizou devido à alta do petróleo. O índice DXY mostrou alta leve, atingindo máximas na sessão, enquanto moedas ligadas ao petróleo, como a coroa norueguesa, subiram.
Bancos e analistas mantêm visão positiva sobre o Brasil nos mercados emergentes, citando vantagens como produção de petróleo, energia limpa, investimento em tecnologia e estabilidade diplomática. A XP Investimentos observa que o país tende a ser beneficiado no cenário geopolítico volátil, com efeitos positivos para a moeda e controle da inflação, desde que o governo administre bem o repasse dos preços dos combustíveis.
Caio Megale e equipe da XP destacam que o real provavelmente continuará se valorizando, mesmo com pressão nas taxas de juros de curto prazo devido à política do Banco Central.
juros
A curva de juros mostrou alta, especialmente nos vencimentos médios e longos, pressionada pela alta do petróleo acima dos US$ 100 o barril e pela oferta de títulos atrelados à inflação pelo Tesouro Nacional, que teve boa aceitação no mercado.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2027, 2029 e 2031 aumentaram, refletindo o cenário desafiador.
O petróleo tipo Brent para junho fechou cotado a US$ 101,91, valorizando 3,5%, devido ao bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz e às dificuldades nas negociações entre EUA e Irã. Uma nova rodada de negociações foi cancelada, com o presidente dos EUA, Donald Trump, estendendo o cessar-fogo até que o Irã apresente uma proposta.
Masoud Pezeshkian, presidente iraniano, afirmou que ameaças e cerco são obstáculos para negociação, enquanto a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reportou divisões internas no governo iraniano que atrasam uma resposta unificada.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, observa ceticismo sobre a resolução do conflito e alerta que o fechamento do Estreito de Ormuz impacta negativamente os preços de energia, fertilizantes, inflação e juros. Isso diminui a probabilidade de corte significativo na taxa Selic na reunião do Copom em abril.
A curva futura precifica quase 100% de chance de redução modesta nos juros na próxima reunião do Copom. Para o fim de 2026, a taxa projetada está em 13,60%, segundo cálculo do economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano.
Luis Felipe Vital, estrategista da Warren Investimentos, destaca a demanda maior por títulos públicos após a venda integral de 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional, incluindo papéis com vencimento em 2055, que não eram ofertados desde 2025.
O cenário segue marcado por tensão geopolítica, alta dos preços do petróleo e incertezas, impactando os mercados financeiro e de juros no Brasil.
