Um morador de Samambaia Norte enfrenta todos os dias o medo e o perigo de atravessar uma rua sem segurança. Na parada de ônibus da QS 419, na 1ª Avenida Norte, não há calçadas ou rampas para acesso, o que obriga o paratleta de bocha Uriel Camilo Marques da Silva, de 23 anos, e sua mãe, Rosinete Cardoso Marques da Silva, 52 anos, a entrarem e saírem do ônibus diretamente na pista de tráfego. Sem um caminho seguro, eles precisam circular entre os carros, correndo riscos a cada viagem para os treinos.
Rosinete conta que já faz esse trajeto há nove anos e que nunca existiu uma calçada segura ligando a parada. Apesar de haver piso tátil, as sinalizações não estão conectadas e o local é difícil de acessar por conta de um barranco coberto de terra e grama, o que dificulta o trânsito seguro dos pedestres. O terreno irregular e inclinado obriga os usuários a escolherem entre enfrentar o solo difícil ou transitar pela rua, como fazem Rosinete e Uriel.
.Sem rampas de acesso, Rosinete geralmente empurra a cadeira de rodas do filho por cerca de 30 metros ao longo da avenida para chegar até a parada, correndo o risco constante de acidentes. Ela relata que o maior perigo é estar no meio dos carros: “Faz seis anos que faço esse percurso. Quando saímos do ônibus, precisamos ir pela rua porque não há rampa de descida. Passamos pelo meio dos carros, que às vezes buzinam. Eu arrisco a minha vida e a dele para atravessar. Às vezes, os ônibus nos escoltam.”
Sem resposta da Administração Regional de Samambaia após várias reclamações, Rosinete se preocupa, especialmente por ter outro filho com dificuldades para caminhar, que também precisa usar essa parada de ônibus. Ela afirma que o risco de acidentes é alto. Segundo a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), todo espaço urbano, incluindo pontos de ônibus e calçadas, deve ser acessível e livre de barreiras para todas as pessoas.
Posição oficial
A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) afirma que a parada da QS 419 segue as normas vigentes, com rampa e piso tátil, mas ressalta que a manutenção dos acessos não é responsabilidade da secretaria, sendo um caso para a Administração Regional de Samambaia. Até o momento da publicação, não havia registro de reclamações sobre o local na Ouvidoria.
A reportagem tentou contato com a Administração Regional de Samambaia e a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD-DF), mas não recebeu resposta. O espaço fica aberto para futuras manifestações.
