O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório que critica o aumento das exportações de carne congelada do Brasil para a China, classificando o crescimento como uma concorrência injusta para os produtos norte-americanos. Segundo o órgão, a expansão teria relação com trabalho forçado na produção brasileira.
Entre 2015 e 2025, as exportações brasileiras de carne congelada para a China e outros mercados investigados pelo USTR praticamente dobraram, enquanto as exportações dos Estados Unidos subiram apenas 21%. O relatório destaca que as vendas brasileiras cresceram mais de 17 vezes no mesmo período, superando amplamente o avanço americano.
O documento aponta dificuldades para rastrear trabalho forçado na produção da carne bovina no Brasil, citando o chamado ‘lavagem de gado’, mas afirma que isso não impede as conclusões do relatório.
“Apesar dessas dificuldades, este relatório conclui que as exportações norte-americanas de carne bovina congelada para a China foram negativamente afetadas pela concorrência da carne brasileira, possivelmente ligada ao trabalho forçado”, destaca o comunicado do USTR.
O órgão também reconhece outros fatores que podem ter influenciado a competição, como o tamanho dos rebanhos dos EUA e as tarifas chinesas aplicadas aos EUA desde 2019. No entanto, argumenta que, se houver uma proibição sobre produtos ligados ao trabalho forçado, os EUA teriam enviado mais carne ao mercado chinês.
Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou mais de US$ 50 bilhões para a China. Recentemente, o governo chinês reconheceu o Brasil como país livre da febre aftosa, uma doença que afeta o gado. Essa decisão deve facilitar as exportações de carne bovina, incluindo cortes com osso e miúdos.
Investigação do USTR
O USTR concluiu a investigação sobre trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil, que examinou supostas falhas na proibição da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado nos mercados desses países.
O relatório afirma que a ausência de mecanismos eficazes para impedir a entrada desses produtos cria uma concorrência desleal para as exportações americanas, que supostamente são produzidas sem trabalho forçado.
Dos 60 países investigados, 54 não conseguiram aplicar efetivamente proibições sobre importações ligadas ao trabalho forçado. O Brasil faz parte dessa lista.
A proposta de tarifas extras para o Brasil foi anunciada um dia após o USTR sugerir uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir uma investigação que questiona o sistema de pagamento Pix.

