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Guaidó denuncia que Maduro planeja fechar Parlamento venezuelano

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A Assembleia Constituinte retirou nesta terça-feira a imunidade parlamentar de mais cinco deputados opositores

Juan Guaidó: “Estão tratando de fechar o Parlamento Nacional, única instância legítima reconhecida pelo mundo” (Isaac Urrutia/Reuters)

O líder opositor Juan Guaidó denunciou nesta terça-feira que o governo de Nicolás Maduro pretende “fechar” o Parlamento venezuelano, após sua sede ser cercada por forças policiais.

“Estão tratando de fechar o Parlamento Nacional, única instância legítima reconhecida pelo mundo”, denunciou Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

Tropas da Guarda Nacional – encarregada da segurança do Palácio Legislativo -, policiais e agentes da inteligência (SEBIN) cercaram nesta terça o prédio, alegando uma ameaça de bomba.

Horas mais tarde, o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, garantiu que após uma “ameaça de bomba” as autoridades não encontraram rastros de explosivos.

Desde cedo, agentes isolaram as entradas do Parlamento, o único poder nas mãos da oposição. Veículos blindados e um guindaste foram colocados nas proximidades, constataram jornalistas da AFP.

“É algo recorrente, não é a primeira vez que isso acontece”, disse a deputada Manuela Bolívar, observando que se trata de “uma política para enfraquecer a Assembleia”.

No dia 5 de janeiro, quando a legislatura começou, a Guarda Nacional também reportou explosivos no edifício.

“Seja em uma praça, nos anexos, debaixo de uma ponte, a Assembleia continuará a realizar sessões e hoje haverá uma sessão”, declarou à imprensa o congressista Luis Stefanelli.

Bolívar denunciou o incidente como “uma intimidação” em meio à disputa entre o presidente do Legislativo, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, e Maduro.

Quebra de imunidade

A Assembleia Constituinte retirou nesta terça-feira a imunidade parlamentar de mais cinco deputados opositores, ampliando para 14 o número de legisladores que serão julgados pela tentativa de rebelião militar contra Maduro.

“Fica absolutamente aprovado (…) por maioria patriótica” a retirada da imunidade de Freddy Superlano, Sergio Vergara, Juan Andrés Mejía, Carlos Paparoni e Miguel Pizarro, informou Diosdado Cabello após a votação.

A quebra de imunidade ocorreu logo após o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) acusar os quatro deputados pelo fracassado motim militar contra Maduro.

Em 7 de maio, a Assembleia Constituinte já havia retirado a imunidade de outro grupo de parlamentares, depois de a Suprema Corte de Justiça os acusar de apoio à revolta militar, incluindo o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano.

Em uma operação incomum que incluiu o uso de um caminhão de reboque para rebocar seu carro, na quarta-feira passada, Zambrano foi preso e levado para o Forte Tiuna, o principal complexo militar da capital venezuelana.

Três colegas seus se refugiaram nas residências dos embaixadores de Itália e Argentina, enquanto outro fugiu para a Colômbia.

O governo mexicano informou na noite desta terça-feira que recebeu o deputado opositor Franco Manuel Casella para lhe dar “proteção e abrigo”, seguindo a “tradição diplomática” do país.

A rebelião foi liderada por Guaidó e Leopoldo López, libertado da prisão domiciliar pelos insurgentes e que mais tarde se refugiou na residência do embaixador da Espanha.

Na prática, a Assembleia Constituinte, que governa o país com poderes absolutos, assumiu as funções parlamentares, depois que a mais alta corte de justiça declarou o Legislativo em “desacato”.

Estratégia “sistemática” de repressão

Guaidó disputa o poder com Maduro desde 23 de janeiro, quando se autoproclamou presidente encarregado. Ele pede que as Forças Armadas se rebelem e lidera protestos, que têm perdido fôlego.

A Anistia Internacional denunciou nesta terça-feira no México que os protestos da oposição sofreram “uma estratégia de ataque sistemático e generalizado” pelo governo. A ONG solicitou ao Tribunal Penal Internacional uma ampla investigação sobre o país.

Vários países europeus apresentaram nesta terça na ONU o Grupo Internacional de Contato sobre a Venezuela como a melhor maneira de “avançar na resolução política e pacífica da crise e longe do confronto”, disseram fontes diplomáticas à AFP.

Em uma reunião a portas fechadas, o Conselho de Segurança da ONU debateu a crise na Venezuela a pedido dos países europeus, e ficou claro que as divisões persistem dentro dela, com a Rússia e a China enfrentando os Estados Unidos. A Europa insiste em uma solução por meio do Grupo de Contato Internacional (GCI), que reúne países sul-americanos e europeus.

O GCI e os países do Grupo de Lima estão considerando realizar uma reunião conjunta sobre a Venezuela, informou o embaixador do Peru na ONU, Gustavo Meza-Cuadra, após Reunião do Conselho.

Da cidade russa de Sochi, o chefe da diplomacia dos EUA, Mike Pompeo, disse que exigiu em uma reunião com seu colega russo, Sergei Lavrov, que Moscou pare de apoiar Maduro, um pedido que seu interlocutor rejeitou de imediato.

“Chegou a hora de Nicolás Maduro sair. Ele só causou sofrimento ao povo venezuelano, e esperamos que o apoio russo a Maduro acabe”, disse Pompeo em coletiva de imprensa com Lavrov na terça-feira.

À espera da polícia

Na embaixada da Venezuela em Washington, os últimos quatro ativistas americanos que seguem na sede diplomática aguardam a entrada da polícia no recinto, depois de se recusarem a deixar o local no dia anterior.

As autoridades ofereceram na segunda-feira aos ativistas a oportunidade para que deixassem voluntariamente a embaixada sem a apresentação de acusações, mas estes negaram.

Há 34 dias, um grupo de americanos do Coletivo para a Proteção da Embaixada (Embassy Protection Collective) vive na sede, com o consentimento do governo de Nicolás Maduro.

O objetivo dos ativistas, que denunciam a existência de um projeto de golpe contra Maduro, é impedir a entrada dos representantes de Guaidó após a partida dos últimos diplomatas venezuelanos em 24 de abril.

Francisco Márquez, assessor político da delegação de Guaidó nos Estados Unidos, advertiu que os ativistas cometeram um “crime federal” e que “todo o peso da lei vai recair sobre eles”.

 

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Ex-presidente do Peru é preso nos EUA acusado de receber propina da Odebrecht

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O ex-presidente peruano Alejandro Toledo foi preso nesta terça-feira nos Estados Unidos após pedido de extradição feito pelas autoridades do Peru, que querem processá-lo no país por envolvimento no escândalo de corrupção da construtora Odebrecht.

“Fomos informados que o ex-presidente se encontra na primeira audiência diante das autoridades judiciais norte-americanas, como parte do processo orientado a conseguir seu retorno ao país”, informou o Ministério Público do Peru em mensagem divulgada no Twitter.

Com Agência EFE

 

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Apesar de conservadora, aliada de Merkel fez acenos para bandeiras da centro-esquerda e dos liberais

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A União Europeia elegeu na última terça-feira (16) a primeira mulher para comandar seu braço executivo, a Comissão Europeia. Ursula von der Leyen, atualmente ministra da defesa da Alemanha, conquistou a maioria dos votos no parlamento e venceu a disputa.

A chefe dela, a chanceler alemã Angela Merkel, já tinha deixado claro que pretendia colocar um nome conservador moderado no lugar de Jean Claude Junker. Emmanuel Macron defendia um nome jovem, carismático e criativo no cargo responsável por comandar as grandes negociações do bloco.

A vontade da alemã prevaleceu. Von der Leyen fez o que poucos políticos têm feito atualmente. Embora seja conservadora, de centro-direita, ela fez acenos para bandeiras da centro-esquerda, dos liberais e dos verdes aqui na Europa.

O tipo de postura necessária para conter a ameaça extremista que ronda o bloco há bastante tempo e que é considerada um dos grandes desafios para a unidade entre os estados europeus.

A alemã vai assumiu o comando da Comissão Europeia assim que o Reino Unido deixar o bloco, no final de outubro, começo de novembro. Von der Leyen já declarou que pode avaliar uma extensão do prazo de desfiliação dos britânicos, mas que não há margem para negociações.

A União Europeia aos poucos vai virando a página da saída do Reino Unido e foca em temas bastante caros para o continente. Entre eles estão as políticas climáticas e o combate ao aquecimento global, as negociações comerciais e medidas antitruste contra grandes corporações.

A nomeação do novo presidente do conselho europeu, o primeiro-ministro belga, Charles Michel, também confirma essa sensação de que a Europa está pronta para ver a Grã Bretanha pelas costas.

Aqui em Londres a imprensa local chegou a dizer que os dois políticos que vão ocupar os principais cargos do bloco odeiam e desprezam o Reino Unido.

E, assim sendo, devem empurrar o país para fora do bloco logo para encerrar um debate em que claramente ninguém saiu ganhando até agora.

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Traficante mexicano El Chapo é condenado à prisão perpétua nos EUA

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O líder do Cartel de Sinaloa, conhecido como El Chapo, foi condenado nesta quarta-feira (17) por traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos EUA

Narcotraficante El Chapo é condenado a prisão perpetua nos Estados Unidos. (LatinContent / Stringer/Getty Images)

O líder do Cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán, foi condenado nesta quarta-feira, 17, à prisão perpétua pela Justiça Federal dos Estados Unidos. Ele irá cumprir pena em uma penitenciária norte-americana.

O traficante mais famoso do mundo, 62 anos e chefe do cartel mexicano de Sinaloa, foi condenado em fevereiro por crimes que duraram um quarto de século, incluindo o tráfico de centenas de toneladas de cocaína, heroína, metanfetamina e maconha para os Estados Unidos. A justiça americana ordenou que o ex-chefe da máfia devolva US$ 12,6 bilhões dos lucros de seus crimes.

O traficante, que havia sido protegido no México por um exército de gangsteres e uma elaborada operação de corrupção, foi levado aos EUA para ser julgado depois de ter escapado duas vezes das prisões mexicanas.

Depois de três meses em que a Promotoria apresentou uma montanha de provas, em 12 de fevereiro, um júri popular declarou “El Chapo” culpado de traficar ou tentar traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos Estados Unidos, principalmente cocaína.

Antes de finalmente ser capturado, em 2016, Guzmán escapou de presídios de segurança máxima mexicanos duas vezes. Ele foi extraditado aos EUA para enfrentar um julgamento em janeiro de 2017.

El Chapo criou a reputação de ser uma figura à la Robin Hood que fez dele um herói popular para muitos de seu Estado natal de Sinaloa, onde nasceu em um vilarejo montanhoso pobre.

Guzmán se estabeleceu como traficante nos anos 1980 escavando túneis sob a fronteira EUA-México que lhe permitiram contrabandear drogas mais rapidamente do que qualquer um de seus rivais. Ele acumulou poder durante os anos 1990 e 2000 graças a guerras muitas vezes sangrentas com seus adversários, eventualmente se tornando o líder mais conhecido do Cartel de Sinaloa.

Julgamento

Em fevereiro, um júri considerou Guzmán, de 62 anos, culpado de traficar toneladas de cocaína, heroína e maconha e de se envolver em diversas conspirações de assassinato como líder máximo do Cartel de Sinaloa, conhecido há tempos como uma das maiores e mais violentas organizações de tráfico de drogas do México.

Ele está sendo mantido na solitária do Centro Correcional Metropolitano, uma prisão semelhante a uma fortaleza situada no sul de Manhattan. No mês passado, Cogan rejeitou seu pedido de mais tempo para se exercitar no telhado da prisão porque procuradores disseram haver o risco de uma fuga.

Antes de a pena ser anunciada, Guzmán argumentou que seu confinamento equivale a uma “tortura mental” e sustentou que os jurados de seu caso se deixaram influenciar por reportagens – uma alegação repetida por seus advogados.

“Os Estados Unidos não são melhores do que qualquer outro país corrupto”, disse Guzmán, acrescentando que os procuradores queriam enviá-lo a “uma prisão onde nunca mais se ouvirá falar de mim”.

O julgamento do mexicano em Nova York foi um mergulho surrealista dentro de um dos maiores cartéis de drogas, uma janela aberta para a vida até então misteriosa do chefão mexicano, famoso pelos túneis construídos para traficar drogas para os Estados Unidos ou para escapar da prisão.

Dezenas de pessoas, incluídas 56 testemunhas do governo americano, entre eles velhos sócios de “El Chapo”, rivais, uma ex-amante e agentes do FBI, relataram a história do criminoso.

Seu julgamento de 11 semanas, que contou com depoimentos de dezenas de ex-associados que fizeram acordos para cooperar com os procuradores, ofereceram ao público uma visão inédita das engrenagens do cartel.

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