Mais da metade das pessoas com HIV no Brasil já enfrentou algum tipo de preconceito, segundo pesquisa mencionada na reportagem. O estigma, presente em famílias, na sociedade e até em serviços de saúde, pode atrasar o diagnóstico e dificultar o tratamento contínuo.
De 1.275 entrevistados para a segunda edição do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV de 2025, 22,8% relataram ter evitado fazer o teste por medo da reação dos outros. Outros 8,5% abandonaram os serviços de saúde após passarem por discriminação.
Fabiana Borges, assistente social da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), destaca que o preconceito impede a adesão ao tratamento antirretroviral e prejudica o acompanhamento médico. Ela ressalta que a discriminação pode romper laços familiares e afetivos, enfraquecer o apoio social e dificultar o acesso ao trabalho.
Segundo o Boletim Epidemiológico da SES-DF, mais de 3,8 mil casos de HIV foram registrados entre 2020 e 2024 no Distrito Federal, com maior incidência em pessoas de 20 a 29 anos, que representam 42,6% das notificações.
A reportagem ressalta que HIV e Aids não são iguais. HIV é o vírus que afeta o sistema imunológico, enquanto Aids é um estágio avançado causado pela queda da imunidade e surgimento de sintomas. Com diagnóstico e tratamento adequados, quem tem HIV pode viver bem sem desenvolver Aids.
Embora o tratamento tenha evoluído, ainda existem muitos mitos e desinformação sobre o vírus. A SES-DF alerta que esse desconhecimento alimenta o preconceito e reforça a ideia errada de que o HIV atinge apenas certos grupos, quando na verdade pode infectar qualquer pessoa em situações de risco.
A matéria também informa sobre a disponibilidade da profilaxia pré-exposição (PrEP), para pessoas com maior risco, e da profilaxia pós-exposição (PEP), para quem teve possível contato com o vírus, como em casos de violência sexual ou acidentes. A recomendação é que pessoas sexualmente ativas façam testes regulares para possibilitar diagnóstico e tratamento rápidos.
