22.8 C
Brasília
sábado, 11/07/2026

Inflação cai e surpreende com queda nos preços dos alimentos em junho

Brasília
nuvens quebradas
22.8 ° C
22.8 °
22.8 °
39 %
1.6kmh
80 %
dom
28 °
seg
28 °
ter
26 °
qua
27 °
qui
22 °

Em Brasília

LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

A inflação oficial no Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), diminuiu para 0,16% em junho, depois de ter sido 0,58% em maio, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (10).

Este número surpreendeu os economistas, ficando bem abaixo das previsões do mercado financeiro.

Antes, a previsão média para junho era de 0,31%, segundo a agência Bloomberg. A taxa de 0,16% ficou até abaixo do menor valor previsto (0,26%).

Essa é a menor inflação para o mês de junho em três anos, considerando 2023 (-0,08%), início do governo Lula (PT).

Segundo o IBGE, a redução do IPCA foi puxada pela queda nos preços do grupo alimentação e bebidas (-0,24%), que havia subido mais de 1% nos três meses anteriores.

A queda de 0,24% em alimentação e bebidas foi a maior para o mês de junho desde 2023 (-0,66%).

Este recuo foi maior do que o esperado e explica parte da surpresa com o valor do IPCA.

Leonardo Costa, economista da Asa, afirmou que os preços já mostravam uma estabilização no final de junho, mas esperava essa mudança mais forte para julho.

Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, destacou que a surpresa foi grande e incomum, pois as previsões estavam muito próximas umas das outras.

Ele comentou que a melhora veio não só por itens voláteis, mas por produtos importantes e com impacto mais duradouro na inflação.

IPCA continua acima do limite da meta

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA caiu para 4,64% até junho, contra 4,72% em maio.

Mesmo com a queda, o índice ficou acima do teto máximo de 4,5% da meta do Banco Central pelo segundo mês consecutivo.

A meta é considerada descumprida quando o índice fica por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (mínimo) a 4,5% (máximo). O objetivo é 3%.

Mais oferta e queda no combustível ajudam na queda dos alimentos

O grupo alimentação e bebidas teve a primeira queda desde novembro de 2025 (-0,01%).

Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que a redução aconteceu por vários motivos, como mais oferta de alimentos, reversão das altas anteriores e queda nos preços dos combustíveis (-0,48%).

O óleo diesel, utilizado no transporte rodoviário, caiu 1,19% em junho e 2,34% em maio.

Apesar da queda recente, o combustível ainda não compensou as altas fortes de abril (4,46%) e março (13,9%), que ocorreram devido à guerra no Irã que elevou o preço do petróleo.

Dentro do grupo alimentação, os preços em casa caíram 0,39% em junho, após subirem 1,65% em maio.

Quedas como do café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%) ajudaram nessa redução. Já o feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) tiveram alta.

A alimentação fora de casa, em bares e restaurantes, subiu 0,15% em junho, mas a alta foi menor que a de maio (0,49%).

A conta de luz residencial também teve alta menor, subindo 1,53% em junho frente a 3,67% no mês anterior, mas ainda foi a maior pressão individual para alta no IPCA (0,06 ponto percentual). A passagem aérea cresceu 7,12%, contribuindo com 0,05 ponto percentual.

Guerra e fenômeno climático em foco

As estimativas para o IPCA acumulado em 12 meses para 2026 são de 5,3%, um pouco menor que 5,33% na semana anterior, segundo o boletim Focus do Banco Central.

A queda ocorreu após uma trégua no conflito entre Irã e Estados Unidos, que começou em 28 de fevereiro, mas os ataques recomeçaram em 8 de junho, após o presidente Donald Trump declarar o fim da trégua.

A guerra em fevereiro causou impacto na inflação brasileira, elevando o preço dos combustíveis devido ao aumento no preço do petróleo.

Também pressionou a alta dos alimentos no primeiro semestre, afetada pela oferta menor e custos de produção maiores.

O governo Lula atuou com medidas para controlar o aumento dos preços dos combustíveis em ano de eleição, pois o presidente deve concorrer à reeleição em outubro.

O fenômeno climático El Niño é um risco para a inflação a partir do segundo semestre, pois pode prejudicar a agricultura ao modificar a distribuição das chuvas no país.

Analistas alertam que possíveis dificuldades na produção de alimentos podem aumentar os preços para os consumidores no final do ano.

Veja Também