VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS
Na República Democrática do Congo, um vírus chamado ebola está se espalhando rapidamente, causando preocupação global. Até agora, já foram registradas 131 mortes e 513 casos suspeitos segundo as autoridades locais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência de saúde pública internacional devido à rapidez da contaminação. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou sua preocupação com a situação.
O ebola é uma doença grave causada por um vírus da família Filoviridae, que pode infectar pessoas e alguns tipos de primatas, como macacos e gorilas. Em alguns surtos, a taxa de mortalidade pode chegar a 90%.
Existem cinco tipos desse vírus: Ebola (Zaire), Sudão, Taï Forest, Bundibugyo e Reston. O tipo Bundibugyo, que está causando o surto atual, não tem vacina ou tratamento específico e teve surtos em Uganda e na República Democrática do Congo anteriormente, com mortalidade entre 30% e 50%.
Como o vírus é transmitido?
O ebola se espalha pelo contato direto com sangue, tecidos e fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos. Isso inclui saliva, urina, fezes, leite materno e sêmen. A pessoa só transmite o vírus depois de começar a apresentar sintomas, que surgem entre 2 e 21 dias após a contaminação.
De onde veio o vírus?
Acredita-se que os morcegos frugívoros sejam os hospedeiros naturais do vírus. O ebola foi descoberto em 1976 durante surtos no sul do Sudão e no norte da República Democrática do Congo, perto do rio Ebola, que deu nome à doença. Desde então, surtos apareceram principalmente na África subsaariana.
E o ebola no Brasil?
Não há casos confirmados de ebola no Brasil. O risco para a população brasileira é baixo, mas há monitoramento de pessoas vindas de regiões onde o vírus está ativo.
O que está acontecendo na África?
O surto atual está concentrado na província de Ituri, perto das fronteiras com Uganda e Sudão do Sul. Autoridades internacionais acompanham de perto a situação para evitar a propagação da doença na região.
Sintomas e complicações
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, fraqueza, diarreia, vômito, dor na barriga, falta de apetite, dor de garganta e sangramentos. Em casos graves, a doença pode causar choque, falência de órgãos e complicações graves no fígado e rins.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por exame laboratorial PCR que detecta a presença do vírus no corpo. Os pacientes infectados devem ser isolados e os profissionais de saúde precisam usar equipamentos de proteção para evitar contaminação.
Atualmente, não existe vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo. A prevenção inclui evitar contato com pessoas doentes, lavar as mãos com frequência e evitar locais onde há surto. O tratamento é focado em manter a hidratação e controlar os sintomas.
Risco de pandemia
Até o momento, o surto não é considerado uma pandemia, mas existe risco maior para países próximos das áreas afetadas, especialmente onde há muita circulação de pessoas.
Medidas adotadas pelos países
Os governos estão intensificando a vigilância, monitorando viajantes, rastreando contatos e preparando os serviços de saúde para identificar rapidamente casos suspeitos. Os EUA, por exemplo, suspenderam temporariamente a entrada de viajantes vindos de regiões com surtos e realizaram triagens em aeroportos para conter a disseminação do vírus.
