BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS
Um influenciador digital está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo, suspeito de usar inteligência artificial para manipular imagens de jovens evangélicas sem autorização, criando vídeos com conteúdo sexual. Esses vídeos foram divulgados em redes sociais.
O suspeito é o humorista e borracheiro Jefferson de Souza, 37 anos, que pediu desculpas após a repercussão. De acordo com a investigação, ele manipulava imagens de fiéis da Congregação Cristã no Brasil usando técnicas chamadas deepfake. O caso foi divulgado inicialmente pelo g1 e confirmado pela Folha de S.Paulo.
As postagens estavam principalmente no YouTube, no canal Humor do Crente, que tem mais de 11 mil inscritos, além de perfis no Instagram, Facebook e TikTok, onde usa o nome Silvio Souza, em referência ao apresentador Silvio Santos. No total, ele tem cerca de 37 mil seguidores nessas plataformas.
Depois da divulgação da investigação, os vídeos foram removidos. Em um dos vídeos encontrados pela polícia, aparecem jovens vestindo minissaias, o que é incomum nos cultos da congregação. A pessoa que denunciou comentou que não conhece as mulheres mostradas ao lado dela nas imagens.
O conteúdo também inclui imagens de figuras públicas, como Silvio Santos e o apresentador Ratinho, enquanto Jefferson aparece comentando negativamente sobre as roupas das jovens.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher da capital e depois encaminhada para a Delegacia de Polícia de Lençóis Paulistas, onde os fatos teriam acontecido.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as diligências continuam e que mais detalhes estão sob sigilo, por envolver menor de idade.
Procurado, Jefferson de Souza não retornou o contato na tarde de quarta-feira. Após a repercussão, ele postou um vídeo pedindo desculpas, dizendo que foi “infeliz” na forma de se expressar e que não quis causar divisão. Ele pediu perdão a quem se sentiu ofendido, afirmou estar triste e disse que quer aprender com o erro e cuidar melhor das suas palavras.
Na gravação, afirmou: “É fácil achar erros nos outros, mas eu não sou perfeito. Também cometo erros.”
A Congregação Cristã no Brasil divulgou nota dizendo que não aceita nenhum conteúdo que prejudique a dignidade, a honra ou a imagem de qualquer pessoa. A igreja explicou que não tem registro formal dos membros, o que impede vinculá-lo formalmente à instituição.
A igreja também disse que tem sido alvo de ataques por intolerância religiosa e que o responsável pelas postagens foi identificado, com providências internas sendo tomadas. Confia na atuação das autoridades.
Em comunicado aos fiéis, a congregação alerta sobre o uso da inteligência artificial para criar vídeos falsos, que podem imitar falas e imagens inexistentes, até em transmissões religiosas, para confundir o público e aumentar o engajamento nas redes sociais.
